Curso de formação aborda judicialização da saúde e reforça atuação prática de magistrados
A formação dos novos juízes
e juízas de Mato Grosso ganhou um reforço prático nesta quarta-feira (06) com
uma aula voltada para a judicialização da saúde. Conduzido pelo
secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon
Alcântara Moreno Júnior, o encontro do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi)
de magistrados destacou a importância de decisões equilibradas, que considerem
tanto o direito à vida quanto a realidade do sistema público de saúde.
Durante a aula, os juízes
foram orientados a alinhar teoria e prática, levando em conta fatores como
orçamento público, evidências científicas e a estrutura disponível na rede de
saúde. “A ideia do Cofi sempre foi oportunizar aos novos magistrados o contato
com colegas mais experientes, para compartilhar situações do dia a dia, aliando
teoria e prática. Trouxemos elementos que possam ser utilizados no cotidiano,
principalmente em ações que envolvem a saúde pública”, explicou o juiz
Agamenon.
Formação
prática
O conteúdo também abordou a
evolução das estruturas de apoio no Estado, como o NAT-Jus, o Cejusc da Saúde e
o Núcleo 4.0, criados para qualificar decisões e dar mais agilidade às
demandas. A proposta é incentivar o diálogo institucional entre Judiciário e
gestores públicos, evitando medidas ineficazes, como bloqueios de recursos sem
planejamento.
“A saúde pública está entre
as áreas com maior volume de demandas no Judiciário. É fundamental que o
magistrado compreenda como funciona o sistema, conheça a realidade local e
saiba avaliar quando uma liminar é cabível”, reforçou o secretário-geral.
Para a juíza Ana Flávia
Martins François, da Primeira Vara de Juína, o aprendizado tem impacto direto
na atuação. “Está sendo de grande valia, principalmente para quem está
iniciando na carreira. Conhecer ferramentas como o Núcleo Digital 4.0 da Saúde
e o Cejusc contribui para dar mais efetividade às decisões judiciais”,
destacou.
Desafios
reais
A magistrada Ana Flávia também
relatou que já vivencia situações semelhantes na rotina forense, especialmente
em plantões judiciais. “Frequentemente surgem pedidos por leitos de UTI. Muitas
vezes, o Estado não consegue atender todas as demandas, o que exige soluções
mais rápidas e eficientes, como o encaminhamento para núcleos especializados”,
afirmou.
O juiz Felipe Barthón Lopez,
da comarca de Vila Rica, ressaltou o caráter prático da aula. “Foi muito
importante porque trouxe dicas aplicáveis ao dia a dia. Os novos magistrados
vão enfrentar diversos desafios, e esse tipo de orientação ajuda a preparar
para situações reais”, pontuou.
Embora ainda atue na área
criminal, ele reconhece a relevância do tema. “É importante estar preparado,
porque futuramente esses desafios certamente farão parte da atuação”,
completou.
O Curso Oficial de Formação Inicial de Juízes Substitutos (Cofi), iniciado em janeiro pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), é etapa obrigatória para o exercício da jurisdição. Com carga horária de 496 horas, a formação combina teoria e prática supervisionada, preparando os novos magistrados para uma atuação técnica, humanizada e alinhada às demandas da sociedade.
Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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