Coordenadoria da Mulher do TJMT promove ação educativa no Instituto dos Cegos de Mato Grosso
Na
manhã desta quinta-feira (11 de setembro), o Instituto dos Cegos do Estado de
Mato Grosso (Icemat), em Cuiabá, recebeu uma palestra organizada pela
Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar
do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-TJMT). O encontro reuniu alunos
e membros da instituição e fez parte de uma série de ações educativas
desenvolvidas pela Coordenadoria, que atua em diferentes espaços sociais com a
proposta de ampliar a conscientização sobre os impactos da violência de gênero
e a importância da prevenção.
Fundado
há mais de 40 anos, o Icemat tem como missão promover a inclusão e oferecer
melhores oportunidades de educação para pessoas com deficiência visual.
Atualmente, atende mais de 400 pessoas, entre elas 49 crianças. Além da área
educacional, o instituto também desenvolve atividades voltadas à assistência
social, esporte e lazer, iniciativas culturais e projetos de capacitação
profissional, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e da cidadania de
seus atendidos.
Durante
a atividade, a equipe multidisciplinar da Cemulher apresentou os principais
tipos de violência previstos em lei - física, psicológica, moral, patrimonial e
sexual, e destacou os mecanismos de proteção que podem ser acionados pelas
vítimas, com ênfase na Lei Maria da Penha, considerada um marco no
enfrentamento à violência doméstica no Brasil. Também foram repassadas
orientações sobre o funcionamento da rede de apoio, que inclui órgãos de
segurança, serviços de saúde, Defensoria Pública, Ministério Público e
entidades da sociedade civil.
Ao
comentar a importância da ação, a assessora técnica da Cemulher, Adriany
Carvalho, ressaltou que o tema da violência doméstica precisa ser debatido em
todos os espaços.
“Estamos
muito felizes com o convite para vir ao Instituto dos Cegos, porque sabemos que
a violência doméstica pode atingir qualquer pessoa, independentemente de classe
social ou condição. Trazer esse debate para mulheres, homens e adolescentes que
fazem parte do instituto é fundamental para fortalecer a prevenção. Nosso
objetivo é mostrar que a violência não se limita à agressão física, mas pode se
manifestar de várias formas, muitas vezes invisíveis. Também buscamos
apresentar os canais de denúncia e a rede de enfrentamento, para que todos
possam reconhecer, agir e apoiar quem esteja passando por essa situação”.
A
diretora pedagógica do Icemat, Délia Claudinete Schneider, destacou que a
parceria com a Cemulher fortalece o trabalho de empoderamento realizado pela
instituição.
“O
instituto sempre buscou desenvolver a autonomia e a confiança das mulheres, que
muitas vezes se sentem subordinadas e têm dificuldade de dizer ‘não’. Esse tipo
de palestra vem reforçar esse processo, mostrando que elas não estão sozinhas,
que contam com a Justiça e com políticas públicas voltadas para apoiá-las.
Sabemos que a violência não escolhe classe social e, em alguns casos, as
mulheres em maior vulnerabilidade conseguem falar mais, enquanto outras
permanecem em silêncio. Nosso papel é criar um espaço de confiança, para que
elas se sintam seguras, fortalecidas e prontas para tomar atitudes, sabendo que
o caminho é desafiador, mas que não precisam enfrentá-lo sozinhas”, afirmou
Délia Schneider.
Entre
os ouvintes da palestra, uma jovem* avaliou que o encontro trouxe aprendizados
que podem ser multiplicados em diferentes contextos. “Foi muito importante porque
nos orienta a entender e reconhecer a violência desde os primeiros sinais,
muitas vezes dentro do próprio lar. Acredito que todos nós podemos levar esse
conhecimento adiante e ajudar a combater os altos índices de violência em nosso
estado”.
Outra
participante* destacou que a palestra apresentou recursos de proteção que ela
desconhecia. “Muitas pessoas sofrem caladas. Hoje aprendi que existem
mecanismos de apoio, como aplicativos de segurança e benefícios sociais
voltados às mulheres com medidas protetivas. Essas informações fazem toda a
diferença, porque muitas vezes não sabemos que temos esses direitos”.
A
palestra trouxe ainda reflexões sobre os efeitos sociais e emocionais da
violência doméstica, mostrando como esse tipo de agressão ultrapassa os limites
da vida privada e impacta diretamente a coletividade. Ao contextualizar os
desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade, os
palestrantes reforçaram a necessidade de desconstruir padrões culturais que
perpetuam o machismo e a desigualdade de gênero.
Para
a Cemulher, levar esse debate a instituições como o Icemat representou um
avanço importante, já que possibilitou alcançar diferentes públicos e construir
um diálogo acessível, capaz de estimular mudanças de comportamento. A expectativa
é de que as informações transmitidas no encontro ultrapassem os muros da
instituição, sendo compartilhadas com familiares e comunidades, fortalecendo,
assim, a rede de conscientização e prevenção.
Criada
em 2012, a coordenadoria é vinculada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso e
tem como missão implementar políticas públicas de enfrentamento à violência
doméstica e familiar, apoiar as vítimas, difundir informações sobre seus
direitos e promover a responsabilização dos agressores. Ao realizar palestras em
escolas, universidades e organizações sociais, a Cemulher reafirma seu
compromisso de aproximar o Judiciário da sociedade e estimular mudanças
culturais essenciais para reduzir os índices de violência contra a mulher em
todo o estado.
*Os nomes das participantes não foram
divulgados para preservar suas identidades.
Flávia Borges / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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