Sistema de Justiça de MT se une para enfrentar golpes virtuais e lança campanha “Não Caia em Golpes”
A
informação pode ser uma das principais formas de proteção contra os golpes
virtuais. Com essa proposta, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e a
Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM) lançaram, nesta sexta-feira
(28), a campanha “Não Caia em Golpes”, voltada à prevenção de crimes que
utilizam a credibilidade do Sistema de Justiça para enganar a população.
A
iniciativa busca alertar sobre modalidades de estelionato digital, como os
golpes do falso juiz, falso advogado e falso servidor. Criminosos têm utilizado
informações públicas para criar abordagens cada vez mais sofisticadas, dando
aparência de credibilidade e gerando prejuízos à população e instituições
públicas.
Para
levar essas informações à população, a campanha contará com diferentes
ferramentas de comunicação. Uma cartilha digital explica como os criminosos
agem e apresenta sinais que podem ajudar a identificar as abordagens mais
comuns. A iniciativa também prevê conteúdos jornalísticos, publicações nas
redes sociais e outros instrumentos para ampliar o acesso à informação.
Confira
aqui a cartilha “Não Caia em Golpes” completa.
Representando
o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da
Presidência e secretária-geral do TJMT, Anna Paula Gomes de Freitas Sansão, destacou que os golpes ultrapassaram os limites de uma única instituição. Para
ela, quando criminosos utilizam nomes e informações de integrantes do Sistema
de Justiça, a credibilidade de todo o conjunto de instituições pode ser
afetada.
“Precisamos
unir forças porque esse problema ultrapassou as fronteiras institucionais. Por
isso, esse trabalho precisa ser perene, forte e atuante para que consigamos
informar toda a sociedade. Uma vez que a sociedade está informada a respeito
dos golpes, diminui-se o número de vítimas”, enfatizou a magistrada.
Atuação
integrada
O
trabalho será desenvolvido de forma integrada, reunindo instituições que fazem
parte do Sistema de Justiça e da Segurança Pública. Além do TJMT e da AMAM, a
campanha conta com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato
Grosso (OAB-MT), Defensoria Pública, Ministério Público, Polícia Judiciária
Civil e Polícia Militar.
A
presidente da AMAM e idealizadora da iniciativa, juíza Jaqueline Cherulli
explicou que a ideia da campanha surgiu após uma tentativa de golpe envolvendo
o nome de um falso juiz. A partir das mensagens recebidas e da necessidade de
esclarecer a população, surgiu a mobilização para transformar a informação em
uma ferramenta permanente de prevenção.
“O
engano é desfeito com informação e essa é a intenção da campanha. É uma
iniciativa preventiva e educativa, para que a sociedade deixe de ser vítima
desse tipo de golpe, que traz prejuízos para as pessoas. A cada dia o crime
elabora uma versão melhor. Por isso, a gente pensa, investe e agora dá os
primeiros passos na prevenção”, comentou a presidente da AMAM.
Números
atestam a necessidade
O
comandante-geral adjunto da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel André
Willian Dorileo apontou que dados de 2026 mostram a dimensão do desafio.
Segundo ele, de janeiro a julho, Mato Grosso registrou mais de 19 mil crimes de
estelionato, sendo que 62% ocorreram por meio eletrônico. Entre as ocorrências,
também foram contabilizados cerca de 3,4 mil registros relacionados ao golpe do
falso advogado.
“Isso
representa a migração dos crimes praticados por facções criminosas, da prática
de tráfico, de roubos e extorsões, para os crimes eletrônicos. A PM pode ajudar
também levando para os 142 municípios a conscientização, para que as pessoas
não caiam nesses golpes que causam perda da capacidade financeira,
desestruturam famílias e muitas vezes trazem descrédito às instituições”,
disse.
A
presidente da OAB-MT, Gisela Alves Cardoso ressaltou que os golpes se
transformam e passam a utilizar diferentes figuras do Sistema de Justiça para
conquistar a confiança das vítimas. A orientação, segundo ela, é não realizar
transferências ou pagamentos diante de pedidos suspeitos e buscar confirmação
diretamente com o profissional responsável ou as instituições competentes.
“Esse golpe se inicia em 2021, como o 'golpe do falso advogado', e vai mudando. Agora, surge o falso juiz, falso promotor, falso defensor, sempre com o objetivo de causar prejuízo aos cidadãos e a aqueles que têm algum processo judicial em trâmite. Então, a união das instituições para combater esses golpes é um movimento importantíssimo”, explicou a presidente da OAB-MT.
A
defensora pública-
geral, Luziane Castro, argumentou que as fraudes no ambiente
digital assumem diferentes formas e se tornam cada vez mais sofisticadas. Ainda
conforme ela, quando envolvem o uso indevido do nome, da imagem ou da função de
integrantes de instituições, há ainda um elemento especialmente
preocupante: a utilização da confiança que a população deposita no Sistema de
Justiça.
“Para
a Defensoria Pública, essa preocupação é muito concreta. Estamos diariamente
próximos de pessoas em situação de vulnerabilidade e sabemos que os impactos de
uma fraude podem ir muito além da perda financeira e agravar situações que já
são delicadas. Por isso, é importante ampliar a informação, fortalecer a
prevenção e garantir que quem tiver seus direitos atingidos saiba onde buscar
orientação e assistência", pontuou a defensora pública-geral, Luziane
Castro.
Bruno Vicente / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br











