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 19/08/2026   16:53   

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Tribunal de Justiça mobiliza estudantes para reconhecer e prevenir a violência contra a mulher

Antes que a violência aconteça, é preciso falar sobre respeito, limites e relações saudáveis. Foi com essa proposta que cerca de mil estudantes da Escola Estadual Militar Tiradentes, em Cuiabá, participaram nesta terça-feira (18) das palestras doEstudantes uniformizados, em jaquetas cinza e branca, sentados em auditório lotado, seguram corações vermelhos e assistem atentamente à palestra sobre violência doméstica. projeto “Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas”, ministradas pelos assessores técnicos da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT) do TJMT, Adriany Carvalho e Cristian Pereira Oliveira.

Mulher de cabelos cacheados, óculos e blazer preto sobre camiseta com a frase "Diga não à violência contra as mulheres", fala ao microfone durante palestra a estudantes.Foram realizadas três palestras no período matutino e duas no vespertino para os alunos, além de duas atividades voltadas aos mais de 100 profissionais da educação, uma pela manhã e outra à tarde. A iniciativa abordou, entre outros temas, os sinais de relacionamentos abusivos, as diferentes formas de violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha e a importância da prevenção desde a adolescência.

Durante os encontros, os estudantes foram convidados a refletir sobre comportamentos que muitas vezes são naturalizados, como ciúme excessivo, controle das redes sociais, humilhações e desrespeito ao consentimento. A mensagem central foi clara: amor não combina com medo, controle ou agressão.

Prevenção desde cedo

Homem de óculos, barba grisalha e camiseta branca com a frase "Diga não à violência contra as mulheres", fala ao microfone diante de banner sobre violência doméstica e familiar.Para o assessor técnico da Cemulher-MT Cristian Pereira Oliveira, o trabalho nas escolas é fundamental para apresentar aos jovens informações capazes de prevenir comportamentos violentos e estimular relações baseadas no respeito. “O trabalho do projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas é, antes de tudo, preventivo. As crianças hoje têm acesso muito rápido às informações. O nosso trabalho é mostrar o contraponto, mostrar que esse comportamento é errado e que as leis também existem para proteger e punir”, explicou.

Cristian destacou ainda a participação dos estudantes da Escola Tiradentes e observou que o tema já vem sendo trabalhado pela comunidade escolar. “Foi notório que eles estão afiados no tema. Os professores têm dado continuidade a esse trabalho, estão muito bem-informados e isso aparece nos cartazes e nas atividades desenvolvidas na escola. A ideia é fazer com que esses alunos entendam essa questão da violência desde cedo, para crescerem e não cometerem”.

Para ele, a educação é um caminho essencial para a prevenção. “Educar as crianças de hoje para não ser preciso punir os homens de amanhã”, resumiu.

Escola de portas abertas

O diretor da Escola Estadual Militar Tiradentes, coronel Waldenir Soares ressaltou que a unidade já desenvolve ações relacionadas a temas sensíveis e considerou importante a parceria com o Poder Judiciário. “É uma grande preocupação daHomem de farda cinza da Polícia Militar de Mato Grosso é entrevistado com microfone de celular, semblante sério, em sala com cadeiras ao fundo. sociedade como um todo e a escola já trabalha com essas temáticas. Essas palestras reforçam ainda mais o combate à violência doméstica e aos crimes contra as mulheres. Principalmente os alunos do Ensino Fundamental estão formando a personalidade, então é importante trabalhar isso desde cedo”, comentou.

O diretor afirmou que o tema não se limita a ações pontuais. “É um trabalho desenvolvido durante todo o ano e essa parceria é muito importante. A escola estará sempre de portas abertas para iniciativas que contribuam para combater a violência”, afirmou.

Homem de cabelos grisalhos, óculos e camisa preta com crucifixo, veste polo da Escola Tiradentes e é entrevistado por microfone da TV Jus.A importância de levar o debate para dentro da escola também foi destacada pelo professor de História, Silvânio Barcelos. “Essa é uma iniciativa fundamental. Não só o Tribunal de Justiça, mas toda a sociedade civil organizada deve se envolver nisso. A violência contra a mulher é uma questão urgente e precisa ser debatida”, frisou.

O professor contou que, ao trabalhar o tema em sala de aula, já identificou entre os estudantes comportamentos e falas que acendem um alerta. Para ele, a escola precisa manter um ambiente de confiança para que os jovens possam falar sobre suas experiências. “A gente percebe que, quando dá abertura, os alunos se abrem. Precisamos criar um ambiente que possibilite a esse aluno confiar em nós e trazer suas experiências para que possamos pensar juntos”.

Olhar dos estudantes

Jovem de óculos e uniforme escolar branco, com identificação no bolso, observa em frente a banner vermelho sobre violência doméstica e familiar.Entre os alunos, a palestra também trouxe novas informações. Para Luís Felipe Campos, de 15 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio, conhecer mais profundamente a história que deu origem à Lei Maria da Penha foi um dos pontos que mais chamou a atenção. “Eu já tinha escutado sobre a Maria da Penha, mas não tão a fundo. De modo geral, esse tipo de conteúdo chama a atenção e acredito que a mentalidade dos alunos vai mudar”, disse.

A estudante Paola Cristina Amorim, também de 15 anos e aluna do 1º ano, destacou os conteúdos que mostramJovem de cabelos cacheados e jaqueta da Escola Tiradentes é entrevistada por microfone da TV Jus, diante de banner sobre violência doméstica e familiar. situações em que a própria vítima pode não perceber imediatamente que está vivendo uma situação de violência. “É muito bom apresentar isso na escola porque tem mulheres que podem estar passando por isso e não perceber”.

Para ela, a discussão também ajuda os meninos a compreenderem melhor seus comportamentos e atitudes. “Tem gente que não sabe realmente o que é violência. Isso ajuda a pensar mais antes de fazer alguma coisa e a ter mais respeito pelas mulheres”, concluiu.

Roberta Penha / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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