Judiciário de MT registra avanços na baixa processual de ações ambientais na Comarca de Colniza
A Vara Única de Colniza,
município mato-grossense na Amazônia Legal, a 1.039 km de Cuiabá, tem se
destacado no enfrentamento a crimes ambientais e na redução do seu acervo
processual. Entre junho de 2024 e o início de agosto deste ano, a comarca
julgou 208 processos ambientais, superando a meta estabelecida para 2025.
A mobilização em Colniza é um dos
exemplos que reforça a iniciativa da Semana da Pauta Verde, proposta pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ação, que ocorre entre os dias 18 e 22 de
agosto em 79 comarcas de Mato Grosso, busca fortalecer a atuação judicial na
área ambiental.
Segundo o desembargador Rodrigo
Roberto Curvo, membro do Fórum Ambiental do Poder Judiciário (Fonamb), a
iniciativa visa conscientizar, solucionar conflitos e incentivar a
sustentabilidade.
“A Semana da Pauta Verde,
idealizada pelo Fórum Ambiental do Poder Judiciário (Fonamb) e coordenada pelo
CNJ, traduz não apenas um esforço institucional, mas um compromisso estratégico
com a sustentabilidade, a eficiência e a cultura de diálogo no Judiciário. O
objetivo é priorizar a tramitação de processos estruturais ambientais e em
incentivar soluções consensuais, reduzindo custos e tempo de tramitação,
consolidando uma Justiça mais célere, eficaz e sensível às urgências
ecológicas”, afirmou o desembargador Rodrigo Roberto Curvo.
Resultados impressionantes e desafios superados
Com o julgamento de 208
processos, a Comarca de Colniza cumpriu 113,48% da Meta 6 do CNJ, que determina
o julgamento de 50% das ações ambientais distribuídas até o final de 2024. O
diretor do Foro da Comarca de Colniza, juiz Guilherme Leite Roriz, que também
atende a Comarca de Aripuanã, explicou o avanço e ressaltou que o trabalho é
contínuo.
“Chegamos em Colniza com a Meta 6,
que trata sobre as questões ambientais, com 18%. Hoje estamos acima de 120%.
Atingimos 100% da meta em junho de 2025 e a comarca manteve um alto índice de
julgamentos, chegando a 113,48% em meados de agosto. Continuamos monitorando e
priorizando as 192 demandas que restam, identificando e julgando as que
estiverem aptas", afirmou Leite.
A intensificação dos julgamentos
começou em junho de 2024, após a inclusão da comarca no Programa Judicial de
Acompanhamento do Desmatamento na Amazônia (Projada) do CNJ. A decisão se
baseou em dados alarmantes. Colniza ficou em 10º lugar no ranking de
desmatamento em 2024, com 10.716,5 hectares devastados, e registrou o maior
número de focos de calor em Mato Grosso (2.171), segundo dados do MapBiomas e
da Agência Pública.
Roriz destacou o desafio de
regularizar processos antigos, muitos dos quais não tinham sequer a citação dos
réus. "Em várias ações houve a tentativa de citação dos requeridos em
três, quatro endereços e sequer tinha citação por edital, nomeação de curador”,
explicou.
Condenações e nova frente de atuação
Entre janeiro e agosto de 2025,
80 ações ambientais foram concluídas, com destaque para as 21 ações julgadas em
junho. Entre os processos, estão casos emblemáticos de desmatamento e queimadas
ilegais, incluindo dez processos relacionados ao "Dia do Fogo" de
2022. Uma das sentenças mais relevantes condenou autores de incêndios que
destruíram quatro mil hectares de floresta, o equivalente a quatro mil campos
de futebol. Algumas ações julgadas, inclusive, remetiam a infrações de mais de
uma década, como processos de 2008.
As sentenças proferidas foram
além da reparação ambiental, resultando em condenações que impuseram
reflorestamento, medidas preventivas e indenizações por danos materiais e
morais coletivos.
“A inclusão de medidas como o
reflorestamento e as indenizações por danos morais e coletivos vai muito além
de simplesmente punir o infrator. O principal objetivo é a reparação integral
do dano ambiental. Quando uma degradação ambiental ocorre, o dano não é apenas
individual, mas atinge toda a sociedade e o meio ambiente de forma
irreversível. Logo, essas condenações possuem um efeito pedagógico e
preventivo”, afirmou o magistrado.
Além de focar nos julgamentos, a
Comarca está investindo em um projeto de acordos em colaboração com o
Ministério Público. "Estamos agora com o projeto de acordo. Eu converso
com o promotor, que oferece algumas propostas, e também converso com os
advogados para regularizar essas ações ambientais”, explicou Leite, mostrando
uma nova frente de atuação para a resolução dos processos.
Projada - O objetivo do Programa Judicial de Acompanhamento do
Desmatamento na Amazônia é ‘monitorar o desmatamento e a degradação da flora nativa
de qualquer natureza em municípios que apresentem os maiores índices ou maiores
riscos de supressão ou degradação da vegetação nativa na Amazônia’. No total,
15 comarcas do Brasil integram o Projada.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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