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 27/08/2026   15:19   

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Projeto aposta em linguagem jovem para prevenir violência contra as mulheres

Homem de camisa azul fala ao microfone durante palestra do projeto Boyzinho de Respeito, enquanto outro participante e uma mediadora acompanham no palco.Chegar aos jovens antes que comportamentos violentos e preconceituosos se consolidem na vida adulta. Essa é a proposta do Boyzinho de Respeito, curso que utiliza uma linguagem próxima do público jovem para abordar masculinidades, saúde mental, respeito e prevenção à violência contra as mulheres.

O tema foi destaque em entrevista recente ao podcast Prosa Legal, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com os criadores do projeto, João Paulo Malara, conhecido como JP, e Fernando dos Santos, o Nandão. Os dois estiveram em Cuiabá para participar de evento promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário de Mato Grosso (Cemulher).

Criado pela empresa New School, especializada em traduzir conteúdos considerados difíceis para uma linguagem acessível, o curso nasceu a partir da necessidade de atuar na prevenção. Segundo eles, a proposta é trabalhar o tema dentro das escolas para evitar que adolescentes absorvam padrões relacionados à masculinidade tóxica.

“A gente identificou justamente isso: se a gente trabalhar com adolescente, se a gente trabalhar na base, a gente evita que esse adolescente chegue adulto agressivo, um adulto preconceituoso”, afirmou Nandão, que também atua diretamente com jovens em escolas públicas e em sua comunidade, em São Paulo.

Para JP, atuar na prevenção é uma forma de promover uma mudança de mentalidade antes que comportamentos violentos se consolidem. “Mas e se a gente chegar na base, na prevenção, e conseguir tratar essas questões de forma muito humana e em uma linguagem acessível dentro das escolas? Assim, esses jovens podem deixar de absorver essa mentalidade enraizada da masculinidade tóxica e aprender sobre saúde mental, respeito e proteção às mulheres de uma forma muito mais adequada”, questionou.

JP explicou que o nome do projeto também busca se aproximar da forma como os jovens se comunicam. A expressão “boyzinho” foi escolhida por ter origem no dialeto utilizado em Pernambuco, onde o projeto nasceu.

De acordo com os entrevistados, cerca de 20 mil alunos no estado de Pernambuco já conheceram o Boyzinho de Respeito. O programa também firmou um acordo de cooperação técnica com a Secretaria de Estado e o Tribunal de Justiça de Pernambuco, prevendo sua distribuição em todo o estado pelos próximos 60 meses.

A metodologia utiliza histórias, testemunhos e situações próximas da realidade dos jovens. A intenção, segundo os criadores, é tornar a mensagem mais acessível e contribuir para a transformação de comportamentos e mentalidades. “Educação para a gente é algo muito caro. A gente valoriza muito. Então, o fato da gente estar correndo o Brasil inteiro oferecendo esse conteúdo pedagógico é justamente para que a gente consiga alcançar esses homens, essa masculinidade, para que a gente consiga diminuir esse índice de agressividade, de preconceito contra as mulheres”, destacou Nandão.

A intenção dos criadores é ampliar o alcance do projeto e levar o programa também para Mato Grosso, em parceria com instituições públicas.

Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br