FestLabs Cuiabá debate futuro dos laboratórios de inovação, agentes de IA e gestão da inovação
A programação vespertina do primeiro dia do 6º FestLabs Cuiabá 2026, nesta quinta-feira (20), começou com uma diversidade de atividades que abordaram temas como o futuro dos laboratórios de inovação dos tribunais brasileiros, agentes de inteligência artificial e gestão da inovação.
Na
Arena da Inovação, o coordenador do LabLuz, laboratório de inovação do Tribunal
de Justiça do Ceará (TJCE), Welkey Costa abordou o tema “Identidade ou
Irrelevância: o futuro dos laboratórios da inovação” em sua palestra.
Ele
demonstrou como a inovação foi ganhando espaço em todas as esferas do setor
público e como essa “onda” foi acompanhada pela própria sociedade. “A inovação
virou moda”, disse, mostrando vários exemplos de anúncios publicitários que
incorporaram o termo “inovação” como chamariz. “Inovação entrou para o léxico
do marketing. Se você diz que tem inovação você vende mais”, apontou.
Diante
da banalização do termo inovação no campo da publicidade, o palestrante
questionou que inovação tem sido feita nos laboratórios de inovação dos
tribunais e abordou o papel dos laboratoristas, que é fundamentalmente
exploratório. “Enquanto inovador, meu papel é aprender. A gente tem um papel
que é exploratório. Falhar é o que nos diferencia”, pontuou.
Welkey
Costa ressaltou também a relevância dos dados para mensurar o resultado do
trabalho realizado nos laboratórios de inovação. “Quando você não tem dados,
você e o seu laboratório ficam à mercê da opinião de quem interage com ele. E
isso é muito frágil! É difícil de se sustentar. Mas com dados. não. Quando você
tem dados, as opiniões contam muito pouco. Quando você tem dados, a gente muda
o mundo porque eu consigo dizer: ‘o mundo era assim, a gente fez essa
intervenção e o mundo ficou assado’”, exemplificou.
O
palestrante defendeu que os laboratórios de inovação devem buscar a incerteza
institucional, formular hipóteses, testar, aprender, corrigir e formular novas
hipóteses, até que se condiga produzir conhecimento sobre determinada questão.
“O nosso papel é aprender o quanto antes porque quando a gente olha para as
instituições, elas são como grandes navios, um transatlântico cruzando um
oceano. Nós [laboratórios de inovação] somos como pequenos botes que navegam
coladinhos no transatlântico”, metaforizou, explicando que, ao invés de parar
todo o trajeto do “navio” durante uma jornada, o bote pode ir até “ilhas de
experimentos” para explorar novas hipóteses e voltar com respostas para
orientar esse navio, que é a instituição como um todo.
“Experimentar
é a nossa identidade. A experimentação nos tira da irrelevância. Esse é o
quadrado que nos cabe. Laboratórios de inovação nos tribunais existem há menos
de 10 anos e precisam se perpetuar”, complementou Costa.
Outro
ponto abordado na palestra foi o tempo de maturação dos processos de inovação
para alcançar os objetivos. “Não importa a velocidade. A gente sempre vai
chegar nessa virada de cultura, em que o tribunal percebe o que a inovação
faz”, concluiu Welkey Costa.
Para o
coordenador técnico do Laboratório Cajuína Lab, do Tribunal Regional Eleitoral
do Piauí (TRE-PI), Dimmy Magalhães, que participou da palestra sobre o futuro
dos laboratórios de inovação, o aprendizado que ficou foi de que o laboratório
de inovação é um setor que concorre com os outros setores dos tribunais. “Não é
para ser um laboratório que resolve tecnologia porque já tem o setor de
tecnologia. Não resolve comunicação porque já tem o setor de comunicação. Mas é
para pensar fora da caixinha para problemas que ainda não têm uma solução.
Então, os laboratórios devem se posicionar nesse quadrante de que a gente tem
que desenvolver soluções e encontrar problemas, encontrar soluções para além do
cotidiano. Isso para mim foi muito importante”, afirma Dimmy Magalhães.
O
participante também ressaltou a importância do 6º FestLabs Cuiabá. “Eventos
como esse juntam pessoas que pensam totalmente diferente e que buscam soluções
fora do tradicional. O evento está muito bem organizado, com palestras muito
boas. Então, é um ecossistema muito bacana para a gente compartilhar”, avalia.
Oficinas
Na
Sala de Construção, o consultor de inovação Álvaro Gregório conduziu a oficina
“Agentes de IA e Inovação", com a proposta de pensar em projetos de
inovação com uso de inteligência artificial.
Segundo
Álvaro Gregório, a oficina tem como objetivo treinar os participantes a
formularem perguntas que ainda não foram feitas e que podem atender às
necessidades dos tribunais. “A oficina sobre agentes de IA no serviço público é
para poder provocar, através de simulações e templates, uma organização dos
requisitos para se fazer agentes públicos de IA dentro do Poder Judiciário.
Então, é muito mais um exercício de fixação, através de artefatos, com o
autoquestionamento das condições que o Judiciário tem para desenvolver esses
agentes de IA”, explica.
Na
Sala de Descoberta, o especialista em Inovação André Tamura convidou os
participantes a pensar e debater sobre Gestão da Inovação, envolvendo seus
aspectos de estrutura, governança e facilitadores de processos. “Vamos falar
sobre estruturas, ou seja, modelos de trabalho. Vamos falar sobre a governança
desse sistema, como as coisas funcionam e, claro, sobre as pessoas que são as
facilitadoras da inovação. Então, em poucas horas aqui a gente vai passar
conceitos, reflexões e vamos, quem sabe, fazer algumas respostas. Os
participantes vão entregar um manifesto de inovação para orientar as decisões
da gestão”, adiantou André Tamura.
FestLabs
- é
o encontro nacional dos laboratórios de inovação do Poder Judiciário, reunindo
magistrados, servidores, pesquisadores e terceiros para discutir o futuro da
Justiça, apresentar projetos inovadores e se aprofundar em como tecnologia,
dados e inteligência artificial potencializam soluções de impacto para o
cidadão.
A sexta edição do evento, sediada em Cuiabá, é fruto de uma construção interinstitucional coordenada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23) e a Seção Judiciária Federal de Mato Grosso, contando com o apoio técnico e institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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Celly Silva / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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