InovaTalks transforma FestLabs em vitrine nacional de soluções para a Justiça
Em
apenas 10 minutos, uma ideia pode cruzar o país. Pode sair de um tribunal,
despertar o interesse de outra instituição e se transformar em uma nova solução
para problemas que também existem do outro lado do Brasil. Foi com essa
proposta de compartilhar, inspirar e multiplicar boas práticas que o InovaTalks
reuniu, durante o 6º FestLabs Cuiabá 2026, experiências inovadoras
desenvolvidas por instituições do sistema de Justiça.
Realizado
nesta quinta e sexta-feira (20 e 21), o FestLabs Cuiabá reúne quase 600
integrantes do sistema de Justiça de todo o país. Com o tema “Justiça Híbrida:
Humanos, Dados e Inteligência Artificial”, o encontro nacional dos laboratórios
de inovação do Poder Judiciário conta com palestras, oficinas, talks,
exposições e premiações. Dentro da programação, o InovaTalks apresentou 15
projetos distribuídos por três eixos temáticos: Inteligência Artificial e
Transformação Digital, Experiências Transformadoras, e Gestão, Governança e
Ecossistemas de Inovação.
Vitrine
de ideias
O
assessor de Projetos de Inovação do Laboratório de Inovação do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso, Pablo Marques explicou que o espaço foi criado para
dar
visibilidade a iniciativas que estão em diferentes fases de desenvolvimento e
permitir que outras instituições conheçam e, eventualmente, adotem essas
soluções. “Existem vários projetos que são desenvolvidos nos tribunais, ideias,
projetos que estão em teste e projetos que já vão entrar em produção. Muita
gente não conhece esses projetos, então abrimos um espaço para que eles
fizessem “pitches”, ou seja, apresentações curtas de 10 minutos explicando o
que é o projeto”, afirmou.
Segundo
ele, a dinâmica funciona como uma vitrine de boas práticas. “É como se fosse um
estilo Shark Tank. O pessoal vai lá, vende sua ideia, e quem gostar entra em
contato. Depois, o tribunal ou órgão que achar interessante pode implementar a
solução também”.
As
apresentações foram organizadas simultaneamente em salas diferentes para
permitir que todos os projetos integrassem a programação. “Tentamos agrupar as
ideias dentro de contextos temáticos. A cada 10 minutos, um novo projeto é
apresentado”, explicou Pablo.
Inteligência
e transformação
No
eixo Inteligência Artificial e Transformação Digital, foram apresentadas seis
iniciativas. O Tribunal Superior do Trabalho levou o projeto Link e QR-Code em
Despachos Judiciais, apresentado por Nivaldo Doro Junior.
O
Tribunal de Justiça de Rondônia participou com o MatchJur – Inteligência
Artificial no Controle de Constitucionalidade, enquanto o Tribunal de Justiça
do Acre apresentou o Humanize IA: Inteligência Artificial para Apoio ao
Controle de Convencionalidade, por Bono Luy da Costa Maia.
Também
integraram o eixo Provas Digitais, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí,
apresentado por Dimmy Karson Soares Magalhães; a Automação dos Pagamentos da
Assistência Judiciária Gratuita (AJG), do Tribunal Regional Federal da 1ª
Região, apresentada por Adelson Torres; e o Guia Visual dos Locais de Votação,
do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, apresentado por Millon Cantuária
Romaguera.
Uma
das experiências apresentadas foi o MatchJur, sistema que utiliza inteligência
artificial para auxiliar no controle de ações diretas de constitucionalidade. A
secretária judiciária do Segundo Grau do TJRO, Daniella Marcondes Malavasi Faig
de Paula Lima explicou que a ferramenta realiza uma triagem das ações e
oferece
informações para apoiar o trabalho dos gabinetes. “A IA verifica os
precedentes, o objeto, as partes, vê a similaridade e a compatibilidade das
ações diretas que já foram interpostas e ainda emite relatórios de gestão para
o gabinete”, afirmou.
Segundo
ela, a solução concentra os dados necessários em um único ambiente. “Tudo fica
na mesma tela. O assessor não precisa sair do sistema, tem toda a informação
direta das ações que têm compatibilidade ou analogia com aquela que acabou de
chegar. Ele faz a validação das informações da IA e já trabalha diretamente,
garantindo a confiabilidade dos dados e a segurança jurídica”.
Tempo
otimizado
A
automação dos pagamentos de perícias da assistência judiciária gratuita,
desenvolvida pelo TRF1, foi outra solução compartilhada no InovaTalks. A
iniciativa reduziu significativamente o tempo gasto pelos servidores em uma
atividade, antes realizada de forma manual.
O
diretor do Núcleo de Programação Orçamentária do TRF1, Fábio Costa explicou que
a rotina exigia um trabalho repetitivo e demorado. “Essa rotina de pagamento é
muito complexa e demandava um trabalho manual. Encontramos uma forma de
encurtar isso. Hoje, subimos um pagamento de 500 peritos de uma vez só, algo
que era digitado manualmente durante uma semana e passou a ser feito em poucas
horas”.
A
intenção é compartilhar a solução com outras instituições. “Nós vamos
compartilhar a solução com todos”, afirmou Fábio, que classificou o FestLabs
como “excelente”, destacando a diversidade de ideias e a oportunidade de
aprender diante dos avanços tecnológicos.
O
diretor da Secretaria de Planejamento Orçamentário e Financeiro do TRF1,
Adelson Torres ressaltou os ganhos para a rotina de trabalho. “Um trabalho
manual, braçal, desgastante, que levava uma semana para ser realizado, hoje é
feito em apenas meio-dia ou, às vezes, em quatro horas”.
A
ferramenta já vem sendo utilizada por 14 unidades gestoras, segundo Adelson.
“Acredito que vai ser bem aceita, até porque nós já temos 14 unidades gestoras
utilizando e estão felizes da vida, satisfeitos. É qualidade de vida para os
nossos servidores”.
Experiências
que inspiram
No
eixo Experiências Transformadoras, quatro projetos foram compartilhados com os
participantes. O Conselho Nacional de Justiça apresentou o Projeto Espiral —
Saberes, Práticas e Inovação Judicial na Lusofonia, por Márcia Barbosa Bastos.
O
Tribunal de Justiça de Mato Grosso apresentou o OMNIA — Assessora Estratégica
de Produtividade Judicial, por Uiller del Prado, enquanto o Tribunal de Justiça
do Espírito Santo levou o LuzIA, apresentado por André Roepke. O Tribunal de
Justiça da Bahia completou o grupo com o TJBA ZELA, apresentado por Sara
Zilanne Souza dos Santos.
Inovação
colaborativa
Já
o eixo Gestão, Governança e Ecossistemas de Inovação reuniu seis experiências.
Entre elas, o Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para o
Poder Judiciário do Tocantins (LIIARES), apresentado por Vinicius Fernandes
Barboza, do Tribunal de Justiça do Tocantins e da Escola Superior da
Magistratura Tocantinense (ESMAT).
Também
foram apresentados Negociação Criativa: Canvas + Mini curso + Agente de IA, por
Ânderson Jônio Lopes Porto de Queiroz, do Superior Tribunal de Justiça; VARA
360º, por Ayrton Rodrigo de Freitas, do Tribunal de Justiça de Pernambuco;
CorDial – Corregedoria em Diálogo: tecendo redes & construindo pontes, por
Niriane Neumann, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; e o Projeto: Olhar
Paritário, por Claudia Afanio, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
O
Tribunal de Justiça de Roraima levou a experiência do 5º Prêmio de Inovação do
Poder Judiciário de Roraima, iniciativa baseada na inovação aberta e na
participação da sociedade e do público interno para encontrar soluções para
desafios institucionais.
A
gerente de projetos do TJRR, Rayandria Santiago, que participou da apresentação
da iniciativa, explicou que foram abertos editais para participantes internos e
externos. “Magistrados, servidores e estagiários podem participar, mas também
abrimos um edital externo para qualquer participante do país. A ideia é que
eles apresentem projetos relacionados às nossas dores institucionais e aos
problemas que o Tribunal de Justiça enfrenta”.
A
iniciativa já alcançou números acima das expectativas, com 128 equipes
inscritas e 383 participantes. “Agora estamos na fase de oficinas com essas
equipes. A gente quer trazer essa experiência e explicar como fizemos, como
estruturamos e como outros tribunais também podem fazer isso para resolver seus
próprios problemas”.
Segundo
Rayandria, o prêmio surgiu da necessidade de encontrar soluções mais alinhadas
aos desafios enfrentados pela instituição. “Antes, comprávamos muitas soluções
de prateleira de TI que não resolviam os nossos problemas. Então, resolvemos
cocriar Justiça, lançar esses desafios para a comunidade e para o nosso público
interno, para que criem soluções tecnológicas para a gente”.
Em
sua primeira participação no FestLabs, ela destacou a experiência proporcionada
pelo encontro. “Superou minhas expectativas. É o meu primeiro FestLabs da vida
e estou gostando muito. Está sendo uma experiência maravilhosa”, concluiu.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
20/08/2026 14:16
Justiça híbrida: FestLabs discute integração entre pessoas, dados e inteligência artificial
21/08/2026 14:58
Participantes do FestLabs aprimoram competências sobre laboratórios de inovação com oficinas
24/08/2026 12:32
Relacionamentos, propósito e bem-estar marcam encerramento do 6º FestLabs











