Mais de 600 pessoas participam de corrida em Sinop por um futuro sem violência contra as mulheres
Até junho deste ano, 454
mulheres solicitaram medidas protetivas de urgência no município de Sinop. O
número reflete o resultado do trabalho da Rede de Enfrentamento e Combate à
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop, que, nesse sábado (02
de agosto), deu mais um passo no trabalho de conscientização e informação sobre
o tema, com a “2ª Corrida Maria da Penha – Juntos pelo fim da violência contra
a Mulher”. O evento reuniu mais de 600 pessoas em uma ação de cuidado com a
saúde, solidariedade e atenção às mulheres.
“A ideia de unir esporte com
conscientização surgiu justamente porque, para correr, é preciso ter
determinação. E é com essa determinação que nós, como sociedade, precisamos
para enfrentar a violência contra as mulheres. Escolhemos a corrida e a
caminhada como formas simbólicas e práticas de mobilizar as pessoas em torno
dessa causa tão urgente”, explica a juíza Débora Roberta Pain Caldas, membro da
Rede de Sinop.
Criada em 2019, a Rede de
Enfrentamento de Sinop conta com 30 parceiros que realizam ações em todas as
frentes, dentre elas: educação, conscientização, responsabilização dos autores de
violência doméstica contra a mulher, acolhimento e resgate das mulheres. A
união dessas iniciativas conta com a intermediação do Poder Judiciário de Mato
Grosso, que, desde o início, cumpre também o papel de articulador.
“A nossa rede é considerada um
modelo. Esse sucesso se deve, principalmente, ao fato de diversas instituições
que já tinham projetos individuais compreenderem a importância de atuarem de
forma conjunta e estruturada e o Judiciário teve um papel fundamental nessa
articulação. Foi o Judiciário que realizou a primeira reunião com essas
instituições e a partir daí, formamos uma comissão que conduz esse trabalho de
forma exemplar”, conta a magistrada.
Esporte
e conscientização
Ao unir esporte e
conscientização, o evento amplia a visibilidade dos trabalhos da Rede de
Proteção, por propagar as informações dos serviços realizados em Sinop.
“Movimentos como esse levam a
mensagem adiante, sensibilizam a população, e também fortalecem aquelas
mulheres que estão passando por situações de violência. Elas passam a se sentir
mais encorajadas a fazer a denúncia, sabendo que existe uma rede de apoio forte
e articulada para acolhê-las”, declarou a diretora do Fórum de Sinop e titular
da Vara Especializada da Infância e Juventude, a juíza Melissa de Lima Araújo.
O fortalecimento da Rede de
Proteção de Sinop reflete no quadro de denúncias e concessões de medidas na
cidade.
“Mas isso não é negativo. Ao
contrário: mostra que as mulheres estão buscando ajuda, que elas estão
acessando os serviços e se sentindo encorajadas a denunciar. As ações contínuas
da Rede, como blitz educativas, palestras em escolas e empresas, contribuem
para isso. Elas levam a informação até a população e mostram que existe um
serviço de apoio, que existe uma Rede estruturada pronta para acolher. A
informação está chegando onde precisa chegar”, garante a coordenadora da Rede
de Proteção de Sinop, Eliane dos Santos.
Celebração
O casal Cristina Ribeiro da
Cruz e Fernando Sembranell estavam entre os 600 participantes da “2ª Corrida
Maria da Penha”. Esporte que os uniu há quase um ano. “Nos conhecemos em uma
maratona e desde então, não paramos de correr juntos”. Juntos percorreram os 5
km da prova que, para eles, representa união pela causa, mas também um ato de
amor e respeito.
Para Fernando, trazer a
conscientização por meio do esporte é incentivar as relações saudáveis. “Às
vezes, esse tema é até mal compreendido. Mas quando olhamos para a convivência
entre um casal, como a nossa, percebemos que é uma construção. É como na
corrida: às vezes, ela está na frente e eu dou apoio. Outras vezes, sou eu que
estou na frente e ela me apoia. Muitas vezes, estamos lado a lado. É sobre
equilíbrio, respeito, parceria”.
Já Cristina, uma maratonista
de longa distância, considera a modalidade uma atividade que exige respeito ao corpo
assim como deve ser com as mulheres. “A corrida nos conscientiza, nos ajuda a
buscar uma vida com mais qualidade e a refletir sobre nossas relações.
Participar de eventos assim nos motiva a ser melhores a cada dia, com mais
amor, mais carinho e mais respeito ao próximo”.
A “2ª Corrida Maria da Penha”
também atraiu o advogado Clayton Oliveira, que participou de sua segunda prova.
Ele reforçou a relevância de falar sobre o tema diariamente. “As mulheres
precisam, sim, de uma atenção especial, especialmente diante do número crescente
de casos de violência que a gente presencia. Eventos esportivos como esse
cumprem um papel fundamental ao incentivar as pessoas a praticarem atividade
física e, ao mesmo tempo, promoverem a conscientização sobre a proteção e o
respeito às mulheres”.
Após encerrar o circuito de 5
km em segundo lugar, Moisés Rodrigues Rezende, celebrou a conquista ao lado da
esposa e reforçou a mensagem de não violência contra a mulher.
“A mulher precisa ser
respeitada em todas as esferas. A relação entre homem e mulher deve ser baseada
em parceria. Ninguém é dono de ninguém. Se o relacionamento não deu certo, é
melhor se afastar com respeito do que tentar impor algo à força. A violência
nunca é o caminho”.
O atleta também lembrou que além da violência
física o homem precisa ter consciência de que há outras formas de violência. “E
não é só a violência física que machuca; a psicológica, as palavras, também
ferem. É preciso consciência. O homem, por ter mais força física, muitas vezes
acha que pode se impor, mas não pode usar essa força para oprimir ou agredir”.
Rede
presente!
A Sargento Cléa Costa
Monteiro, policial militar à frente da Patrulha Maria da Penha de Alta Floresta
e mais oito municípios, viajou mais de 300 km para participar da “2ª Corrida
Maria da Penha” e ampliar a voz de não violência contra às mulheres. “A nossa
atuação é focada na conscientização e no enfrentamento à violência contra a
mulher. Infelizmente, os números ainda são muito altos, tanto no município
quanto no estado, e por isso é tão necessário falar sobre o assunto, orientar e
acolher. Participar de eventos como este é uma forma de demonstrar apoio às
mulheres e reafirmar o nosso compromisso com a proteção de seus direitos”.
A “2ª Corrida Maria da Penha”
também inicia o mês Agosto Lilás de Sinop, período em que se reforçam os
trabalhos de conscientização para pôr fim à violência contra a mulher. Ao longo
do mês, a Rede promoverá várias ações com essa temática.
Arrecadação
Os valores arrecadados durante
a “2ª Corrida Maria da Penha” serão revertidos para a Rede de Sinop, que atende
entre 60 e 80 mulheres em situação de violência doméstica por mês. O objetivo
da arrecadação é atingir R$ 20 mil, que ficarão em caixa para o atendimento
direto e emergencial às mulheres atendidas pela Rede.
“Fizemos parceria com um
supermercado da cidade que integra a Rede. O valor será depositado diretamente
no supermercado, e a Rede terá cartões para uso específico: um na Rede e outro
com a Delegacia da Mulher”, explica a coordenadora da Rede, Eliane.
Com esses cartões serão feitos
atendimentos personalizados, conforme as necessidades de cada mulher. “Ao invés
de uma cesta padrão, poderemos comprar exatamente o que aquela mulher precisa
no momento: leite, fralda, mamadeira, frutas, bolachas”.
A juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, da Primeira Vara Criminal de Sinop e a vereadora Sandra Donato, presidente da Procuradoria da Mulher, também estiveram presentes no evento.
Priscilla Silva / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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