Capacitação sobre IA reforça compromisso do TJMT com inovação segura

“A
transformação digital do Poder Judiciário não é mais uma promessa para o futuro
— ela já é uma realidade. E o TJMT tem dado passos muito concretos nessa
direção”, afirmou o juiz. “O
curso 'Inteligência Artificial aplicada à Gestão de Processos – Módulo I' é
parte desse movimento. A proposta é capacitar magistrados, servidores e
assessores para o uso responsável, ético e eficiente das ferramentas de inteligência
artificial no contexto da rotina forense”.
Com uma linguagem acessível e didática, Galhardo
introduziu os principais conceitos da IA generativa e como ela pode ser
aplicada na gestão de processos judiciais, desde a automatização de tarefas
administrativas até o apoio na elaboração de minutas e relatórios. Ele
destacou, entretanto, que a IA não
substitui o raciocínio jurídico humano e que seu uso exige conhecimento técnico e vigilância constante.
“Vivemos um
momento em que os avanços tecnológicos precisam ser acompanhados de formação
qualificada. Não basta ter acesso a sistemas inteligentes — é fundamental saber
como configurá-los, interpretá-los e utilizá-los de forma segura, sempre com
atenção ao papel humano na tomada de decisão. Esse equilíbrio entre inovação e
responsabilidade é o que buscamos fomentar neste curso, promovido pela Escola
dos Servidores em parceria com o InovaJusMT”.
Durante o curso, os participantes foram
introduzidos à chamada engenharia de
prompt, técnica que permite construir instruções mais precisas e
eficazes para que os modelos de linguagem gerem respostas úteis e juridicamente
seguras. Segundo o magistrado, a formulação de um prompt adequado envolve
definir claramente a persona, o objetivo da resposta, o estilo desejado, as
tarefas a serem executadas, os parâmetros técnicos e o modelo utilizado.
“A
inteligência artificial não tem senso de justiça. Ela não faz ideia do que está
acontecendo ali. O que eu mandar ela fazer, ela vai fazer”, explicou. “Quanto mais eu domino a IA, maior a
responsabilidade pelo que ela gera.”
Ele também alertou para o risco das chamadas “alucinações” da IA, que ocorrem
quando a ferramenta gera respostas falsas ou imprecisas.
“A
alucinação não está só no prompt. Está no processador, na forma como a máquina
interpreta e combina informações. Por isso precisamos ter uma base de dados
confiável e sob nosso controle”, pontuou.

“Uma das
ferramentas que apresentamos aos participantes é o LexIA, sistema de IA
desenvolvido pelo próprio TJMT. Ele já vem sendo testado em alguns gabinetes e
demonstra grande potencial de apoio à gestão processual, sobretudo na triagem,
organização e sugestão de minutas. Tudo isso, claro, sob a supervisão e o
controle da equipe do gabinete. O LexIA não julga — ele auxilia. E esse apoio
faz diferença quando pensamos na quantidade de processos que tramitam
atualmente no nosso sistema”.
O juiz também enfatizou o papel da atual gestão do
TJMT na modernização do Judiciário.
“É
importante reconhecer, também, que esse avanço só está sendo possível porque
temos uma Presidência comprometida com a modernização do Judiciário. O
Desembargador José Zuquim tem sido incansável na busca por soluções
tecnológicas que melhorem a produtividade e a qualidade do serviço judicial.
Esse incentivo institucional tem sido determinante para que o TJMT se torne
referência nacional no uso de inteligência artificial aplicada à Justiça”.
Outro ponto amplamente discutido foi a necessidade
de conformidade com a Resolução 615 do
CNJ, que estabelece critérios rígidos para o uso de IA no Poder
Judiciário. O juiz detalhou as exigências da norma, como anonimização de dados, revisão humana
obrigatória, registro das
interações para auditoria, e proibição
de uso da IA em decisões de alto risco, especialmente aquelas que
envolvam a liberdade individual ou perfilhamento de cidadãos.
Além do LexIA, Galhardo apresentou outras soluções
emergentes, como o Claude,
excelente ferramenta para raciocínio jurídico; o Gemini, que lida com grandes volumes de informação; e o NotebookLM, voltado para análise e
extração de dados em larga escala. Segundo ele, essas ferramentas podem ser
integradas aos sistemas internos por meio de APIs, auxiliando desde a leitura
de Diários Oficiais até a elaboração de relatórios automáticos.
“Estamos
caminhando para uma IA que se conecta ao nosso próprio acervo. Vai ser possível
pesquisar jurisprudência, doutrina e modelos com muito mais profundidade e
agilidade”, explicou. “Ao
contrário de soluções abertas e de terceiros, a LexIA garante maior proteção de
dados e confiabilidade nos resultados, sendo considerada um avanço estratégico
para o Judiciário mato-grossense e nacional”.
Ao final da capacitação, os servidores foram
convidados a responder à pergunta: “Em uma palavra, o que você espera com esse
curso?”. As respostas, transformadas em nuvem
de palavras, revelaram os principais anseios do grupo: inovação, produtividade, celeridade,
qualidade de vida, domínio da ferramenta e transformação.
“Mais do que facilitar o trabalho interno, o grande beneficiado com tudo isso é o cidadão. Quando conseguimos julgar com mais celeridade, sem abrir mão da qualidade, estamos fortalecendo a confiança da sociedade no Poder Judiciário. E é isso que nos move: entregar uma Justiça mais eficiente, mais acessível e mais conectada com os desafios do nosso tempo”, finalizou o juiz Vinícius Galhardo.
Flávia Borges
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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