IntegridadeJus leva cultura ética para dentro das unidades judiciárias
Fazer
a coisa certa, independentemente de estar sendo observado. É com esse propósito
que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) desenvolve o IntegridadeJus,
oficina de integridade aplicada à unidade judiciária. Em entrevista ao podcast
Prosa Legal, o coordenador do Comitê Gestor de Integridade e Compliance do
TJMT, desembargador Jones Gattass Dias explicou como funciona a iniciativa e os
objetivos do projeto piloto.
O
IntegridadeJus já foi lançado e está em fase de teste na 3ª Vara Especializada
em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá. Para o desembargador, a proposta
representa uma forma de levar a cultura de integridade para mais perto do
cotidiano de magistrados, servidores e demais pessoas que se relacionam com o
Poder Judiciário.
Cultura
de integridade
Segundo
Jones Gattass Dias, o programa de integridade reúne normas, procedimentos e
mecanismos de prevenção, detecção, controle e remediação de práticas que possam
violar direitos e princípios ou comprometer a confiança, a credibilidade e a
imagem institucional. “Tudo que se relaciona a comportamento ético, conduta,
seja do magistrado, do servidor, seja daqueles que estão prestando serviço,
fornecendo produtos, deve ter nessa relação contratual uma postura de
integridade, uma postura íntegra. Esse é o nosso propósito”, afirmou o
desembargador.
Ele
destacou que a iniciativa busca disseminar a cultura de fazer o que é correto
no ambiente institucional. “Fazer a coisa correta, independentemente de ter
alguém nos olhando”, resumiu.
Ao
explicar a importância do programa, o magistrado ressaltou que a proposta
também está diretamente relacionada à forma como a sociedade percebe o Poder
Judiciário. “Nós queremos que a sociedade enxergue no Poder Judiciário uma
instituição séria, correta, em conformidade com as leis, cumprindo a
Constituição Federal”.
Para
Jones Gattass Dias, o programa tem um papel essencial na prevenção de práticas
irregulares, mas também contribui para que a instituição esteja preparada para
lidar com situações que possam ocorrer. “Devemos ter uma instituição forte para
saber lidar com as situações quando elas vierem a acontecer”, afirmou.
O
desembargador fez questão de esclarecer que o IntegridadeJus não tem caráter
fiscalizatório. “A natureza do programa é preventiva, educativa, antes de tudo,
organizacional e colaborativa. É muito distante disso, não tem nada a ver com
isso”, explicou ao se referir à ideia de que a iniciativa poderia representar
uma forma de fiscalização.
A
proposta, segundo ele, é fazer um diagnóstico e mapear as condutas no dia a dia
das unidades. “Será que nós atendemos corretamente o cidadão que nos procura?
Será que nós levamos adiante quando sabemos de alguma coisa irregular e que é
ilícita?”, questionou.
Envolvimento
de todos
Um
dos principais desafios, conforme o desembargador, será fazer com que a cultura
da integridade seja compreendida e incorporada por todos. “É o grande desafio
nosso, sem dúvida nenhuma: gerar, disseminar uma cultura institucional pela
integridade, para que todos nós abracemos a ideia”.
Nesse
processo, ele destacou a importância da comunicação, dos treinamentos e das
capacitações. O TJMT também trabalha na elaboração de um código de conduta, que
deverá orientar sobre os comportamentos esperados e aqueles que não devem ser
praticados no âmbito do Poder Judiciário.
O
projeto piloto desenvolvido na 3ª Vara Especializada em Direito Bancário já
despertou interesse de outros tribunais. “A ideia nossa é: está funcionando, a
gente vai fazendo os ajustes ali para depois passar para as outras
instituições”, disse Jones Gattass Dias.
Ao
encerrar a entrevista, o desembargador reforçou que o programa está apenas no
início de uma caminhada que deverá envolver magistrados, servidores,
fornecedores, prestadores de serviços, estagiários e jurisdicionados. “A gente
quer o envolvimento dessas pessoas todas no nosso programa de integridade, para
que todos se sintam em ambiente seguro, confiável, para que a nossa imagem
sempre seja a melhor possível”, concluiu.
Roberta Penha / Foto: Marcos Anzelhote
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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