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 28/08/2026   11:36   

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Boas práticas mostram como sustentabilidade sai do papel no Judiciário

Sustentabilidade não se faz apenas com grandes projetos. Pode começar pela redução de impressões, pela retirada de uma lixeira debaixo da mesa, pela mobilização de servidores ou até pelo destino dado à borra do café consumido diariamente. Experiências que transformam pequenas mudanças de rotina em resultados concretos foram apresentadas no sexto painel da 4ª Semana Nacional de Sustentabilidade – Região Centro-Oeste e 11º Encontro de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Com o tema “Boas práticas em sustentabilidade no Judiciário: experiências, desafios e soluções regionais”, o painel reuniu representantes do TJMT, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que compartilharam projetos voltados à redução do desperdício, gestão de resíduos, engajamento dos servidores e uso mais consciente dos recursos.

Sustentabilidade nas comarcas

O assessor de Sustentabilidade do TJMT, Carlos Kreutz apresentou o projeto PLScomarcas, criado para aproximar o Plano de Logística Sustentável da realidade das unidades do interior. A iniciativa nasceu após uma pesquisa identificar aHomem de cabelos grisalhos e barba, terno azul-marinho e camisa clara, discursa ao microfone com crachá institucional, bandeiras de MT e do Brasil ao fundo. necessidade de ampliar o conhecimento de servidores e magistrados sobre as metas e práticas de sustentabilidade. “Se eu não conheço as metas, se eu não conheço as diretrizes, se eu não sei por que a sustentabilidade é importante para o meu tribunal, para o CNJ e para a sociedade, eu não consigo mudar a minha atuação”, afirmou.

O projeto foi testado inicialmente em oito unidades e registrou resultados como a redução de 25% das impressões e a devolução de cerca de 25% das impressoras ociosas ou subutilizadas. Atualmente, a iniciativa avança pelas 79 comarcas de Mato Grosso, com diagnóstico de indicadores, elaboração de planos de ação, capacitação e monitoramento dos resultados. “A partir do momento que a gente passou a olhar para os dados, a gente começou a ver resultados bastante positivos”, destacou Kreutz.

Comunicação e mudança de hábitos

Homem careca, terno cinza-escuro e gravata clara, fala ao microfone com crachá pendurado, gesticula ao lado das bandeiras de MT, Brasil e do TJMT.Do STJ, o chefe da Assessoria de Gestão Sustentável, Cristiano de Sousa Nascimento apresentou o projeto “Lixo Certo Carbono Zero”, uma campanha que une comunicação e gestão operacional para melhorar a separação dos resíduos e contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo ele, a iniciativa surgiu da necessidade de reforçar as orientações sobre o descarte correto, mas ganhou uma dimensão ainda maior ao ser incorporada à estratégia de descarbonização do Tribunal. “A gente também conectou isso com o nosso Plano de Descarbonização. Essa campanha ‘Lixo Certo, Carbono Zero’ virou uma ação de descarbonização”, afirmou.

Cristiano explicou que o descarte inadequado de resíduos tem impacto nas emissões institucionais. “A gestão de resíduos chegou a ser a terceira maior fonte de emissão de gases em 2023. Então, a gente conectou a necessidade de reforçar a campanha com a redução de emissões”, destacou.

Para ele, o desafio vai além de ensinar onde cada material deve ser descartado. “O descarte é somente o início do processo. Todo resíduo continua produzindo impactos”, ressaltou, ao defender a responsabilidade de cada pessoa em toda a cadeia, desde a separação correta até o trabalho das cooperativas e a destinação final.

A campanha utilizou conteúdos digitais, vídeos e palestras presenciais nas unidades. Uma das ações foi a retirada gradual das lixeiras individuais, para fortalecer o uso dos pontos centralizados de coleta seletiva. Até o momento da apresentação, 468 lixeiras haviam sido recolhidas em 29 unidades. “Você tem que pensar nisso tudo para realmente ter a adesão efetiva do pessoal”, afirmou.

Uma rede de multiplicadores

A gestora do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, Jaqueline Schoffen falou sobre o projeto “Agentes Sustentáveis”, integrado por servidores voluntários que atuam como pontos focais da sustentabilidade nas comarcas e ajudam a transformar asMulher de cabelos loiros e longos, camisa branca e saia bordô, fala ao microfone junto ao púlpito, com crachá do Poder Judiciário de Mato Grosso. diretrizes institucionais em ações cotidianas.

A iniciativa é especialmente importante diante das dimensões territoriais de Mato Grosso. “No caso de Mato Grosso, temos 79 comarcas, distantes umas a 15 quilômetros, outras a mil quilômetros. Isso traz uma dificuldade de organizar algumas ações”, explicou.

Hoje, são 70 agentes em atuação, apoiando práticas relacionadas ao consumo de energia, gestão de resíduos, campanhas de reciclagem, comunicação e monitoramento de dados. Para Jaqueline, o diferencial está no sentimento de pertencimento. “São nossos braços nas comarcas, nossas vozes nas unidades e o elo que transforma o compromisso em ação”.

Café que vira solução

Encerrando as apresentações, o secretário do Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Goiás, José Neto Cassiano de Camargo mostrou como um resíduo presenteHomem de cabelos escuros e barba, blazer azul e calça bege, discursa ao microfone com crachá, bandeiras de MT, Brasil e do TJMT ao fundo. diariamente na rotina de qualquer repartição pública pode ganhar uma nova utilidade. O projeto “Borra de Café” destina o material para instituições parceiras, onde é utilizado na produção de fertilizantes e de plantas destinadas à fabricação de fitoterápicos.

O diagnóstico realizado pelo Tribunal apontou que cerca de 46% dos resíduos gerados na sede eram orgânicos. “Quando a gente fala de resíduos sólidos, lembra muito do reciclado. E o orgânico, às vezes, acaba ficando em segundo plano”, observou.

Desde o início do projeto, em 2022, a quantidade de borra destinada corretamente cresceu de duas toneladas por ano para 17 toneladas em 2025. Entre 2022 e 2025, foram quase 24 toneladas de resíduos reaproveitados. A experiência também reduziu gastos com a coleta de rejeitos e problemas de manutenção causados pelo descarte da borra em pias. “A nossa proposta é levar isso também para as comarcas do interior, para que possam buscar parceiros ou até fazer a compostagem dentro das próprias unidades”, afirmou José Neto.

As quatro experiências reforçaram a proposta central do encontro: aproximar a sustentabilidade do cotidiano e mostrar que resultados institucionais dependem do envolvimento coletivo. Ao levar as práticas para as comarcas, engajar servidores, aperfeiçoar a comunicação e encontrar novos destinos para resíduos, os projetos apresentados demonstram que mudanças locais podem gerar impactos que alcançam todo o Judiciário e a sociedade.

Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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