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 28/08/2026   17:39   

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Arborização urbana é apontada como estratégia de saúde e segurança climática nas cidades

Em meio ao avanço das ondas de calor e à expansão das áreas de concreto e asfalto, uma solução pode estar literalmente acima das cabeças: as árvores. Mais do que embelezar ruas e praças, a arborização urbana contribui para reduzir temperaturas, melhorar a qualidade do ar, favorecer a saúde da população e diminuir os impactos de eventos climáticos extremos. O tema foi destaque no oitavo painel do segundo dia da 4ª Semana Nacional de Sustentabilidade – Região Centro-Oeste e 11º Encontro de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Homem de camisa branca discursa ao microfone em auditório decorado com plantas, onças e animais decorativos, telão ao fundo e plateia em primeiro plano.Com o tema “Microclima urbano, arborização e compensação ambiental”, o painel foi conduzido pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, que defendeu uma mudança na forma como as cidades brasileiras planejam, plantam e cuidam de suas árvores. Segundo ele, o Brasil precisa deixar para trás uma arborização pensada apenas pelo baixo custo de manutenção e passar a tratar o verde como uma infraestrutura urbana essencial.

Cidades mais quentes

Cardim chamou a atenção para o chamado “apagão verde”, provocado pela substituição de árvores de grande porte por espécies pequenas, pela retirada de árvores antigas e pela falta de manutenção adequada. O resultado são cidades com grandes áreas impermeabilizadas, pouca sombra e temperaturas mais elevadas. “A gente precisa mudar da arborização urbana voltada para o baixo custo operacional para uma arborização urbana climática, uma arborização urbana considerada infraestrutura urbana essencial”, afirmou.

O especialista destacou ainda que uma árvore adulta oferece benefícios que vão muito além da sombra. A copa ajuda a regular o clima, reter parte da água das chuvas, reduzir enxurradas, melhorar a qualidade do ar e contribuir para a saúde física e mental da população. Em sua avaliação, investir na arborização também significa investir em segurança diante das mudanças climáticas.

Para Cardim, o planejamento deve priorizar espécies adequadas ao ambiente e, especialmente, árvores nativas e de grande porte. Ele também defendeu mais áreas permeáveis, jardins de chuva e alternativas como o plantio de árvores entre vagas de estacionamento, criando corredores verdes sem prejudicar a circulação de veículos ou pedestres.

Responsabilidade compartilhada

O palestrante também ressaltou a importância da educação ambiental e de uma atuação mais técnica do poder público na arborização. Para ele, cuidar das árvores exige acompanhamento periódico, escolha adequada das espécies, qualidade dasHomem de cabelos grisalhos cacheados, camisa branca com óculos pendurados no colarinho, fala ao microfone diante da bandeira de Mato Grosso. mudas e podas de formação realizadas de maneira correta.

Cardim elogiou a iniciativa do TJMT de promover o debate e destacou as ações de arborização desenvolvidas pelo Tribunal. “O Poder Judiciário de Mato Grosso está de parabéns pelo trabalho que vem fazendo em prol da arborização urbana, de cidades mais verdes. Eu espero que esse exemplo replique para o país inteiro. É urgente”, afirmou.

Verde como qualidade de vida

Homem de cabelos grisalhos, terno azul-marinho e gravata, é entrevistado por microfone da TV Jus em ambiente com quadros e iluminação amarelada ao fundo.O desembargador Jones Gattass, que apresentou o palestrante durante o painel, também destacou a importância de incorporar a sustentabilidade às decisões e atitudes do cotidiano. Para ele, a retomada da arborização urbana não depende apenas do poder público, mas também da participação da sociedade. “A questão do verde, do quanto que a gente precisa retomar o verde na nossa cidade, é uma postura não só do poder público, mas de cada um de nós individualmente”, afirmou.

Jones Gattass ressaltou ainda a importância de eventos como a Semana Nacional de Sustentabilidade para ampliar o conhecimento e estimular mudanças de comportamento. “A importância do evento é ímpar”, disse, ao destacar que sustentabilidade envolve desde a economia de energia, papel e plástico até escolhas que impactam diretamente a qualidade de vida nas cidades.

Para Cardim, a transformação começa quando as cidades passam a enxergar a árvore não como um obstáculo, mas como parte essencial de sua infraestrutura. “A gente tem que investir dinheiro em arborização”, defendeu, ao alertar que economizar na manutenção e na implantação de áreas verdes significa, na prática, economizar justamente em segurança climática, saúde pública e equilíbrio ambiental.

 

Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br