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 20/08/2026   17:54   

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FestLabs Cuiabá debate futuro dos laboratórios de inovação, agentes de IA e gestão da inovação

A programação vespertina do primeiro dia do 6º FestLabs Cuiabá 2026, nesta quinta-feira (20), começou com uma diversidade de atividades que abordaram temas como o futuro dos laboratórios de inovação dos tribunais brasileiros, agentes de inteligência artificial e gestão da inovação. 

Na Arena da Inovação, o coordenador do LabLuz, laboratório de inovação do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Welkey Costa abordou o tema “Identidade ou Irrelevância: o futuro dos laboratórios da inovação” em sua palestra.

Ele demonstrou como a inovação foi ganhando espaço em todas as esferas do setor público e como essa “onda” foi acompanhada pela própria sociedade. “A inovação virou moda”, disse, mostrando vários exemplos de anúncios publicitários que incorporaram o termo “inovação” como chamariz. “Inovação entrou para o léxico do marketing. Se você diz que tem inovação você vende mais”, apontou.

Diante da banalização do termo inovação no campo da publicidade, o palestrante questionou que inovação tem sido feita nos laboratórios de inovação dos tribunais e abordou o papel dos laboratoristas, que é fundamentalmente exploratório. “Enquanto inovador, meu papel é aprender. A gente tem um papel que é exploratório. Falhar é o que nos diferencia”, pontuou.

Foto horizontal que mostra Welkey Costa da cintura pra cima, no palco do FestLabs, proferindo palestra. Ele é um homem de pele morena, cabelo castanho escuro, usando calça bege, camiseta branca e blazer cinza escuro.Welkey Costa ressaltou também a relevância dos dados para mensurar o resultado do trabalho realizado nos laboratórios de inovação. “Quando você não tem dados, você e o seu laboratório ficam à mercê da opinião de quem interage com ele. E isso é muito frágil! É difícil de se sustentar. Mas com dados. não. Quando você tem dados, as opiniões contam muito pouco. Quando você tem dados, a gente muda o mundo porque eu consigo dizer: ‘o mundo era assim, a gente fez essa intervenção e o mundo ficou assado’”, exemplificou.

O palestrante defendeu que os laboratórios de inovação devem buscar a incerteza institucional, formular hipóteses, testar, aprender, corrigir e formular novas hipóteses, até que se condiga produzir conhecimento sobre determinada questão. “O nosso papel é aprender o quanto antes porque quando a gente olha para as instituições, elas são como grandes navios, um transatlântico cruzando um oceano. Nós [laboratórios de inovação] somos como pequenos botes que navegam coladinhos no transatlântico”, metaforizou, explicando que, ao invés de parar todo o trajeto do “navio” durante uma jornada, o bote pode ir até “ilhas de experimentos” para explorar novas hipóteses e voltar com respostas para orientar esse navio, que é a instituição como um todo.

“Experimentar é a nossa identidade. A experimentação nos tira da irrelevância. Esse é o quadrado que nos cabe. Laboratórios de inovação nos tribunais existem há menos de 10 anos e precisam se perpetuar”, complementou Costa.

Outro ponto abordado na palestra foi o tempo de maturação dos processos de inovação para alcançar os objetivos. “Não importa a velocidade. A gente sempre vai chegar nessa virada de cultura, em que o tribunal percebe o que a inovação faz”, concluiu Welkey Costa.

Foto horizontal que mostra Dimmy Magalhães, participante do FestLabs Cuiabá, posando para a foto. Ele é um homem branco, de cabelo, olhos e barba castanho escuro, usando camisa preta, terno azul, óculos de grau e crachá do evento. Ao fundo, salão de eventos com palco iluminado em tons de azul e roxoPara o coordenador técnico do Laboratório Cajuína Lab, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Dimmy Magalhães, que participou da palestra sobre o futuro dos laboratórios de inovação, o aprendizado que ficou foi de que o laboratório de inovação é um setor que concorre com os outros setores dos tribunais. “Não é para ser um laboratório que resolve tecnologia porque já tem o setor de tecnologia. Não resolve comunicação porque já tem o setor de comunicação. Mas é para pensar fora da caixinha para problemas que ainda não têm uma solução. Então, os laboratórios devem se posicionar nesse quadrante de que a gente tem que desenvolver soluções e encontrar problemas, encontrar soluções para além do cotidiano. Isso para mim foi muito importante”, afirma Dimmy Magalhães.

O participante também ressaltou a importância do 6º FestLabs Cuiabá. “Eventos como esse juntam pessoas que pensam totalmente diferente e que buscam soluções fora do tradicional. O evento está muito bem organizado, com palestras muito boas. Então, é um ecossistema muito bacana para a gente compartilhar”, avalia.

 

Oficinas

Foto horizontal em plano aberto que mostra uma sala com dezenas de pessoas sentadas em mesas redondas. Um grupo em uma mesa aparece em primeiro plano. Ao centro da sala, está o professor Álvaro Gregório, em pé, falando ao microfone.Na Sala de Construção, o consultor de inovação Álvaro Gregório conduziu a oficina “Agentes de IA e Inovação", com a proposta de pensar em projetos de inovação com uso de inteligência artificial.

Segundo Álvaro Gregório, a oficina tem como objetivo treinar os participantes a formularem perguntas que ainda não foram feitas e que podem atender às necessidades dos tribunais. “A oficina sobre agentes de IA no serviço público é para poder provocar, através de simulações e templates, uma organização dos requisitos para se fazer agentes públicos de IA dentro do Poder Judiciário. Então, é muito mais um exercício de fixação, através de artefatos, com o autoquestionamento das condições que o Judiciário tem para desenvolver esses agentes de IA”, explica.

Foto horizontal em plano aberto que mostra uma grande sala com dezenas de pessoas sentadas em volta de mesas redondas, durante oficina no FestLabs Cuiabá. Á frente, em pé, de costas pra foto, está André Tamura conduzindo a atividade.Na Sala de Descoberta, o especialista em Inovação André Tamura convidou os participantes a pensar e debater sobre Gestão da Inovação, envolvendo seus aspectos de estrutura, governança e facilitadores de processos. “Vamos falar sobre estruturas, ou seja, modelos de trabalho. Vamos falar sobre a governança desse sistema, como as coisas funcionam e, claro, sobre as pessoas que são as facilitadoras da inovação. Então, em poucas horas aqui a gente vai passar conceitos, reflexões e vamos, quem sabe, fazer algumas respostas. Os participantes vão entregar um manifesto de inovação para orientar as decisões da gestão”, adiantou André Tamura.

FestLabs - é o encontro nacional dos laboratórios de inovação do Poder Judiciário, reunindo magistrados, servidores, pesquisadores e terceiros para discutir o futuro da Justiça, apresentar projetos inovadores e se aprofundar em como tecnologia, dados e inteligência artificial potencializam soluções de impacto para o cidadão.

A sexta edição do evento, sediada em Cuiabá, é fruto de uma construção interinstitucional coordenada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23) e a Seção Judiciária Federal de Mato Grosso, contando com o apoio técnico e institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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Celly Silva / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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