Encontro técnico discute inteligência e combate ao crime na rota Mato Grosso – Rio de Janeiro
O
enfrentamento ao crime organizado sob a perspectiva interestadual e os desafios
da atuação institucional foram temas centrais do painel “A Rota Interestadual
do Crime: Conexão MT-RJ”, realizado nesta quinta-feira (28), durante o Encontro
Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”. O
evento é promovido em parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) e
o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), no auditório da Sede das
Promotorias de Justiça de Cuiabá.
A
exposição foi conduzida pelo delegado da Polícia Judiciária Civil do Rio de
Janeiro, Fabrício Oliveira Pereira, com debate coordenado pelo promotor de
Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino e presidência da promotora de
Justiça Alessandra Gonçalves da Silva Godoi.
Em sua
apresentação, o delegado trouxe um panorama crítico sobre os desafios
estruturais do combate ao crime organizado no Brasil, destacando que a atuação
policial, isoladamente, não é suficiente diante da complexidade do
cenário. “Não há segurança pública sem polícia. Mas os desafios que
enfrentamos hoje estão muito além do alcance da atuação policial isolada e
exigem respostas estruturais do Estado.”
Fabrício
Oliveira Pereira apontou a existência de um descompasso entre a legislação, a
aplicação das penas e a realidade do sistema penal. Ele destacou que, embora
haja previsões de punições severas, na prática, o cumprimento integral das
penas é raro, o que comprometeria a percepção de efetividade da justiça
criminal. O delegado também questionou políticas públicas que, segundo ele,
contribuem para o desencarceramento sem o devido enfrentamento das causas
estruturais da criminalidade organizada.
No
debate, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino contribuiu
com a contextualização da realidade mato-grossense, destacando a interiorização
do crime organizado e a conexão direta com facções de outros estados, como o
Rio de Janeiro.
Segundo
o promotor, investigações conduzidas a partir da apreensão de aparelhos
celulares permitiram desvendar a dinâmica interna dessas organizações,
incluindo a prática de filmagem de execuções como forma de intimidação e
demonstração de poder. “A violência praticada pelas facções não é apenas
consequência, mas um instrumento de poder, voltado à intimidação e ao
silenciamento social.”
Ao
encerrar o painel, a promotora de Justiça Alessandra Gonçalves da Silva Godoi
destacou a importância do debate e da integração entre instituições no
enfrentamento ao crime organizado. “Sem integração entre instituições e
sociedade, não será possível enfrentar um fenômeno que ultrapassa fronteiras
estaduais.”
A
promotora enfatizou que o desafio institucional inclui a busca por equilíbrio
entre rigor na aplicação da lei e respeito aos direitos humanos, especialmente
considerando a complexidade dos processos de ressocialização.
Encontro
Técnico - O Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal
e a Importância da Ressocialização” é realizado em parceria pelo Ministério
Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Estudos e
Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) e do Centro de Apoio Operacional (CAO) da
Execução Penal, e pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Escola
Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e do Núcleo de Cooperação
Judiciária (NCJud).
O evento segue
nesta sexta-feira (29), com a proposta de fortalecer o diálogo
interinstitucional e ampliar a discussão sobre estratégias de inteligência na
execução penal e políticas de ressocialização.
Com informações de Julia Munhoz/MPMT
Assessoria
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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