Agosto Lilás: Poder Judiciário intensifica ações de enfrentamento à violência contra a mulher
Um
comentário que joga a autoestima pra baixo, um ciúme desenfreado, controle
sobre onde vai, com quem conversa, manipular ao ponto de alterar a percepção da
outra pessoa sobre os fatos, humilhação, constrangimento, expor a atual ou
ex-companheira para outras pessoas de maneira negativa. São todos exemplos de
como a violência contra a mulher se manifesta, muitas vezes, no detalhe, bem
antes de evoluir para casos concretos, como uma agressão física e até um
feminicídio.
Durante
o Agosto Lilás, mês de prevenção e do enfrentamento à violência doméstica e
familiar contra a mulher, o Poder Judiciário de Mato Grosso intensifica suas
ações nesse propósito.
Realizado
por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica
e Familiar (Cemulher-MT), o projeto Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas
já conta com 17 palestras confirmadas em escolas estaduais de Cuiabá, Várzea
Grande e Acorizal, no Tribunal de Justiça, durante o lançamento da 2ª edição do
concurso “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”; no Hospital Amecor, além dos
atendimentos no Fórum de Cuiabá, durante a 33ª Semana Justiça Pela Paz em Casa.
A
Semana Justiça Pela Paz em Casa, por sua vez, é uma iniciativa do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais estaduais, que visa
agilizar processos que tramitam nas Varas Especializadas de Violência Doméstica
e Familiar contra a Mulher, em todas as comarcas, com o agendamento massivo de
audiências de instrução e julgamento, como forma de garantir a efetividade da
Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006).
Paralelamente
aos julgamentos dos processos, as mulheres atendidas serão contempladas com a
“Hora da Oportunidade”, um mutirão de serviços de cidadania, saúde e beleza, oferecidos
de forma totalmente gratuita pelos parceiros, no Fórum de Cuiabá, nos dias 19 e
20 de agosto, das 13h às 17h. A iniciativa é do Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes
e Atos Infracionais (CEAV) da Comarca de Cuiabá.
Pensado
pelo Poder Judiciário para oferecer às mulheres vítimas de violência domésticas
e seus filhos um atendimento humanizado e oportunidades de recomeço, o CEAV é
um espaço de acolhimento, existente nos Fóruns de Cuiabá e de Várzea Grande,
que conta com atendimento multidisciplinar com psicóloga e assistente social, encaminhamentos
para os serviços públicos necessários, sala de espera para vítimas, ambiente lúdico
para as crianças e orientações processuais.
Em
2025, o CEAV de Cuiabá realizou 2.532 atendimentos, sendo 1.459 somente de
janeiro a julho. De janeiro a julho deste ano, foram realizados 471
acolhimentos pela equipe multidisciplinar.
Capacitações
das redes de enfrentamento - Por meio de cursos, oficinas,
palestras, rodas de conversa e encontros interinstitucionais, a Cemulher capacita
profissionais de diferentes áreas - técnicos, gestores, representantes de
instituições públicas e privadas, além da sociedade civil organizada - para
qualificar o atendimento, ampliar a compreensão sobre as relações de gênero e
garantir maior efetividade na proteção dos direitos das mulheres.
Graças
à atuação da Cemulher, Mato Grosso já conta com 128 redes de enfrentamento à
violência contra a mulher instaladas nas comarcas da Capital e do interior do
estado. Essas redes são compostas por instituições públicas e privadas
diretamente ligadas ao atendimento de mulheres em situação de violência
doméstica, como unidades de saúde, educação, delegacias, CRAS e CREAS,
Defensoria Pública, Ministério Público, OAB, entre outros.
Espaço
Thays Machado – Voltado exclusivamente ao público interno do
Poder Judiciário de Mato Grosso, o Núcleo de Atendimento à
Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica "Espaço Thays
Machado" proporciona acolhimento, atendimento psicológico,
psiquiátrico, orientação e apoio jurídico necessário, visando superação da
situação de violência e contribuindo para o fortalecimento da mulher. Se
necessário, também são providenciadas medidas institucionais de segurança junto
à Coordenaria Militar do Tribunal de Justiça, para garantir a integridade
física da mulher atendida.
Os
serviços são destinados às magistradas, servidoras efetivas e comissionadas,
colaboradoras contratadas, credenciadas, terceirizadas e estagiárias, que atuam
no primeiro e segundo grau de jurisdição do Judiciário estadual.
A
equipe é composta somente por mulheres e o espaço físico é reservado para
manter a discrição, o sigilo e a privacidade. O atendimento ocorre tanto de
forma presencial quanto por videoconferência, visando contemplar as magistradas
e servidoras do interior.
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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