Cesima fortalece integração entre Esmagis-MT e Defensoria Pública na defesa ambiental
A criação do Centro de Estudos
Integrados em Meio Ambiente (Cesima), uma iniciativa capitaneada pela Escola
Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), representa um avanço
estratégico importante, pois promove a articulação entre instituições com
diferentes expertises para enfrentar desafios ambientais complexos.
A avaliação é da defensora
pública-geral de Mato Grosso, Luziane Castro, para quem a atuação colaborativa
permite não apenas compartilhar responsabilidades, “mas também otimizar
recursos, evitar duplicidade de esforços e garantir ações mais integradas,
especialmente na temática ambiental, que é tão importante para o nosso
estado.”
Em 5 de setembro, diversas instituições
de Mato Grosso aderiram à proposta feita pela Esmagis-MT e passaram a integrar
o Cesima, com o compromisso de atuação colaborativa e integrada entre todos os
parceiros. A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso foi uma delas, na
ocasião representada pelo diretor da Escola Superior da Defensoria Pública do
Estado de Mato Grosso, defensor Fernando Antunes Souhbia.
De acordo com Luziane Castro, como
integrante do novo centro de estudos, a Defensoria levará a visão da população
que sofre mais diretamente os efeitos das intempéries climáticas, garantindo
que comunidades vulneráveis tenham acesso efetivo à justiça ambiental. “Isso
inclui atuação preventiva, mediação de conflitos socioambientais e formulação
de políticas públicas, entre outras ações”, complementa.
Para ela, a integração entre a
Defensoria Pública e a Esmagis-MT potencializa a construção de políticas
públicas ambientais mais eficazes. De um lado, a Defensoria contribui trazendo
a realidade das comunidades vulneráveis e os desafios concretos de acesso à
justiça ambiental. Do outro, a Esmagis-MT atua como espaço de produção e
difusão de conhecimento jurídico e interdisciplinar. “Essa aproximação entre
prática e reflexão acadêmica permite formular propostas mais consistentes,
fundamentadas em evidências e voltadas para a efetividade dos direitos,
atingindo especialmente quem mais precisa de um serviço público mais eficaz: a
população vulnerável do nosso estado.”
A opinião é compartilhada pelo defensor
público Fernando Souhbia, que entende que a criação do Cesima representa um
avanço importante, pois fortalece a cooperação entre instituições do sistema de
justiça, órgãos ambientais e universidades, promovendo pesquisa, formação e
políticas conjuntas em defesa do meio ambiente.
“A Defensoria Pública pode colaborar de
forma estratégica e diferenciada em ações civis públicas ambientais,
assegurando a defesa dos interesses difusos e coletivos da população
vulnerável. Pode também promover a educação em direitos da população por meio
de ações de conscientização ambiental junto às comunidades, especialmente povos
indígenas, comunidades tradicionais, populações ribeirinhas e grupos em
situação de vulnerabilidade social”, avalia Souhbia.
Além disso, considerando a proposta
interinstitucional, o defensor entende que a instituição pode participar
ativamente de fóruns, seminários e comissões do centro de estudos, trazendo a
perspectiva do acesso à justiça como vetor da proteção ambiental. “Como
instituição vocacionada à garantia de direitos e busca de uma ordem jurídica
justa para a população vulnerável, a Defensoria Pública reconhece que
ambientalismo sem justiça social é jardinagem. Por isso, paralelamente à defesa
do meio ambiente, a meta da Defensoria nessa parceria é reforçar a promoção da
justiça social, a proteção das comunidades vulnerabilizadas e o combate ao
racismo ambiental, garantindo que a sustentabilidade seja construída com
equidade”, assevera.
Dentre os desafios em que a Defensoria
pode contribuir, Fernando Souhbia destacou o desmatamento e degradação
ambiental, por meio da produção de estudos e estratégias conjuntas; os
conflitos fundiários e socioambientais, especialmente aqueles que afetam povos
originários e comunidades tradicionais, propondo soluções jurídicas e
institucionais; a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos,
fundamentais para o equilíbrio ecológico do estado; e o racismo ambiental e
desigualdades socioambientais, fortalecendo políticas que garantam a inclusão e
a proteção de grupos historicamente marginalizados.
Abordagem interdisciplinar
Coordenadora do Cesima, a juíza
Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima destaca que o centro de
estudos nasce de uma visão estratégica e colaborativa idealizada pelo
desembargador Márcio Vidal, diretor-geral da Esmagis-MT, ainda em 2012. “A
pedido dele, atualizamos o projeto para a realidade atual, criando o Centro
Integrado de Estudos sobre Meio Ambiente da Escola da Magistratura, em parceria
com diversas instituições. A proposta é desenvolver uma abordagem
interdisciplinar e holística sobre as questões ambientais, justamente porque os
desafios são complexos e não têm soluções simples”, explica.
“O Poder Judiciário, por si só, tem
atuação limitada, especialmente porque costuma agir a partir das demandas que
chegam. Por isso, a criação de uma rede de cooperação é essencial. Ao reunir
atores como a Defensoria Pública, o Ministério Público, órgãos ambientais,
universidades e a sociedade civil, conseguimos potencializar as respostas
institucionais, tornando-as mais adequadas e eficazes diante de problemas como
a crise climática e a degradação ambiental”, complementa Henriqueta.
Segundo a magistrada, essas parcerias
ampliam as possibilidades de enfrentamento dos impactos ambientais. “Mesmo que
não seja possível solucionar todos os problemas, é possível ao menos
mitigá-los, minimizando os danos e promovendo ações mais integradas e
efetivas”.
Henriqueta destaca que, no âmbito do
Cesima, a Defensoria Pública assume posição de destaque como guardiã dos
direitos ambientais das populações mais vulneráveis. “Sua atuação transcende a
mera representação jurídica, configurando-se como verdadeiro instrumento de
justiça socioambiental. A instituição desempenha função multidimensional na
proteção do meio ambiente, articulando estratégias que abrangem desde a tutela
judicial coletiva até a promoção de políticas públicas inclusivas”,
avaliou.
Conforme a magistrada, por meio de uma abordagem
integrada, a Defensoria atua como ponte entre as comunidades afetadas pela
degradação ambiental e o sistema de justiça, assegurando que os mais
necessitados — historicamente os primeiros e mais severamente impactados pelos
danos ambientais — não sejam excluídos dos processos decisórios.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
esmagis@tjmt.jus.br
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