Mais dignidade: Justiça sem Fronteiras garante atendimento a morador em Santa Clara
Uma busca que se arrastava há
mais de um ano foi resolvida em poucas horas durante a 2ª edição da Expedição
Justiça Sem Fronteiras, realizada no distrito de Santa Clara de Monte Cristo,
em Vila Bela da Santíssima Trindade.
Promovida por meio da Justiça
Comunitária do Poder Judiciário de Mato Grosso, a iniciativa leva serviços de
cidadania, saúde, orientação jurídica, educação e assistência social a
comunidades localizadas na faixa de fronteira entre o Brasil e a Bolívia. Em
Santa Clara de Monte Cristo, os atendimentos ocorrem até esta segunda-feira
(15), na Escola Municipal Ponta do Aterro.
Com atuação integrada do Poder
Judiciário Estadual, Justiça Federal, Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) e demais instituições parceiras, o morador Sebastian Costaleite Vaca, de
36 anos, teve garantidos direitos fundamentais que há anos eram aguardados pela
família.
Sebastian possui deficiência
física e intelectual e utiliza cadeira de rodas para se locomover. Desde o
falecimento da mãe, os cuidados com ele foram assumidos pela irmã, Lilia
Beatriz Costaleite Vaca, que enfrentava dificuldades para resolver questões burocráticas
relacionadas à vida do irmão.
A história começou na primeira
edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras, quando Lilia procurou atendimento
para corrigir um erro na documentação de Sebastian e também solicitar a
curatela. Neste ano, ela voltou à expedição para acompanhar o andamento da
aposentadoria do irmão, processo que já estava em tramitação, mas ainda sem
solução.
Além da regularização da
curatela, a família recebeu a confirmação de que Sebastian passará a receber o
Benefício de Prestação Continuada (BPC). Lilia também aproveitou a passagem da
expedição pela comunidade para providenciar o Cartão SUS e atualizar a carteira
de vacinação do irmão.
“Desde que minha mãe faleceu sou
eu quem cuido dele. Muitas vezes eu levava os documentos dele e pediam a
curatela para comprovar que sou responsável por ele. Sem esse documento eu não
conseguia resolver nada. Agora disseram que deu certo e vou receber a curatela.
Também deram andamento no benefício dele e falaram que agora vai dar certo,
graças a Deus”, contou.
Ela destaca que a presença da
Expedição na comunidade foi fundamental para que a situação fosse resolvida.
“Eu sou muito agradecida a Deus e a toda a equipe que veio aqui. Eu não tenho
como viajar com ele. Ele já é um homem grande e é muito difícil levá-lo para
outros lugares. Por isso, agradeço muito por essa expedição”, disse.
Solução construída em conjunto
Coordenador da Justiça
Comunitária, o juiz José Antonio Bezerra Filho afirmou que a história de
Sebastian representa o propósito da Expedição Justiça Sem Fronteiras. “O caso
dele nos acompanha desde a edição passada. Neste ano, com a união da Justiça
Federal, Justiça Estadual e demais instituições parceiras, conseguimos garantir
tanto a curatela, quanto o benefício assistencial. É um exemplo concreto de
como a integração entre os órgãos públicos pode transformar vidas”, destacou.
Segundo o magistrado, situações
como essa normalmente demandariam uma série de procedimentos e poderiam levar
meses ou até anos para serem concluídas. “Quando chegamos a essas localidades,
mostramos que é possível levar cidadania, inclusão e acesso à Justiça para quem
mais precisa. O Sebastian sai com seus direitos assegurados e com uma
perspectiva muito melhor para o futuro”, concluiu.
Técnico judiciário da Justiça
Federal de Mato Grosso, Romulo Medeiros explica que o caso exigiu articulação
entre diversas instituições para garantir uma solução rápida. “Conversamos com todas as instituições envolvidas
e conseguimos construir uma solução conjunta. O Judiciário adotou as
providências necessárias e conseguimos ingressar com o pedido na Justiça
Federal. A decisão favorável foi concedida ainda durante a expedição. Uma
situação que vinha sendo buscada há mais de um ano foi resolvida em cerca de
quatro horas”, detalhou.
Para Romulo, o caso demonstra a
importância de levar os serviços públicos até comunidades distantes dos grandes
centros. “Essa é a importância da Expedição Justiça Sem Fronteiras. Estamos
falando de uma região onde o acesso aos serviços é muito difícil. Quando todas
as instituições trabalham juntas, conseguimos oferecer respostas rápidas para
pessoas que muitas vezes permaneceriam invisíveis ao Estado”, ressaltou.
Próxima parada
A 2ª Expedição Justiça Sem
Fronteiras seguirá para o distrito de Vila Picada, em Porto Esperidião, última
etapa da edição 2026. Os atendimentos serão realizados nos dias 17 e 18 de
junho, na Escola Municipal Dona Lila Hill de Souza.
Emily Magalhães / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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