Tribunal de Justiça mobiliza estudantes para reconhecer e prevenir a violência contra a mulher
Antes
que a violência aconteça, é preciso falar sobre respeito, limites e relações
saudáveis. Foi com essa proposta que cerca de mil estudantes da Escola Estadual
Militar Tiradentes, em Cuiabá, participaram nesta terça-feira (18) das
palestras do
projeto “Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas”, ministradas
pelos assessores técnicos da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de
Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT) do TJMT, Adriany Carvalho e
Cristian Pereira Oliveira.
Foram
realizadas três palestras no período matutino e duas no vespertino para os
alunos, além de duas atividades voltadas aos mais de 100 profissionais da
educação, uma pela manhã e outra à tarde. A iniciativa abordou, entre outros
temas, os sinais de relacionamentos abusivos, as diferentes formas de violência
contra a mulher, a Lei Maria da Penha e a importância da prevenção desde a
adolescência.
Durante
os encontros, os estudantes foram convidados a refletir sobre comportamentos
que muitas vezes são naturalizados, como ciúme excessivo, controle das redes
sociais, humilhações e desrespeito ao consentimento. A mensagem central foi
clara: amor não combina com medo, controle ou agressão.
Prevenção
desde cedo
Para
o assessor técnico da Cemulher-MT Cristian Pereira Oliveira, o trabalho nas
escolas é fundamental para apresentar aos jovens informações capazes de
prevenir comportamentos violentos e estimular relações baseadas no respeito. “O
trabalho do projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas é, antes de tudo,
preventivo. As crianças hoje têm acesso muito rápido às informações. O nosso
trabalho é mostrar o contraponto, mostrar que esse comportamento é errado e que
as leis também existem para proteger e punir”, explicou.
Cristian
destacou ainda a participação dos estudantes da Escola Tiradentes e observou
que o tema já vem sendo trabalhado pela comunidade escolar. “Foi notório que
eles estão afiados no tema. Os professores têm dado continuidade a esse
trabalho, estão muito bem-informados e isso aparece nos cartazes e nas
atividades desenvolvidas na escola. A ideia é fazer com que esses alunos
entendam essa questão da violência desde cedo, para crescerem e não cometerem”.
Para
ele, a educação é um caminho essencial para a prevenção. “Educar as crianças de
hoje para não ser preciso punir os homens de amanhã”, resumiu.
Escola
de portas abertas
O
diretor da Escola Estadual Militar Tiradentes, coronel Waldenir Soares
ressaltou que a unidade já desenvolve ações relacionadas a temas sensíveis e
considerou importante a parceria com o Poder Judiciário. “É uma grande
preocupação da
sociedade como um todo e a escola já trabalha com essas
temáticas. Essas palestras reforçam ainda mais o combate à violência doméstica
e aos crimes contra as mulheres. Principalmente os alunos do Ensino Fundamental
estão formando a personalidade, então é importante trabalhar isso desde cedo”,
comentou.
O
diretor afirmou que o tema não se limita a ações pontuais. “É um trabalho
desenvolvido durante todo o ano e essa parceria é muito importante. A escola
estará sempre de portas abertas para iniciativas que contribuam para combater a
violência”, afirmou.
A
importância de levar o debate para dentro da escola também foi destacada pelo
professor de História, Silvânio Barcelos. “Essa é uma iniciativa fundamental.
Não só o Tribunal de Justiça, mas toda a sociedade civil organizada deve se
envolver nisso. A violência contra a mulher é uma questão urgente e precisa ser
debatida”, frisou.
O
professor contou que, ao trabalhar o tema em sala de aula, já identificou entre
os estudantes comportamentos e falas que acendem um alerta. Para ele, a escola
precisa manter um ambiente de confiança para que os jovens possam falar sobre
suas experiências. “A gente percebe que, quando dá abertura, os alunos se
abrem. Precisamos criar um ambiente que possibilite a esse aluno confiar em nós
e trazer suas experiências para que possamos pensar juntos”.
Olhar
dos estudantes
Entre
os alunos, a palestra também trouxe novas informações. Para Luís Felipe Campos,
de 15 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio, conhecer mais profundamente a
história que deu origem à Lei Maria da Penha foi um dos pontos que mais chamou
a atenção. “Eu já tinha escutado sobre a Maria da Penha, mas não tão a fundo.
De modo geral, esse tipo de conteúdo chama a atenção e acredito que a
mentalidade dos alunos vai mudar”, disse.
A
estudante Paola Cristina Amorim, também de 15 anos e aluna do 1º ano, destacou
os conteúdos que mostram
situações em que a própria vítima pode não perceber
imediatamente que está vivendo uma situação de violência. “É muito bom
apresentar isso na escola porque tem mulheres que podem estar passando por isso
e não perceber”.
Para
ela, a discussão também ajuda os meninos a compreenderem melhor seus
comportamentos e atitudes. “Tem gente que não sabe realmente o que é violência.
Isso ajuda a pensar mais antes de fazer alguma coisa e a ter mais respeito
pelas mulheres”, concluiu.
Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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