Emprega Lab é lançado em Mato Grosso com assinatura de pactos por trabalho e ressocialização
Mato Grosso deu
mais um passo na ampliação das políticas de ressocialização por meio do
trabalho com o lançamento oficial do Emprega Lab Mato Grosso, realizado nesta
terça-feira (19) no Auditório Desembargador Gervásio Leite, no Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT). A iniciativa une o Poder Judiciário, o Poder
Executivo, o setor produtivo e instituições nacionais para estruturar ações
permanentes de empregabilidade voltadas a pessoas privadas de liberdade e
egressas do sistema prisional, como parte da estratégia Pena Justa – Emprega.
O evento reuniu
representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Governo do Estado,
Ministério dos Transportes, empresários e órgãos ligados ao sistema penal para
estruturar os primeiros passos do programa no estado, escolhido como
território-piloto do Centro-Oeste. As primeiras vagas do programa estarão
vinculadas ao setor de transportes.
O presidente do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso, José Zuquim Nogueira destacou que a
iniciativa representa uma mudança de paradigma no sistema prisional.
“Hoje é um dia
lindo, em que damos as mãos para uma nova caminhada que, com toda certeza, será
exitosa e transformadora. Precisamos trabalhar para que realmente seja
resgatada não só a dignidade do ser humano, mas também a sua reinserção na
nossa sociedade. Não há segurança pública sem o processo de ressocialização”,
afirmou.
Trabalho e
educação como pilares
Supervisor do Grupo
de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo
(GMF/TJMT), o desembargador Orlando Perri reforçou que o trabalho e a educação
precisam estar no centro das políticas penais.
“Sem o trabalho
e sem a educação, nós não vamos conseguir a recuperação de ninguém que está
cumprindo a sua pena. O que nós pretendemos aqui é fazer com que pelo menos a
metade - esta é a meta do Conselho Nacional de Justiça no Pena Justa - das
pessoas que cumprem pena trabalhem”, declarou.
Representando o
CNJ, o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ
(DMF/CNJ), desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Luís
Geraldo Sant’Ana Lanfredi ressaltou que o Emprega Lab propõe uma política
pública de segurança baseada em oportunidades.
“Nós estamos envolvendo
segurança, segurança sem dar um tiro, segurança sem derramar uma gota de sangue,
no sentido de possibilitar que as pessoas realmente possam acreditar em dias
melhores”, afirmou, acrescentando que a iniciativa também combate preconceitos
históricos sobre a mão de obra prisional.
Mato Grosso
como referência nacional
Governador de
Mato Grosso, Otaviano Pivetta destacou que o trabalho é um dos instrumentos
mais eficientes para transformar a realidade do sistema penitenciário.
“Nós sabemos
que não é possível fazer segurança pública sem transformar os nossos centros de
detenção em lugares de ressocialização. Realmente, eu não vejo nada mais
eficiente do que o trabalho continuado para construir ou para que essas pessoas
possam reconstruir suas vidas”, disse.
Representante
do Ministério dos Transportes, Ricardo Luís Medeiros Meirelles afirmou que Mato
Grosso já se consolida como referência nacional no tema.
“Mato Grosso se
destaca como modelo para o país, e dessa forma toda a estrutura já implantada
permite que essa política pública se mostre eficiente, eficaz e com uma
capacidade bastante grande de reintegração social”, destacou.
O gerente de
programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques acredita que
as oportunidades de trabalho que passarão a ser ofertadas podem ser meios para
uma mudança no cenário da própria segurança pública.
“Oferecendo
trabalho, em condições dignas, a gente tem a possibilidade de começar a
transformar esse cenário da segurança pública e do ambiente prisional no
Brasil", assegurou.
Inclusão com
dignidade
A
procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho da 23ª Região, Thaylise
Campos Coleta de Souza Zaffani reforçou que o projeto também precisa garantir
condições dignas de trabalho.
“Nós estamos
procurando trabalho para essas pessoas, mas não qualquer trabalho. Estamos
procurando trabalho, mas um trabalho que seja digno. A inclusão produtiva
dessas pessoas exige responsabilidade, mas também exige coragem social”,
ratificou.
Representando a
concessionária Nova Rota do Oeste, Tharley Teixeira anunciou as primeiras
oportunidades disponibilizadas pela parceria.
“É o primeiro
degrau dessa longa caminhada. Nós estamos com 43 vagas, sendo 40 vagas
disponibilizadas pela nossa parceira, que trabalha nas frentes de manutenção da
rodovia, que é a SS Trevo, mais três vagas administrativas dentro da sede da
Nova Rota do Oeste em Cuiabá”, explicou.
Assinaturas
consolidam compromissos
Durante a
solenidade, foram assinados três documentos: o primeiro deles foi a Portaria
Conjunta que institui oficialmente o Emprega Lab Mato Grosso no âmbito do
Comitê Estadual de Políticas Penais; também foi assinada a Carta de Cuiabá,
pacto firmado entre instituições públicas e privadas para ampliar vagas e
fortalecer a inserção de mão de obra no setor de transportes; e o Termo de
Intermediação de Mão de Obra Remunerada.
Reeducandos
participaram da agenda
A programação
desta terça-feira também contou com a presença de 40 reeducandos que já atuam
em atividades laborais fora das unidades prisionais, por meio da Fundação Nova
Chance (Funac).
Também
participaram da solenidade o ouvidor-geral do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargador
Rodrigo Roberto Curvo; a desembargadora Clarice Claudino da Silva; a juíza
federal e coordenadora do eixo Trabalho e Renda do Grupo de Monitoramento e
Fiscalização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Maria Rosi Meira Borba;
o juiz coordenador do GMF/MT, Geraldo Fernandes Fidélis Neto; o presidente da
Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi; o secretário de Estado de
Justiça, Valter Furtado Filho; o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de
Freitas Teles; a juíza auxiliar da presidência do TRT-23, Leda Borges de Lima; e
representantes das empresas parceiras.
Sobre o
Emprega Lab
O Emprega Lab faz
parte da estratégia Pena Justa – Emprega e funcionará como uma instância
estadual de governança voltada à formulação de estratégias de empregabilidade
para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta
envolve a criação de oportunidades por meio do emprego formal,
empreendedorismo, cooperativismo e economia criativa.
Vitória Maria Sena / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
18/05/2026 16:31
Judiciário articula rede de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas
20/05/2026 10:41
Cases de concessionárias pautam tarde de debates sobre ressocialização e emprego











