Cemulher anuncia criação da 120ª rede de enfrentamento à violência contra a mulher durante reunião
A coordenadora da Coordenadoria
Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-TJMT), desembargadora Maria
Erotides Kneip, anunciou a criação de novas redes municipais de enfrentamento à
violência contra a mulher nos municípios de Arenápolis, Nova Brasilândia, Santo
Afonso e Paranatinga, chegando à marca de 120 redes ainda nesta semana.
O anúncio foi realizado durante a
primeira reunião da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher,
na manhã desta segunda-feira (4), no Palácio Paiaguás, juntamente com representantes
de dezenas de órgãos públicos e instituições que atuam no combate a esse tipo
de violência em Mato Grosso.
Para a desembargadora, a criação das
novas redes “significa que nós estamos
trabalhando para que a mulher tenha, verdadeiramente, quem a escute, quem leve
até as decisões tudo o que envolva a violação aos seus direitos humanos”.
O avanço da Cemulher
nessa frente de trabalho foi comemorada pela secretária-chefe
do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher do Governo
do Estado, delegada Mariell Antonini, que coordena a Rede Estadual de
Enfrentamento. “A gente sabe que o crime de violência contra a mulher
está acontecendo nos municípios. E quando nós temos redes de enfrentamento
locais, isso propicia este olhar entre as instituições para o aprimoramento dos
canais oficiais de atendimento à mulher. E este papel tem sido capitaneado pelo
Poder Judiciário ao longo do tempo, e agora, com essa atuação na Rede Estadual
de Enfrentamento, também traz uma força maior”, disse.
A reunião desta segunda-feira (4) marca
o início do trabalho integrado entre as instituições estaduais, após a
assinatura do Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher no
dia 17 de abril, que lançou, dentre diversas medidas, o Decreto nº 2.003/2026,
que institui a Rede Estadual de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher e as
Redes de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, ambas coordenadas pelo
Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero Contra a Mulher, do Governo do
Estado.
Entre os temas debatidos, também foram destaque a ampliação do monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica, o
desenvolvimento de políticas públicas
voltadas às mulheres indígenas, quilombolas e ciganas e o envolvimento de
universidades na elaboração de estudos que possam contribuir para a efetivação
das políticas públicas a curto, médio e longo prazos.
Para a desembargadora Maria Erotides
Kneip, a articulação da Rede permitirá estruturar
toda a política de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso. “O
alcance da Rede é maravilhoso! Hoje, foram discutidos direitos de mulheres
ciganas, de mulheres indígenas, de mulheres quilombolas. Então, tudo isso
precisa ser contemplado e eu penso que o Estado de Mato Grosso está no caminho
certo com o Gabinete da Mulher. O que a gente tem conseguido e o que se vai
conseguir com essa articulação, se Deus quiser, é algo que vai fazer muita
diferença com relação à igualdade de direitos da mulher”, avalia.
Para o juiz da 2ª
Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da
Capital, Marcos Terêncio, que também participou da reunião, a implementação da
Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher representa um avanço
na governança das políticas públicas. “Anteriormente, nós tínhamos a Câmara
Temática. Agora, foi expandido para ficar sob a égide do Gabinete de
Enfrentamento à Violência Doméstica. Dessa forma, permite um maior acesso de
todas as instituições, todos os entes para atuar, juntando esforços no
enfrentamento”.
Conforme previsto no Pacto Estadual pelo
Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e no programa Mato Grosso em Defesa
das Mulheres, o Judiciário estadual se comprometeu em ampliar os grupos
reflexivos voltados a homens autores de violência doméstica. Conforme o juiz
Marcos Terêncio, esse trabalho deve seguir a política judiciária nacional que
vem sendo delineada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Os
grupos reflexivos estão sendo foco não só no Estado de Mato Grosso, mas nacionalmente.
O CNJ fez um levantamento dos grupos reflexivos em todo o Brasil e vai passar a
atuar em três frentes: com o grupo reflexivo, primeiramente; depois vamos fazer
uma nova normatização dos grupos; e também serão fornecidas cartilhas para
tentar padronizar e encontrar a melhor experiência de todos para trocar as
informações e ideias do que está sendo feito no país com relação aos grupos reflexivos”,
informa.
Ainda
na reunião da Rede Estadual de Enfrentamento, os representantes do Judiciário destacaram
que Mato Grosso está entre as quatro unidades da federação que apreciam com
mais agilidade os pedidos de medida protetiva. Isso porque, enquanto a
legislação prevê o prazo de 48 horas para que o juiz analise o caso, em Mato
Grosso o prazo é cumprido pelos magistrados em menos de 24 horas. “Estamos trabalhando duro! Não é simples porque nós
estamos falando de média. Oitenta por cento das nossas medidas são apreciadas
na mesma data em que foram solicitadas, ou seja, num período inferior a 24
horas”, afirma o juiz Marcos Terêncio, que atribui essa agilidade à automatização
do serviço integrado com os órgãos que solicitam a medida.
“A
Polícia Civil encaminha para a gente e já cai direto na área de trabalho para
todos os magistrados. Todos estão comprometidos com isso. Não sai da unidade
sem checar se não chegou nenhuma medida. E o mais bacana: o aplicativo SOS
Mulher, quando é deferido, já é liberado de forma automatizada”.
Leia também:
Tribunal de Justiça
assina Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher
Com
desempenho exemplar, TJMT é destaque nacional na análise de medidas protetivas
de urgência
Celly Silva / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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