Tangará da Serra e Rio Branco participam de ações de conscientização na Semana da Entrega Voluntária
A Semana Estadual de Conscientização sobre a Entrega Voluntária segue mobilizando magistrados e servidores em diversas Comarcas de Mato Grosso. Em Tangará da Serra e Rio Branco, as ações incluíram capacitações de profissionais da rede de proteção à infância e juventude, entrevistas em veículos de comunicação e distribuição de materiais informativos para ampliar o conhecimento da população e dos profissionais sobre o direito da mulher de entregar voluntariamente o filho para adoção, antes ou após o nascimento, de forma sigilosa, segura e acompanhada pela Justiça da Infância e Juventude.
Na
Comarca de Tangará da Serra, a 2ª Vara Cível promoveu uma programação voltada à
capacitação da rede de proteção à infância e juventude. As atividades tiveram
início na segunda-feira (25), com palestras no plenário do Fórum da comarca,
reunindo servidores da assistência social e integrantes do Conselho Tutelar,
profissionais dos CRAS.
Ao
longo da semana a capacitação sobre entrega voluntária foi realizada com
médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e
recepcionistas das unidades de saúde. Até quinta-feira (28), 189 profissionais
haviam participado dos encontros. Nesta sexta-feira (29), ocorre o encerramento
da programação com a palestra voltada aos recepcionistas das unidades de saúde
do município. A expectativa é que mais de 200 profissionais tenham sido
capacitados durante a semana sobre o direito à entrega voluntária e os
procedimentos de acolhimento e encaminhamento à Vara da Infância e Juventude.
Segundo
a juíza da 2ª Vara Cível de Tangará da Serra, Raiza Vitória de Castro Rego
Bastos Gonzaga, os encontros revelaram a falta de conhecimento dos
profissionais sobre a existência da entrega voluntária.
“A
ausência dessa informação também impacta no encaminhamento de gestantes e
mulheres que desejam realizar a entrega voluntária, mas não sabem como
proceder. Por isso, a capacitação foi tão importante, porque além de apresentar
esse direito, também orientamos sobre o fluxo correto de encaminhamento à Vara
da Infância e Juventude”, pontuou.
A
magistrada complementou que a atuação desses profissionais, que muitas vezes
fazem o primeiro contato com as mulheres, é decisiva para o acolhimento
humanizado. “Agora eles estão capacitados não apenas para informar sobre a
entrega voluntária, mas também para acolher e encaminhar corretamente essas
mulheres, fortalecendo a rede de proteção à infância”, ressaltou Raiza Vitória.
Já
na Comarca de Rio Branco, a juíza da Vara Única, Luciana Sittinieri Leon
participou de entrevista na Rádio Livre FM 104,9 para orientar a população
sobre a entrega voluntária e esclarecer dúvidas sobre o procedimento. Durante a
conversa, a magistrada destacou que a campanha Entrega Legal busca divulgar um
direito assegurado por lei e proteger tanto a criança quanto a mulher.
“Nós
temos que conscientizar as pessoas sobre um direito que elas possuem. A
gestação nem sempre vai gerar uma mãe. E uma mãe nem sempre vai ser gerada após
uma gestação. Maternidade envolve não somente fatores biológicos, mas fatores
emotivos, sociais, afetivos e psicológicos”, afirmou.
A
juíza explicou que a entrega voluntária não se confunde com abandono. O
procedimento permite que a mulher seja acompanhada pela rede de proteção e pela
equipe técnica, com respeito à sua decisão e à sua história. “Nós falamos que é
um ato de amor. As pessoas não podem confundir a entrega legal com o abandono.
O abandono é você simplesmente ter um filho e não cuidar, não prover. Você
entregar o seu filho à adoção é um ato de proteção”, pontuou Luciana
Sittinieri.
Além
da entrevista, a equipe multidisciplinar do Fórum de Rio Branco realizou ações
junto aos órgãos da rede de proteção dos municípios de Rio Branco, Salto do Céu
e Lambari D’Oeste, reforçando informações sobre a campanha e distribuindo
materiais informativos.
Luciana ressaltou ainda que a capacitação contínua da rede é essencial para que o atendimento seja realizado sem preconceito, pressão ou julgamento. “A lei diz que você tem que agir de forma humanizada, sem preconceitos, sem constrangimentos. Inclusive, é sigiloso. Toda a rede deve respeitar esse sigilo”, explicou a magistrada.
Larissa Klein
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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