Capacitação reforça etapas para garantir remição da pena pela leitura
A
pedagoga Adelaide dos Santos Moraes, gerente do Núcleo de Educação no Sistema
Penitenciário (NESP/Sejus-MT), conduziu nesta quarta-feira (03) uma palestra
voltada às equipes das unidades penais de Mato Grosso sobre a implementação
correta do Projeto Remição pela Leitura. A atividade integra a capacitação
"Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena",
realizada de forma virtual por meio da plataforma Teams.
A
formação é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do
Sistema Carcerário e Socioeducativo do TJMT (GMF/TJMT), da Coordenadoria de
Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação (Coeja/Seduc-MT) e do
NESP/Sejus-MT. A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF/TJMT e
coordenador do Eixo Práticas Educativas, Pierro de Faria Mendes.
Durante
a palestra, Adelaide foi direta ao destacar quem deve ser o centro do projeto.
"A unidade prisional é a protagonista. Não só o gestor, não só a equipe de
educação, mas todos os atores que atuam ali dentro", afirmou. Segundo ela,
sem o engajamento da equipe operacional das unidades, não é possível movimentar
os custodiados para participar das ações educativas.
Nota
Técnica 72 como guia
A
gerente reforçou que a Nota Técnica nº 72 do Departamento Penitenciário
Nacional (Depen), em vigor desde 2021, deve ser referência obrigatória para
todos os envolvidos na iniciativa. "Ela tem que ser cartilha. Ela dá o
fluxo, passo a passo, para a nossa atuação, de modo a evitar falhas nas etapas
que possam prejudicar o direito à remição", explicou Adelaide.
O
projeto é sustentado por um conjunto normativo que inclui a Constituição
Federal, a Lei de Execução Penal, a Resolução CNJ nº 391/2021, a Instrução
Normativa nº 01/2023 do GMF/TJMT, a Portaria Conjunta nº 001/2026 Seduc/Sejus e
o Plano Pena Justa Nacional e Estadual.
Do
empréstimo do livro à homologação
O
processo de remição pela leitura segue oito etapas que precisam ser cumpridas
rigorosamente: empréstimo do livro, leitura da obra, entrega do relatório,
encaminhamento à Comissão de Validação, parecer da Comissão, elaboração da
lista de leitores aptos, encaminhamento ao juízo e, por fim, homologação da
remição.
Adelaide
alertou que falhas em qualquer uma dessas etapas podem gerar devolutivas
judiciais e prejudicar diretamente o direito do custodiado. "Quando a
unidade não atua, a gente tem problemas com acesso, com baixa participação, com
falhas documentais e confrontos judiciais", disse.
A
pedagoga também esclareceu um ponto frequentemente mal interpretado: o
relatório de leitura produzido pelo interno não deve ser tratado como prova
escolar. "A gente não vai corrigir ortografia nem transformar aquela
resenha em algo rígido. Ela é um instrumento de direito do interno",
pontuou.
Outros
pontos críticos abordados na capacitação incluem a necessidade de que a
Comissão de Validação esteja devidamente formalizada por uma portaria e ativa,
que os registros sejam mantidos atualizados e que a documentação esteja
completa antes do encaminhamento ao Judiciário. Atualmente, 41 pedagogos
cedidos pela Seduc atuam exclusivamente no projeto, um em cada unidade
prisional do estado.
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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