Projeto aposta em linguagem jovem para prevenir violência contra as mulheres
Chegar
aos jovens antes que comportamentos violentos e preconceituosos se consolidem
na vida adulta. Essa é a proposta do Boyzinho de Respeito, curso que utiliza
uma linguagem próxima do público jovem para abordar masculinidades, saúde
mental, respeito e prevenção à violência contra as mulheres.
O
tema foi destaque em entrevista recente ao podcast Prosa Legal, do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), com os criadores do projeto, João Paulo Malara,
conhecido como JP, e Fernando dos Santos, o Nandão. Os dois estiveram em Cuiabá
para participar de evento promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em
Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário de Mato Grosso
(Cemulher).
Criado
pela empresa New School, especializada em traduzir conteúdos considerados
difíceis para uma linguagem acessível, o curso nasceu a partir da necessidade
de atuar na prevenção. Segundo eles, a proposta é trabalhar o tema dentro das
escolas para evitar que adolescentes absorvam padrões relacionados à
masculinidade tóxica.
“A
gente identificou justamente isso: se a gente trabalhar com adolescente, se a
gente trabalhar na base, a gente evita que esse adolescente chegue adulto
agressivo, um adulto preconceituoso”, afirmou Nandão, que também atua
diretamente com jovens em escolas públicas e em sua comunidade, em São Paulo.
Para JP, atuar na prevenção é uma forma de promover uma mudança de mentalidade antes que comportamentos violentos se consolidem. “Mas e se a gente chegar na base, na prevenção, e conseguir tratar essas questões de forma muito humana e em uma linguagem acessível dentro das escolas? Assim, esses jovens podem deixar de absorver essa mentalidade enraizada da masculinidade tóxica e aprender sobre saúde mental, respeito e proteção às mulheres de uma forma muito mais adequada”, questionou.
JP
explicou que o nome do projeto também busca se aproximar da forma como os
jovens se comunicam. A expressão “boyzinho” foi escolhida por ter origem no
dialeto utilizado em Pernambuco, onde o projeto nasceu.
De
acordo com os entrevistados, cerca de 20 mil alunos no estado de Pernambuco já
conheceram o Boyzinho de Respeito. O programa também firmou um acordo de
cooperação técnica com a Secretaria de Estado e o Tribunal de Justiça de
Pernambuco, prevendo sua distribuição em todo o estado pelos próximos 60 meses.
A
metodologia utiliza histórias, testemunhos e situações próximas da realidade
dos jovens. A intenção, segundo os criadores, é tornar a mensagem mais
acessível e contribuir para a transformação de comportamentos e mentalidades.
“Educação para a gente é algo muito caro. A gente valoriza muito. Então, o fato
da gente estar correndo o Brasil inteiro oferecendo esse conteúdo pedagógico é
justamente para que a gente consiga alcançar esses homens, essa masculinidade,
para que a gente consiga diminuir esse índice de agressividade, de preconceito
contra as mulheres”, destacou Nandão.
A
intenção dos criadores é ampliar o alcance do projeto e levar o programa também
para Mato Grosso, em parceria com instituições públicas.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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