Teoria ganha vida em visita de estudantes de Direito ao TJMT
O
que antes era estudado em livros, códigos e salas de aula ganhou voz, movimento
e decisões ao vivo nesta terça-feira (25). Cerca de 50 acadêmicos de Direito da
Unic Beira Rio, do 7º ao 10º semestre, estiveram no Tribunal de Justiça de Mato
Grosso (TJMT) para conhecer de perto a rotina do Poder Judiciário e acompanhar
uma sessão de julgamento.
A
visita foi realizada pelo projeto Nosso Judiciário, que recebe alunos e
professores de instituições de ensino na sede do Tribunal, em Cuiabá. Durante a
programação, os estudantes acompanharam uma sessão de julgamento, conheceram as
dependências do prédio e participaram de uma conversa com o juiz auxiliar da
Vice-Presidência, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, no Espaço Memória. Ao
final, também receberam exemplares do Glossário Jurídico, editado e publicado
pelo TJMT.
Teoria
na prática
Para
o advogado e professor de Direito Civil Material e Processo Civil da Unic,
Carlos Eduardo Guerra, a visita permitiu aos estudantes enxergar, na prática,
conteúdos já trabalhados
durante a graduação. “Para grande parte deles, eu
lecionei Processo Civil e Recursos nos semestres anteriores. Hoje tivemos a
oportunidade de estar aqui, em uma sessão da 2ª Câmara de Direito Público, e
ver na prática tudo aquilo que falamos sobre processo nos tribunais e
princípios recursais”, explicou.
Segundo
o professor, a experiência também despertou questionamentos entre os
estudantes, que aproveitaram a presença dos docentes para esclarecer dúvidas
sobre situações observadas durante a sessão. “Eles viram, na prática,
comportamentos dos magistrados e dos advogados que trazemos como exemplos em
sala de aula. Isso é muito importante: trazer os acadêmicos para dentro do
Tribunal, que é onde o sistema de Justiça se efetiva de forma plena”.
A
acadêmica Mariana Braz de Albuquerque, do 8º semestre, também destacou a
diferença entre estudar o Direito e vivenciar seu funcionamento no dia a dia.
“Na faculdade, o Direito é muito teórico. A gente estuda, lê muito, mas quando
vem aqui e vê o dia a dia, a organização, como eles trabalham e assiste a uma
sessão de julgamento, é diferente, porque você vive aquilo. Você está presente
e consegue entender melhor tudo”, relatou.
Diálogo
com a magistratura
Depois
da sessão, os acadêmicos foram recebidos pelo juiz auxiliar da
Vice-Presidência, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, que compartilhou um
pouco de sua trajetória e da
experiência acumulada ao longo de 23 anos de
magistratura.
Para
o magistrado, o projeto representa uma oportunidade importante para que os
estudantes, já próximos da conclusão do curso, tenham contato direto com o
ambiente em que poderão construir suas futuras carreiras. “São alunos entre o
7º e o 10º semestre, que já estão se preparando para concluir o curso e decidir
o que querem fazer da vida. Então, é um momento de eles terem essa prática,
mas, principalmente, esse contato”, afirmou.
Gerardo
destacou a aproximação proporcionada pelo projeto entre o Tribunal e os futuros
profissionais do Direito. “É um projeto excepcional. Traz os alunos para dentro
do Tribunal, eles acompanham a sessão de julgamento, conhecem o Tribunal e nós
temos a oportunidade de expor um pouco da nossa vivência. Me parece um projeto
muito relevante e vitorioso para o Estado de Mato Grosso”, ressaltou.
Novos
desafios
Durante
a conversa, o magistrado abordou temas relacionados à atuação dos futuros
profissionais, como o sistema de precedentes e os recursos destinados aos
tribunais superiores. Entre os assuntos, também chamou a atenção para a
necessidade de os estudantes acompanharem as mudanças que impactam
constantemente o Direito. “Eu completo agora este ano 23 anos de magistratura e
são anos de estudo. O STJ de 2004 não é o mesmo STJ de 2026. Nós tivemos um
avanço muito grande em relação, por exemplo, ao sistema de precedentes. A
legislação se altera, então aquele que se dedica ao Direito tem que ter esse
compromisso com o estudo”, afirmou.
A
mensagem deixada pelo juiz aos estudantes foi de que a formação profissional
não termina com a graduação. “Esse compromisso com o estudo é diário, é um
compromisso que se renova todos os dias”, completou.
IA
com responsabilidade
Outro
tema levado à conversa foi o uso da inteligência artificial no Direito. O juiz
Gerardo ressaltou que o avanço da tecnologia é uma realidade, mas defendeu que
os futuros profissionais desenvolvam conhecimento suficiente para utilizar as
ferramentas de forma crítica e responsável. “A IA veio para ficar. O avanço
tecnológico é sempre inevitável. Mas precisamos saber fazer sem o uso da IA.
Ela vai nos auxiliar, não pode jamais nos substituir”, afirmou.
Segundo
o magistrado, conhecer a legislação, a jurisprudência e os precedentes é
fundamental para que o profissional consiga validar as informações produzidas
com o auxílio da tecnologia. “A responsabilidade é sempre humana. Nós humanos
estamos trabalhando para outros seres humanos, então temos uma responsabilidade
muito grande em relação a isso”, pontuou.
Para
o estudante Lucas Brito Santana, também do 8º semestre, a orientação sobre o
uso consciente da inteligência artificial foi um dos pontos marcantes da
visita. “A gente tem que dosar um pouquinho a forma como utiliza a inteligência
artificial. O ideal é utilizar ela, claro, com cautela, mas não para substituir
realmente o nosso trabalho como futuro advogado”, avaliou.
Portas
abertas
Além
do aprendizado técnico, a visita aproximou os acadêmicos do espaço onde muitos
deles pretendem atuar no futuro. Para Lucas, conhecer o Tribunal e acompanhar
de perto a atuação de magistrados e advogados contribui para a formação e
amplia a visão sobre as possibilidades da carreira jurídica.
“Foi
bem interessante para o nosso aprendizado. Ver a forma que os advogados fazem
as sustentações perante o Tribunal é uma experiência importante para todos
nós”, afirmou.
O
estudante, que pretende seguir a carreira da magistratura, destacou a
oportunidade de se aproximar do Poder Judiciário. “É bem legal ver essa
iniciativa do Poder Judiciário abrindo essa porta para que a gente possa se
aproximar um pouquinho. Querendo ou não, é o nosso futuro. Se Deus quiser,
estaremos aqui ocupando esses lugares futuramente”, disse.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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