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 17/08/2026   12:26   

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Agosto Lilás, o silêncio que precisa ser quebrado

Há dores que não gritam. Elas se escondem atrás de portas fechadas, de sorrisos forçados e de frases, como "está tudo bem”. A violência doméstica é assim: silenciosa, disfarçada, e, por isso mesmo, uma das formas mais cruéis de violência que existem. Ela não deixa apenas marcas no corpo. Ela corrói a alma, mina a confiança e, muitas vezes, tira vidas antes que alguém perceba o tamanho do sofrimento.

Neste mês, celebramos o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A data foi escolhida em referência ao aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, um marco histórico na luta pela proteção da dignidade feminina no Brasil. Mas, nenhuma lei, por mais avançada que seja, é suficiente sozinha. É preciso que cada pessoa, em cada casa, em cada rua, entenda que esse enfrentamento começa no olhar atento ao próximo.

A violência contra a mulher não nasce do acaso. Ela é fruto do orgulho que insiste em dominar, do egoísmo que enxerga o outro como propriedade, e da ignorância que desconhece que amar é, antes de tudo, respeitar. É uma grave violação da Lei de Amor e da fraternidade que deveria unir todos os seres humanos. Quando um lar deixa de ser lugar de acolhimento e se transforma em palco de medo, algo essencial da nossa humanidade se perde.

A violência não mora apenas nos lares marcados pela pobreza material. Ela também se instala em casas fartas de bens e recursos, mas pobres de amor, de compreensão e de compaixão. Riqueza financeira nenhuma cobre a falta de respeito, e conforto material algum apaga a dor de quem vive sob ameaça dentro da própria casa. A pobreza que realmente destrói uma família é a do coração.
Muitas mulheres vivem anos calando o que sentem. Por vergonha, por medo, por dependência financeira, por acreditar que aquilo é passageiro, ou até por amor mal compreendido. E o silêncio, sozinho, não protege ninguém. Ele apenas adia a tragédia. É por isso que campanhas como o Agosto Lilás são tão necessárias: dão nome à dor, oferecem caminhos e, sobretudo, lembram que nenhuma mulher está sozinha.

Se você conhece alguém que vive esse pesadelo, não vire as costas. Um gesto de escuta pode ser o primeiro passo para salvar uma vida. Se você mesma vive essa realidade, saiba que existe rede de apoio, existe lei, existe gente disposta a ajudar. A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, funciona 24 horas por dia, todos os dias, para orientar e acolher.

Combater a violência doméstica é tarefa de todos nós, não apenas do Estado. É preciso educar as novas gerações para o respeito, cobrar políticas públicas eficazes e, principalmente, cultivar dentro de casa aquilo que deveria ser natural entre seres humanos: o amor verdadeiro, que não humilha, não fere e não subjuga.

Que o roxo do Agosto Lilás não seja apenas a cor de uma campanha, mas um lembrete permanente de que cada vida importa, cada dor merece ser ouvida e cada mulher merece viver livre do medo. A verdadeira transformação começa quando o silêncio dá lugar à coragem de falar, e o julgamento dá lugar ao acolhimento.

José Zuquim Nogueira

Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso

imprensa@tjmt.jus.br

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