Palestra orienta profissionais de saúde sobre identificação e acolhimento de vítimas de violência
O
ambiente hospitalar pode ser um dos primeiros lugares onde sinais de violência
contra a mulher são percebidos. Foi com esse olhar que a juíza Ana Graziela Vaz
de Campos Alves Corrêa ministrou a palestra “O Hospital como Espaço de
Identificação, Acolhimento e Proteção”. Realizada na sexta-feira (14), no
Hospital Amecor, em Cuiabá, a ação integra a programação do Agosto Lilás.
Promovido
pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e
Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT), o encontro reuniu
mais de 50 trabalhadores da unidade hospitalar. A proposta foi estimular uma
reflexão sobre como o atendimento pode ajudar a identificar situações de
violência e abrir caminhos para que a mulher receba proteção.
“Essa
palestra veio para abrir os nossos olhos sobre como receber a mulher, como
acolher sem julgamento e sem preconceitos, e como conduzi-la de forma adequada
ao lugar correto. Às vezes nós, como profissionais, também ficamos com medo de
denunciar. Mas aprendemos que podemos fazer isso sem nos expor, mas ajudando a
pessoa”, destacou a enfermeira Renaíza Brito.
Durante
a palestra, a juíza Ana Graziela destacou que a violência nem sempre chega ao
hospital de forma evidente. Muitas vezes, a mulher procura atendimento por
outros motivos e pode não revelar imediatamente o que está acontecendo. Por
isso, a atenção dos profissionais pode fazer diferença para reconhecer sinais e
oferecer ajuda.
A
abordagem também chamou atenção para a importância de um acolhimento cuidadoso.
Segundo ela, mais do que identificar uma possível situação de violência, é
necessário saber como conversar com a mulher, respeitar seu tempo e evitar
julgamentos, fazendo com que a escuta qualificada seja o primeiro passo para
que ela se sinta segura para buscar ajuda.
“Existe
uma lei sobre a notificação compulsória, que determina que o hospital tem que
acionar a polícia caso perceba que uma paciente mulher esteja sofrendo
violência doméstica. Então, foi uma oportunidade de explicar para esses
profissionais que atuam na ponta o que fazer, como acolher e encaminhar a
mulher para as autoridades competentes”, apontou a magistrada.
A
juíza ressaltou ainda que os profissionais precisam estar preparados para
reconhecer diferentes formas de violência, ampliando as possibilidades de
proteção. Além da agressão física, existem situações de violência psicológica,
sexual, patrimonial e moral.
“O
Tribunal de Justiça trabalha na capacitação e, com isso, conseguimos
sensibilizar as pessoas que estão na ponta, ajudando a atender melhor uma
mulher em situação de violência. Hoje, o juiz não apenas julga. Ele também
ajuda a divulgar as leis e fazer políticas públicas para não continuarmos, como
diz o linguajar popular, enxugando gelo”, completou Ana Graziela.
Para
os profissionais que participaram da atividade, a discussão também representou
uma oportunidade de olhar para situações que podem fazer parte da rotina de
atendimento. De acordo com a diretora do Hospital Amecor, Fernanda Teixeira, as
empresas também têm o papel de auxiliar na solução dos problemas sociais.
“Resolvemos
buscar o TJMT para realização dessa palestra devido à importância do tema.
Cerca de 50% das colaboradoras do hospital são mulheres, muitas das nossas
líderes são mulheres. E dentro do hospital é um lugar em que podemos
possibilitar uma conversa privada com a mulher que, às vezes, não tem a
liberdade para falar”, comentou a diretora.
Canais
de denúncia:
180
- Todo território nacional
181
- Estado de Mato Grosso
197
- Polícia Civil
190 - Polícia Militar
Bruno Vicente / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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