Arborização urbana é apontada como estratégia de saúde e segurança climática nas cidades
Em
meio ao avanço das ondas de calor e à expansão das áreas de concreto e asfalto,
uma solução pode estar literalmente acima das cabeças: as árvores. Mais do que
embelezar ruas e praças, a arborização urbana contribui para reduzir
temperaturas, melhorar a qualidade do ar, favorecer a saúde da população e
diminuir os impactos de eventos climáticos extremos. O tema foi destaque no
oitavo painel do segundo dia da 4ª Semana Nacional de Sustentabilidade – Região
Centro-Oeste e 11º Encontro de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso (TJMT).
Com
o tema “Microclima urbano, arborização e compensação ambiental”, o painel foi
conduzido pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, que defendeu uma mudança
na forma como as cidades brasileiras planejam, plantam e cuidam de suas
árvores. Segundo ele, o Brasil precisa deixar para trás uma arborização pensada
apenas pelo baixo custo de manutenção e passar a tratar o verde como uma
infraestrutura urbana essencial.
Cidades
mais quentes
Cardim
chamou a atenção para o chamado “apagão verde”, provocado pela substituição de
árvores de grande porte por espécies pequenas, pela retirada de árvores antigas
e pela falta de manutenção adequada. O resultado são cidades com grandes áreas
impermeabilizadas, pouca sombra e temperaturas mais elevadas. “A gente precisa
mudar da arborização urbana voltada para o baixo custo operacional para uma
arborização urbana climática, uma arborização urbana considerada infraestrutura
urbana essencial”, afirmou.
O
especialista destacou ainda que uma árvore adulta oferece benefícios que vão
muito além da sombra. A copa ajuda a regular o clima, reter parte da água das
chuvas, reduzir enxurradas, melhorar a qualidade do ar e contribuir para a
saúde física e mental da população. Em sua avaliação, investir na arborização
também significa investir em segurança diante das mudanças climáticas.
Para
Cardim, o planejamento deve priorizar espécies adequadas ao ambiente e,
especialmente, árvores nativas e de grande porte. Ele também defendeu mais
áreas permeáveis, jardins de chuva e alternativas como o plantio de árvores
entre vagas de estacionamento, criando corredores verdes sem prejudicar a
circulação de veículos ou pedestres.
Responsabilidade
compartilhada
O
palestrante também ressaltou a importância da educação ambiental e de uma
atuação mais técnica do poder público na arborização. Para ele, cuidar das
árvores exige acompanhamento periódico, escolha adequada das espécies,
qualidade das
mudas e podas de formação realizadas de maneira correta.
Cardim
elogiou a iniciativa do TJMT de promover o debate e destacou as ações de
arborização desenvolvidas pelo Tribunal. “O Poder Judiciário de Mato Grosso
está de parabéns pelo trabalho que vem fazendo em prol da arborização urbana,
de cidades mais verdes. Eu espero que esse exemplo replique para o país
inteiro. É urgente”, afirmou.
Verde
como qualidade de vida
O
desembargador Jones Gattass, que apresentou o palestrante durante o painel,
também destacou a importância de incorporar a sustentabilidade às decisões e
atitudes do cotidiano. Para ele, a retomada da arborização urbana não depende
apenas do poder público, mas também da participação da sociedade. “A questão do
verde, do quanto que a gente precisa retomar o verde na nossa cidade, é uma
postura não só do poder público, mas de cada um de nós individualmente”,
afirmou.
Jones
Gattass ressaltou ainda a importância de eventos como a Semana Nacional de
Sustentabilidade para ampliar o conhecimento e estimular mudanças de
comportamento. “A importância do evento é ímpar”, disse, ao destacar que
sustentabilidade envolve desde a economia de energia, papel e plástico até
escolhas que impactam diretamente a qualidade de vida nas cidades.
Para
Cardim, a transformação começa quando as cidades passam a enxergar a árvore não
como um obstáculo, mas como parte essencial de sua infraestrutura. “A gente tem
que investir dinheiro em arborização”, defendeu, ao alertar que economizar na
manutenção e na implantação de áreas verdes significa, na prática, economizar
justamente em segurança climática, saúde pública e equilíbrio ambiental.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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