Experiência em Comodoro inspira debate sobre criação de banco de boas práticas na educação prisional
A
experiência desenvolvida na Cadeia Pública de Comodoro, apresentada durante a
III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena,
promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e Secretarias de
Estado de Educação e Justiça , despertou reflexões sobre a importância de
ampliar o compartilhamento de iniciativas exitosas entre as unidades prisionais
do estado.
Com
o tema “Letras que Libertam: Educação e Leitura no Sistema Prisional”, a
professora e facilitadora Luana Pâmela Cordeiro de Sousa Belmont apresentou na
tarde desta quarta-feira (3) os resultados do trabalho de alfabetização e
incentivo à leitura realizado junto às pessoas privadas de liberdade da unidade
de Comodoro, evidenciando o potencial transformador da educação no processo de
ressocialização.
Durante
sua exposição, a educadora relatou que decidiu atuar de forma mais intensiva na
alfabetização após constatar que alguns custodiados não sabiam sequer assinar o
próprio nome.
“Fiquei
incomodada com o fato de algumas pessoas não saberem nem assinar o nome. Muitas
vezes existe a ideia de que o sistema prisional não é um espaço para adquirir
conhecimento, mas encontrei pessoas com muita vontade de aprender. Elas queriam
escrever o próprio nome, os nomes dos filhos e participar dos projetos de
remição pela leitura”, contou.
Atualmente,
cerca de 120 pessoas privadas de liberdade participam das atividades de remição
pela leitura na unidade prisional. Paralelamente, dez estudantes integram as
turmas de alfabetização, organizadas de acordo com os diferentes níveis de
aprendizagem.
Segundo
a professora, o trabalho é desenvolvido com metodologias adaptadas à realidade
dos alunos e busca fortalecer não apenas a alfabetização, mas também a
autonomia e a autoestima dos participantes.
“Eu
sempre digo que é impossível alguém passar pelas aulas sem aprender pelo menos
o básico. Quero que saiam dali com condições de buscar uma oportunidade de
trabalho, conversar com os filhos e ter mais independência. Trabalhamos a
partir da realidade deles, do próprio nome, das experiências que carregam”,
explicou.
A
apresentação evidenciou o impacto positivo das ações educacionais desenvolvidas
dentro do sistema prisional e suscitou discussões entre os participantes sobre
a possibilidade de reunir experiências exitosas em um banco de boas práticas. A
iniciativa permitiria registrar, compartilhar e difundir projetos que vêm
apresentando resultados positivos em diferentes unidades prisionais de Mato
Grosso, fortalecendo as políticas de educação e ressocialização.
Para
Luana, independentemente do contexto em que esteja inserida, a educação
continua sendo uma das mais importantes ferramentas de transformação social.
“A
educação é um instrumento poderoso. Ela cria oportunidades, amplia horizontes e
permite que as pessoas construam novas perspectivas para suas vidas”, afirmou.
A
III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena é
realizada pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e
Socioeducativo (GMF) do TJMT, em parceria com a Coordenadoria de Educação de
Jovens e Adultos (Coeja) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e o
Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP) da Secretaria de Estado de
Justiça (Sejus-MT). O evento é coordenado pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT,
Pierro de Faria Mendes, responsável pelo Eixo Práticas Educativas.
Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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