Ir para o conteúdo principal
Selo de Transparência
Logo CNJ

 26/08/2026   11:41   

Compartilhe: 

Teoria ganha vida em visita de estudantes de Direito ao TJMT

O que antes era estudado em livros, códigos e salas de aula ganhou voz, movimento e decisões ao vivo nesta terça-feira (25). Cerca de 50 acadêmicos de Direito da Unic Beira Rio, do 7º ao 10º semestre, estiveram no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para conhecer de perto a rotina do Poder Judiciário e acompanhar uma sessão de julgamento.

Grupo de participantes reunidos no Memorial do Judiciário observa explicação de dois homens de terno, cercados por livros antigos, retratos na parede e mobiliário de madeira.A visita foi realizada pelo projeto Nosso Judiciário, que recebe alunos e professores de instituições de ensino na sede do Tribunal, em Cuiabá. Durante a programação, os estudantes acompanharam uma sessão de julgamento, conheceram as dependências do prédio e participaram de uma conversa com o juiz auxiliar da Vice-Presidência, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, no Espaço Memória. Ao final, também receberam exemplares do Glossário Jurídico, editado e publicado pelo TJMT.

Teoria na prática

Para o advogado e professor de Direito Civil Material e Processo Civil da Unic, Carlos Eduardo Guerra, a visita permitiu aos estudantes enxergar, na prática, conteúdos já trabalhadosHomem de óculos, barba e terno cinza, com crachá "PROFESSOR", fala em pé no Memorial do Judiciário, tendo o letreiro da instituição e livros antigos ao fundo. durante a graduação. “Para grande parte deles, eu lecionei Processo Civil e Recursos nos semestres anteriores. Hoje tivemos a oportunidade de estar aqui, em uma sessão da 2ª Câmara de Direito Público, e ver na prática tudo aquilo que falamos sobre processo nos tribunais e princípios recursais”, explicou.

Segundo o professor, a experiência também despertou questionamentos entre os estudantes, que aproveitaram a presença dos docentes para esclarecer dúvidas sobre situações observadas durante a sessão. “Eles viram, na prática, comportamentos dos magistrados e dos advogados que trazemos como exemplos em sala de aula. Isso é muito importante: trazer os acadêmicos para dentro do Tribunal, que é onde o sistema de Justiça se efetiva de forma plena”.

Mulher de cabelos castanhos, sorridente, veste camisa branca e calça verde, posa no Memorial do Judiciário de Mato Grosso, com estantes de livros antigos e máquina de escrever ao fundo.A acadêmica Mariana Braz de Albuquerque, do 8º semestre, também destacou a diferença entre estudar o Direito e vivenciar seu funcionamento no dia a dia. “Na faculdade, o Direito é muito teórico. A gente estuda, lê muito, mas quando vem aqui e vê o dia a dia, a organização, como eles trabalham e assiste a uma sessão de julgamento, é diferente, porque você vive aquilo. Você está presente e consegue entender melhor tudo”, relatou.

Diálogo com a magistratura

Depois da sessão, os acadêmicos foram recebidos pelo juiz auxiliar da Vice-Presidência, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, que compartilhou um pouco de sua trajetória e daHomem de terno azul-marinho e gravata listrada fala em pé, com bandeiras do Brasil e de Mato Grosso e o brasão do Judiciário ao fundo. experiência acumulada ao longo de 23 anos de magistratura.

Para o magistrado, o projeto representa uma oportunidade importante para que os estudantes, já próximos da conclusão do curso, tenham contato direto com o ambiente em que poderão construir suas futuras carreiras. “São alunos entre o 7º e o 10º semestre, que já estão se preparando para concluir o curso e decidir o que querem fazer da vida. Então, é um momento de eles terem essa prática, mas, principalmente, esse contato”, afirmou.

Gerardo destacou a aproximação proporcionada pelo projeto entre o Tribunal e os futuros profissionais do Direito. “É um projeto excepcional. Traz os alunos para dentro do Tribunal, eles acompanham a sessão de julgamento, conhecem o Tribunal e nós temos a oportunidade de expor um pouco da nossa vivência. Me parece um projeto muito relevante e vitorioso para o Estado de Mato Grosso”, ressaltou.

Novos desafios

Durante a conversa, o magistrado abordou temas relacionados à atuação dos futuros profissionais, como o sistema de precedentes e os recursos destinados aos tribunais superiores. Entre os assuntos, também chamou a atenção para a necessidade de os estudantes acompanharem as mudanças que impactam constantemente o Direito. “Eu completo agora este ano 23 anos de magistratura e são anos de estudo. O STJ de 2004 não é o mesmo STJ de 2026. Nós tivemos um avanço muito grande em relação, por exemplo, ao sistema de precedentes. A legislação se altera, então aquele que se dedica ao Direito tem que ter esse compromisso com o estudo”, afirmou.

A mensagem deixada pelo juiz aos estudantes foi de que a formação profissional não termina com a graduação. “Esse compromisso com o estudo é diário, é um compromisso que se renova todos os dias”, completou.

IA com responsabilidade

Outro tema levado à conversa foi o uso da inteligência artificial no Direito. O juiz Gerardo ressaltou que o avanço da tecnologia é uma realidade, mas defendeu que os futuros profissionais desenvolvam conhecimento suficiente para utilizar as ferramentas de forma crítica e responsável. “A IA veio para ficar. O avanço tecnológico é sempre inevitável. Mas precisamos saber fazer sem o uso da IA. Ela vai nos auxiliar, não pode jamais nos substituir”, afirmou.

Segundo o magistrado, conhecer a legislação, a jurisprudência e os precedentes é fundamental para que o profissional consiga validar as informações produzidas com o auxílio da tecnologia. “A responsabilidade é sempre humana. Nós humanos estamos trabalhando para outros seres humanos, então temos uma responsabilidade muito grande em relação a isso”, pontuou.

Homem de óculos, barba e terno azul-marinho, sorri durante evento no Memorial do Judiciário, com letreiro iluminado da instituição desfocado ao fundo.Para o estudante Lucas Brito Santana, também do 8º semestre, a orientação sobre o uso consciente da inteligência artificial foi um dos pontos marcantes da visita. “A gente tem que dosar um pouquinho a forma como utiliza a inteligência artificial. O ideal é utilizar ela, claro, com cautela, mas não para substituir realmente o nosso trabalho como futuro advogado”, avaliou.

Portas abertas

Além do aprendizado técnico, a visita aproximou os acadêmicos do espaço onde muitos deles pretendem atuar no futuro. Para Lucas, conhecer o Tribunal e acompanhar de perto a atuação de magistrados e advogados contribui para a formação e amplia a visão sobre as possibilidades da carreira jurídica.

“Foi bem interessante para o nosso aprendizado. Ver a forma que os advogados fazem as sustentações perante o Tribunal é uma experiência importante para todos nós”, afirmou.

O estudante, que pretende seguir a carreira da magistratura, destacou a oportunidade de se aproximar do Poder Judiciário. “É bem legal ver essa iniciativa do Poder Judiciário abrindo essa porta para que a gente possa se aproximar um pouquinho. Querendo ou não, é o nosso futuro. Se Deus quiser, estaremos aqui ocupando esses lugares futuramente”, disse.

Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br