Espaço Acolher amplia atendimentos e ações de cuidado no Fórum de Cuiabá
O "Espaço Acolher" do Fórum da Comarca de Cuiabá teve ampliada a procura pelos serviços de acolhimento e apoio oferecidos a magistrados, servidores e demais integrantes da instituição. Entre junho e julho de 2026, os atendimentos individuais presenciais cresceram 125%, enquanto as interações pelo WhatsApp aumentaram 113% e as ligações de voz, 114%. Os números refletem a expansão das atividades do projeto, que começou de forma informal, a partir da necessidade de apoiar servidores em licença médica ou que enfrentavam dificuldades pessoais e profissionais, e foi gradualmente estruturado como uma iniciativa voltada à saúde mental, convivência, prevenção e integração no ambiente de trabalho.
A diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira explica que o Espaço Acolher nasceu sem a pretensão inicial de se tornar um setor formal. A iniciativa surgiu do esforço da equipe em acompanhar e reintegrar servidores e magistrados afastados por questões de saúde ou que passavam por situações pessoais delicadas.
Com o tempo, o atendimento foi ampliado para situações como perdas familiares, luto e crises no ambiente de trabalho. “E aí sentimos a necessidade de estruturar como um setor, para que pudéssemos efetivamente ter pessoas que pudessem auxiliar esses colegas que estavam em situação de necessidade”, explica Hanae.Oficialmente inaugurado em maio de 2026, o Espaço Acolher conta com uma gestora administrativa e uma psicóloga, que atuam em parceria com uma rede de apoio do setor do Ambulatório Médico e do setor Psicossocial. Todos os profissionais dedicados ao acolhimento, ampliando a atuação para além do atendimento individual e incorporando ações de prevenção, integração e pertencimento institucional.
Procura cresce em diferentes canais
Os dados de junho e julho mostram o aumento da utilização dos canais disponibilizados pelo Espaço Acolher. Em junho, foram registrados oito acolhimentos individuais presenciais. Em julho, foram 18, crescimento de 125%.
No WhatsApp, as mensagens respondidas passaram de 15 em junho, para 32 em julho, aumento de 113%. Já as ligações de voz atendidas subiram de sete para 15, crescimento de 114%.
O atendimento é realizado de forma multicanal, com acolhimento presencial, WhatsApp, ligações, videochamadas, visitas, acompanhamentos externos e ações coletivas.
Além dos atendimentos individuais, o projeto realizou cinco ações coletivas em junho e duas em julho. As atividades incluíram iniciativas de convivência, integração, prevenção e bem-estar, como o Café e Conexão, ações com estagiários, rodas de conversa e Círculos de Construção de Paz.Para a gestora do Espaço Acolher, Raquel Guimarães Farias, o crescimento da procura está relacionado ao conhecimento cada vez maior dos servidores sobre a proposta do projeto.
“Às vezes, a pessoa está necessitando de uma palavra, de atenção, de orientação ou de algum auxílio. Aqui, ela pode contar com a gente, sabendo que tudo o que tramita é sigiloso e confidencial, sem julgamentos. Tentamos auxiliar dentro das nossas possibilidades e, quando necessário, buscamos outros setores para compreender a situação e oferecer o suporte adequado”, explica.
Segundo Raquel, esse processo também contribui para que o servidor perceba que é cuidado e valorizado pela instituição. “Isso faz com que o servidor perceba que está sendo cuidado, que é importante para a instituição e não está esquecido. Esse sentimento de pertencimento institucional acaba ficando muito evidente”, afirma.
Readaptação no retorno ao trabalho
Entre os resultados buscados pelo Espaço Acolher está o apoio à readaptação funcional de servidores que precisam retornar ao trabalho respeitando suas condições de saúde.
A magistrada explica que o processo de acolhimento exige tempo para estabelecer uma relação de confiança. A readaptação representa uma forma de reinserção que pode envolver a mudança de setor ou função, adequação de horários e jornada e acompanhamento pela estrutura de saúde e bem-estar disponível no Fórum. “Não posso exigir dedicação ou cumprimento de meta se o servidor não estiver bem”, defende a magistrada.
O objetivo é possibilitar o retorno às atividades de maneira compatível com as condições do servidor, buscando recuperar gradualmente sua capacidade laboral e evitar que situações de adoecimento resultem em afastamentos prolongados.
Uma estatística difícil de medir
Para Hanae Yamamura, parte dos resultados do Espaço Acolher não aparece nos números oficiais. “A gente não consegue mensurar quantos servidores deixaram de entrar com uma licença médica, deixaram de pedir afastamento, deixaram de produzir porque estavam com algum problema em razão do nosso trabalho”, explica.
Segundo ela, um dos indicadores qualitativos desse resultado é observar servidores que retornam das licenças satisfeitos por estarem novamente no ambiente de trabalho, permanecem afastados apenas pelo período necessário e passam a utilizar os serviços disponíveis no Fórum, como o ambulatório, psicologia, assistência social, fisioterapia, odontologia, setores que atuam em parceria com o Acolher.
Atendimentos estruturam o projeto
Além da ampliação dos atendimentos, o bimestre foi marcado pelo desenvolvimento de mecanismos para organizar e integrar as ações do Espaço Acolher.
Um deles é o Protocolo Institucional para Atuação do Espaço Acolher em Situações de Luto, que estabelece diretrizes, responsabilidades e procedimentos para a atuação institucional diante dessas situações. O documento está em análise institucional.
Também está em desenvolvimento o Fluxo Integrado Acolher-Ambulatório, elaborado para articular o trabalho do Espaço Acolher com o Ambulatório Médico.
Prestação jurisdicional
Com a expansão dos atendimentos e a criação de protocolos e fluxos permanentes, o Espaço Acolher amplia sua atuação para além da resposta às demandas individuais. A proposta passa a envolver também prevenção, integração entre setores e criação de mecanismos permanentes de cuidado dentro do Poder Judiciário.
Para Hanae Yamamura, cuidar de quem trabalha na instituição também tem impacto na qualidade do serviço prestado à população.
“Nós somos setor público. Eu tenho um dever para com a sociedade. E essa resposta que damos à sociedade é através do nosso trabalho, da prestação jurisdicional com qualidade, cuidado, com atendimento, celeridade, técnica, mas com o ser humano atuando. A nossa resposta é que, ao final, o projeto Acolher vai atingir o objetivo do Poder Judiciário, que é a prestação jurisdicional com qualidade”, conclui.
Diariamente, trabalham no Fórum da Comarca de Cuiabá mais de mil e duzentas pessoas, entre magistrados, servidores, estagiários, integrantes do Corpo da Guarda e terceirizados.
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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