Magistrados do TJMT participam de jornada que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha

Cinco magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT)
participaram, nos dias 27 e 28 de agosto, em Campo Grande (MS), da XX Jornada
Lei Maria da Penha, encontro nacional promovido pelo Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) que marcou as duas décadas de vigência da Lei nº 11.340/2006. A
programação reuniu integrantes do Sistema de Justiça, especialistas,
representantes do poder público, pesquisadores e organizações da sociedade
civil para discutir avanços, desafios e estratégias de prevenção e
enfrentamento à violência contra as mulheres.
Representaram o Judiciário mato-grossense as juízas Tatyana Lopes de
Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher de Cuiabá, e Helícia Vitti Lourenço, da 1ª Vara Especializada
da Capital; o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires, também da 2ª Vara
Especializada; além dos juízes Geraldo Fidelis, que atua no enfrentamento à violência
doméstica no âmbito dos Juizados Especiais, e Marcelo Sousa Melo Bento de
Resende, titular da 2ª Vara Criminal de Barra do Garças, com competência na
área.
Realizada anualmente desde 2007, a Jornada se consolidou como espaço de
articulação e troca de experiências para o aprimoramento da atuação do sistema
de Justiça. Nesta edição, o foco esteve nos 20 anos da Lei Maria da Penha e nos
desafios para transformar os direitos previstos na legislação em proteção
efetiva.
Entre os temas debatidos estiveram a capacidade protetiva do sistema de
Justiça, prevenção da violência, proteção integral, mudança da cultura
institucional, articulação entre Justiça e rede de proteção e o uso de dados
para orientar políticas públicas. O CNJ também apresentou, durante o encontro,
o Diagnóstico Nacional de Medidas Protetivas de Urgência no Contexto da Lei
Maria da Penha, que analisou os fluxos adotados pelos tribunais para receber,
analisar e encaminhar esses pedidos.
O diagnóstico apontou que 90% dos pedidos de medidas protetivas são
analisados pelo Judiciário em até 48 horas. Em 53% dos casos, a decisão ocorre
no mesmo dia do protocolo e, em 32%, em até um dia. Entre janeiro e maio deste
ano, foram registradas 452.050 decisões relacionadas a medidas protetivas. O
levantamento foi elaborado a partir de reuniões técnicas com os 26 Tribunais de
Justiça estaduais e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos
Territórios.
Mato Grosso no debate nacional
A participação dos magistrados mato-grossenses ocorre em um contexto de
atuação permanente do TJMT no enfrentamento à violência contra a mulher, com
iniciativas voltadas à prevenção, à capacitação e à articulação da rede de
proteção. Entre as ações desenvolvidas pelo Tribunal estão projetos de educação
para prevenção da violência e capacitações de profissionais que atuam na área.
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, a Jornada representa uma
oportunidade de compartilhar experiências e discutir caminhos para mudar a
cultura que sustenta a violência. “A Jornada Maria da Penha é um encontro
nacional muito importante porque nos permite compartilhar experiências,
conhecer boas práticas e construir, de forma conjunta, caminhos para aprimorar
a prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher”.
Ela explicou que no primeiro dia, além de ouvirem grandes debatedores,
participaram de oficinas de trabalho sobre diferentes temas, com a elaboração
de propostas concretas. “Eu participei da oficina de prevenção e educação e saí
muito entusiasmada, porque acredito que a transformação também passa pela
escola. Precisamos levar informação aos nossos alunos, trabalhar desde cedo o
respeito, a igualdade e a prevenção à violência. É por meio da educação que
conseguimos promover uma verdadeira mudança de cultura”.
A educação é uma das frentes de prevenção desenvolvidas pelo TJMT. Por
meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e
Familiar (Cemulher-MT), o Tribunal mantém iniciativas que levam informação e
conscientização ao ambiente escolar, entre elas os projetos Lei Maria da Penha
Vai às Escolas e A Escola Ensina, a Mulher Agradece.
A juíza Helícia Vitti Lourenço destacou a importância da cooperação
entre os tribunais para transformar experiências desenvolvidas localmente em
estratégias que possam ser adaptadas a outras realidades. “Quando os Tribunais
de Justiça se unem, deixam de enfrentar isoladamente um problema que é nacional
e passam a construir uma resposta institucional mais uniforme, eficiente e
protetiva. A troca de experiências permite identificar boas práticas,
aperfeiçoar fluxos, padronizar procedimentos e transformar iniciativas locais
bem-sucedidas em políticas que possam ser replicadas em todo o país.”
Segundo ela, a articulação também permite aprimorar a qualificação de
magistrados e equipes, o uso de dados, a integração da rede de proteção e o
acompanhamento da efetividade das medidas adotadas.
O juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende ressaltou que a troca de
experiências entre os tribunais permite identificar soluções que podem ser
adaptadas às diferentes realidades do país. “Quando tribunais se encontram, se
conversam, fazem com que nasçam oportunidades de perceber que estratégia
bem-sucedida em um ambiente, em um tribunal, com determinada realidade
geográfica e cultural também pode, obviamente fazendo as devidas adaptações,
ser implementado em outro estado. Os problemas são comuns. A união é
fundamental, o trabalho em rede é importante em todos os estados e só assim a
gente vai conseguir fazer um enfrentamento que todas as mulheres merecem.”
O juiz Marcos Terêncio destacou que a integração entre os diferentes
atores do Sistema de Justiça e o uso da tecnologia estiveram entre os
principais pontos discutidos durante a Jornada. “Ao longo destes dois dias,
participamos de painéis e oficinas. Destaco o consenso absoluto sobre a
necessidade urgente de integrar todos os atores do Sistema de Justiça, com
ênfase na atuação em rede. Além disso, ressalto a importância das iniciativas
tecnológicas voltadas à interoperabilidade de sistemas, ferramenta essencial
para desburocratizar e ampliar o acesso à proteção de mulheres e meninas em
situação de violência doméstica.”
Duas décadas de avanços e novos desafios
A XX Jornada também discutiu a necessidade de uma atuação permanente e
articulada diante das diferentes formas e contextos de violência contra meninas
e mulheres. Entre as iniciativas apresentadas pelo CNJ está a criação do Eixo
Permanente de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres no âmbito do
Observatório de Direitos Humanos do Poder Judiciário. A proposta busca dar
caráter permanente à atuação do Observatório na pauta de gênero e considerar as
diferentes vulnerabilidades existentes no país.
Outro destaque foi a articulação entre o sistema de Justiça e a rede de
proteção. Para o CNJ, esse é um dos principais desafios para que os direitos
previstos na Lei Maria da Penha se convertam em proteção efetiva às mulheres.
O encerramento da Jornada contou com a discussão e aprovação da Carta da XX Jornada Lei Maria da Penha, documento destinado a consolidar propostas e compromissos construídos durante os dois dias de debates e subsidiar o aprimoramento da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
Fotos: Tiago Machado / Divulgação TJMS
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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