Boas práticas mostram como sustentabilidade sai do papel no Judiciário
Sustentabilidade
não se faz apenas com grandes projetos. Pode começar pela redução de
impressões, pela retirada de uma lixeira debaixo da mesa, pela mobilização de
servidores ou até pelo destino dado à borra do café consumido diariamente.
Experiências que transformam pequenas mudanças de rotina em resultados
concretos foram apresentadas no sexto painel da 4ª Semana Nacional de
Sustentabilidade – Região Centro-Oeste e 11º Encontro de Sustentabilidade do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Com
o tema “Boas práticas em sustentabilidade no Judiciário: experiências, desafios
e soluções regionais”, o painel reuniu representantes do TJMT, Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que
compartilharam projetos voltados à redução do desperdício, gestão de resíduos,
engajamento dos servidores e uso mais consciente dos recursos.
Sustentabilidade
nas comarcas
O
assessor de Sustentabilidade do TJMT, Carlos Kreutz apresentou o projeto
PLScomarcas, criado para aproximar o Plano de Logística Sustentável da
realidade das unidades do interior. A iniciativa nasceu após uma pesquisa
identificar a
necessidade de ampliar o conhecimento de servidores e magistrados
sobre as metas e práticas de sustentabilidade. “Se eu não conheço as metas, se
eu não conheço as diretrizes, se eu não sei por que a sustentabilidade é
importante para o meu tribunal, para o CNJ e para a sociedade, eu não consigo
mudar a minha atuação”, afirmou.
O
projeto foi testado inicialmente em oito unidades e registrou resultados como a
redução de 25% das impressões e a devolução de cerca de 25% das impressoras
ociosas ou subutilizadas. Atualmente, a iniciativa avança pelas 79 comarcas de
Mato Grosso, com diagnóstico de indicadores, elaboração de planos de ação,
capacitação e monitoramento dos resultados. “A partir do momento que a gente
passou a olhar para os dados, a gente começou a ver resultados bastante
positivos”, destacou Kreutz.
Comunicação
e mudança de hábitos
Do
STJ, o chefe da Assessoria de Gestão Sustentável, Cristiano de Sousa Nascimento
apresentou o projeto “Lixo Certo Carbono Zero”, uma campanha que une
comunicação e gestão operacional para melhorar a separação dos resíduos e
contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Segundo
ele, a iniciativa surgiu da necessidade de reforçar as orientações sobre o
descarte correto, mas ganhou uma dimensão ainda maior ao ser incorporada à
estratégia de descarbonização do Tribunal. “A gente também conectou isso com o
nosso Plano de Descarbonização. Essa campanha ‘Lixo Certo, Carbono Zero’ virou
uma ação de descarbonização”, afirmou.
Cristiano
explicou que o descarte inadequado de resíduos tem impacto nas emissões
institucionais. “A gestão de resíduos chegou a ser a terceira maior fonte de
emissão de gases em 2023. Então, a gente conectou a necessidade de reforçar a
campanha com a redução de emissões”, destacou.
Para
ele, o desafio vai além de ensinar onde cada material deve ser descartado. “O
descarte é somente o início do processo. Todo resíduo continua produzindo
impactos”, ressaltou, ao defender a responsabilidade de cada pessoa em toda a
cadeia, desde a separação correta até o trabalho das cooperativas e a
destinação final.
A
campanha utilizou conteúdos digitais, vídeos e palestras presenciais nas
unidades. Uma das ações foi a retirada gradual das lixeiras individuais, para
fortalecer o uso dos pontos centralizados de coleta seletiva. Até o momento da
apresentação, 468 lixeiras haviam sido recolhidas em 29 unidades. “Você tem que
pensar nisso tudo para realmente ter a adesão efetiva do pessoal”, afirmou.
Uma
rede de multiplicadores
A
gestora do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, Jaqueline Schoffen falou sobre o
projeto “Agentes Sustentáveis”, integrado por servidores voluntários que atuam
como pontos focais da sustentabilidade nas comarcas e ajudam a transformar as
diretrizes institucionais em ações cotidianas.
A
iniciativa é especialmente importante diante das dimensões territoriais de Mato
Grosso. “No caso de Mato Grosso, temos 79 comarcas, distantes umas a 15
quilômetros, outras a mil quilômetros. Isso traz uma dificuldade de organizar
algumas ações”, explicou.
Hoje,
são 70 agentes em atuação, apoiando práticas relacionadas ao consumo de
energia, gestão de resíduos, campanhas de reciclagem, comunicação e
monitoramento de dados. Para Jaqueline, o diferencial está no sentimento de
pertencimento. “São nossos braços nas comarcas, nossas vozes nas unidades e o
elo que transforma o compromisso em ação”.
Café
que vira solução
Encerrando
as apresentações, o secretário do Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal de
Justiça de Goiás, José Neto Cassiano de Camargo mostrou como um resíduo
presente
diariamente na rotina de qualquer repartição pública pode ganhar uma
nova utilidade. O projeto “Borra de Café” destina o material para instituições
parceiras, onde é utilizado na produção de fertilizantes e de plantas
destinadas à fabricação de fitoterápicos.
O
diagnóstico realizado pelo Tribunal apontou que cerca de 46% dos resíduos
gerados na sede eram orgânicos. “Quando a gente fala de resíduos sólidos,
lembra muito do reciclado. E o orgânico, às vezes, acaba ficando em segundo
plano”, observou.
Desde
o início do projeto, em 2022, a quantidade de borra destinada corretamente
cresceu de duas toneladas por ano para 17 toneladas em 2025. Entre 2022 e 2025,
foram quase 24 toneladas de resíduos reaproveitados. A experiência também
reduziu gastos com a coleta de rejeitos e problemas de manutenção causados pelo
descarte da borra em pias. “A nossa proposta é levar isso também para as
comarcas do interior, para que possam buscar parceiros ou até fazer a
compostagem dentro das próprias unidades”, afirmou José Neto.
As
quatro experiências reforçaram a proposta central do encontro: aproximar a
sustentabilidade do cotidiano e mostrar que resultados institucionais dependem
do envolvimento coletivo. Ao levar as práticas para as comarcas, engajar
servidores, aperfeiçoar a comunicação e encontrar novos destinos para resíduos,
os projetos apresentados demonstram que mudanças locais podem gerar impactos
que alcançam todo o Judiciário e a sociedade.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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