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 17/08/2026   14:55   

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Palestra orienta profissionais de saúde sobre identificação e acolhimento de vítimas de violência

O ambiente hospitalar pode ser um dos primeiros lugares onde sinais de violência contra a mulher são percebidos. Foi com esse olhar que a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa ministrou a palestra “O Hospital como Espaço de Identificação, Acolhimento e Proteção”. Realizada na sexta-feira (14), no Hospital Amecor, em Cuiabá, a ação integra a programação do Agosto Lilás.

Promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT), o encontro reuniu mais de 50 trabalhadores da unidade hospitalar. A proposta foi estimular uma reflexão sobre como o atendimento pode ajudar a identificar situações de violência e abrir caminhos para que a mulher receba proteção.

“Essa palestra veio para abrir os nossos olhos sobre como receber a mulher, como acolher sem julgamento e sem preconceitos, e como conduzi-la de forma adequada ao lugar correto. Às vezes nós, como profissionais, também ficamos com medo de denunciar. Mas aprendemos que podemos fazer isso sem nos expor, mas ajudando a pessoa”, destacou a enfermeira Renaíza Brito.

Durante a palestra, a juíza Ana Graziela destacou que a violência nem sempre chega ao hospital de forma evidente. Muitas vezes, a mulher procura atendimento por outros motivos e pode não revelar imediatamente o que está acontecendo. Por isso, a atenção dos profissionais pode fazer diferença para reconhecer sinais e oferecer ajuda.

A abordagem também chamou atenção para a importância de um acolhimento cuidadoso. Segundo ela, mais do que identificar uma possível situação de violência, é necessário saber como conversar com a mulher, respeitar seu tempo e evitar julgamentos, fazendo com que a escuta qualificada seja o primeiro passo para que ela se sinta segura para buscar ajuda.

“Existe uma lei sobre a notificação compulsória, que determina que o hospital tem que acionar a polícia caso perceba que uma paciente mulher esteja sofrendo violência doméstica. Então, foi uma oportunidade de explicar para esses profissionais que atuam na ponta o que fazer, como acolher e encaminhar a mulher para as autoridades competentes”, apontou a magistrada.

A juíza ressaltou ainda que os profissionais precisam estar preparados para reconhecer diferentes formas de violência, ampliando as possibilidades de proteção. Além da agressão física, existem situações de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral. 

“O Tribunal de Justiça trabalha na capacitação e, com isso, conseguimos sensibilizar as pessoas que estão na ponta, ajudando a atender melhor uma mulher em situação de violência. Hoje, o juiz não apenas julga. Ele também ajuda a divulgar as leis e fazer políticas públicas para não continuarmos, como diz o linguajar popular, enxugando gelo”, completou Ana Graziela.

Mulher de cabelos escuros e blazer roxo fala ao microfone da TV Jus em uma entrevista. Ao fundo, um banner em tom de rosa e um telão com texto desfocado.Para os profissionais que participaram da atividade, a discussão também representou uma oportunidade de olhar para situações que podem fazer parte da rotina de atendimento. De acordo com a diretora do Hospital Amecor, Fernanda Teixeira, as empresas também têm o papel de auxiliar na solução dos problemas sociais.

“Resolvemos buscar o TJMT para realização dessa palestra devido à importância do tema. Cerca de 50% das colaboradoras do hospital são mulheres, muitas das nossas líderes são mulheres. E dentro do hospital é um lugar em que podemos possibilitar uma conversa privada com a mulher que, às vezes, não tem a liberdade para falar”, comentou a diretora.

Canais de denúncia:   

180 - Todo território nacional

181 - Estado de Mato Grosso

197 - Polícia Civil

190 - Polícia Militar

Bruno Vicente / Foto: Josi Dias

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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