Famílias garantem reconhecimento de paternidade durante Expedição Justiça Sem Fronteiras
Entre os diversos atendimentos
realizados pela segunda edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras, um serviço
teve significado especial para duas famílias atendidas pela iniciativa do Poder
Judiciário de Mato Grosso (TJMT): o reconhecimento de paternidade.
Uma das histórias é a do pequeno
Isaac, de 4 anos. Os pais Francineide Javali e Guilherme de Paula aproveitaram
a passagem da expedição pela comunidade de Palmarito, em Vila Bela da
Santíssima Trindade (522 km de Cuiabá), para regularizar a situação do filho.
Segundo Francineide, a distância
até os centros urbanos e os custos com deslocamento dificultavam a realização
do procedimento. "A gente mora em outra comunidade e só tem moto. Seria
muito difícil levar uma criança para resolver isso na cidade, além dos gastos
com transporte, alimentação e outras despesas. Aqui conseguimos resolver tudo
de forma rápida", contou.
Ela explica que o reconhecimento
dependia da regularização dos documentos do pai da criança. Assim que a
situação foi resolvida, a família aproveitou a passagem da expedição para
concluir o processo. "Fomos muito bem atendidos e conseguimos resolver
tudo rapidamente. Para nós foi uma grande facilidade", reforçou.
Para Guilherme, o atendimento
próximo de casa fez toda a diferença. "Se fosse para resolver na cidade
seria muito mais difícil e mais caro. Aqui foi mais fácil para nós e para o
nosso filho", disse.
Um sobrenome aguardado por 22
anos
Outra história marcada pelo
reconhecimento de paternidade foi a de Angélica Poiche Parabá, de 22
anos, moradora da comunidade Nova Fortuna.
Após mais de duas décadas, ela
conseguiu incluir oficialmente o nome do pai em sua certidão de nascimento.
Emocionada, Angélica contou que conviveu durante toda a vida com a ausência do
registro paterno, embora nunca tenha deixado de reconhecer o pai como parte de
sua história.
"Quando eu era criança,
algumas pessoas falavam que eu era uma menina sem pai. Mas dentro do meu
coração eu sempre tive meu pai. Hoje sou muito grata a Deus porque consegui
colocar o nome dele na minha certidão", afirmou.
Para ela, a conquista vai além da
questão documental. "É muito mais do que um sobrenome. Estou muito feliz
por tudo ter dado certo", acrescentou.
Expedição Justiça Sem
Fronteiras
Realizada pelo Poder Judiciário
de Mato Grosso, por meio da Justiça Comunitária, a Expedição Justiça Sem
Fronteiras leva serviços de cidadania, orientação jurídica, documentação e
acesso a direitos a comunidades localizadas na faixa de fronteira entre Brasil
e Bolívia.
Coordenador estadual da Justiça
Comunitária, o juiz José Antonio Bezerra Filho destaca que histórias como as de
Isaac e Angélica demonstram o alcance social da iniciativa. “Quando vemos
direitos sendo garantidos e situações sendo resolvidas, temos a certeza de que
todo esforço vale a pena. Quem participa da expedição sai renovado pela
experiência de poder contribuir com a vida das pessoas”, ressaltou.
Emily Magalhães / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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