Gestão de resíduos, planejamento e indicadores ganham destaque em evento sediado pelo TJMT
Medir,
planejar e agir. A sequência pode parecer simples, mas representa parte
importante do caminho para transformar a sustentabilidade em uma prática
permanente dentro das instituições públicas. Na tarde desta quinta-feira (27),
especialistas discutiram essas etapas a partir de temas como gestão de
resíduos, governança, orçamento e indicadores estratégicos.
Os
temas ganharam destaque no primeiro dia da 4ª Semana Nacional de
Sustentabilidade do Poder Judiciário – Região Centro-Oeste e do 11º Encontro de
Sustentabilidade do TJMT, sediado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O
evento é organizado pelo Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, sob coordenação do
desembargador Rodrigo Roberto Curvo.
Dedicado
a debates sobre desafios e estratégias da agenda socioambiental, com destaque
para gestão de resíduos, Plano de Logística Sustentável (PLS) e
descarbonização, o evento reúne, nos dois dias, especialistas, autoridades,
magistrados e servidores.
Resíduos
e inclusão social
No
painel “A Gestão de Resíduos no Poder Judiciário”, a representante do Comitê
Nacional de Sustentabilidade do Poder Judiciário, Laíze Lantyer Luz chamou a
atenção para a dimensão social que existe por trás do descarte de resíduos.
Para ela, pensar a destinação dos resíduos também significa olhar para as
pessoas que trabalham diariamente com a reciclagem.
A
palestrante apresentou iniciativas e normativas que buscam ampliar a
participação de cooperativas e associações de catadores nas ações desenvolvidas
pelo sistema de Justiça. A proposta é criar oportunidades de inclusão
socioeconômica e tornar mais visível uma parcela da população que ainda
enfrenta situações de vulnerabilidade.
“Eu
acredito que o sistema de justiça como um todo tem o dever primordial de atuar
como exemplo e guia da sociedade de boas práticas e boas ações. É necessário
que os tribunais e o sistema de justiça, em sua totalidade, façam valer a
justiça propriamente dita. Nossa intenção é trazer essa sensibilização para que
esses seres humanos saiam dessa situação de invisibilidade”, comentou Laíze.
Do
indicador à ação
A
sustentabilidade também foi discutida a partir da necessidade de transformar
dados e intenções em decisões concretas. No painel “Do Indicador à Ação:
governança, orçamento e priorização da sustentabilidade nos tribunais”, Adriana
Tostes, gestora da Gestão e Parcerias Sustentáveis (GPS), destacou a
importância do planejamento para que o tema esteja presente de forma permanente
na gestão pública.
A
palestrante defendeu o uso estratégico do orçamento, das contratações e dos
indicadores para ampliar a inclusão social, reduzir impactos ambientais e
fortalecer a governança. Para ela, a sustentabilidade precisa deixar de ser
vista como uma iniciativa isolada e passar a fazer parte das escolhas feitas
diariamente pelas instituições.
“O
conceito do que é caro ou barato em sustentabilidade tem que levar em
consideração as externalidades, os riscos envolvidos e os impactos à sociedade.
Os impactos ambientais não param de crescer e vejo que nós estamos vivendo um
tempo em que a natureza não está mais escondendo os danos que ela vem sofrendo.
Então, o caro é esperar a dor para tratar ou mitigar de forma antecipada os
possíveis riscos?”, questionou a palestrante.
Medir
para transformar
Na mesma tarde, a diretora executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Gabriela Moreira Azevedo Soares, abordou o tema “Da Medição à Decisão: como transformar indicadores de sustentabilidade em gestão estratégica”. Ela mostrou que os indicadores ajudam o Poder Judiciário a compreender seus avanços e identificar os pontos que ainda precisam de atenção.
A
palestrante destacou que a sustentabilidade hoje envolve diferentes dimensões.
Além das ações ambientais, como reciclagem e redução do consumo de recursos, há
também a parte social, com olhar para acessibilidade, diversidade e inclusão
social, e ainda a aplicação jurisdicional, abrangendo a atividade fim do
Judiciário, que são os julgamentos de processos.
Bruno Vicente / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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