Eficiência e inovação orientam construção de novo Plano de Logística Sustentável do TJMT
Consumo de energia e água, impressões, contratações, tecnologia, transporte e qualidade de vida estão entre os temas monitorados pelo Plano de Logística Sustentável (PLS) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Nesta quinta e sexta-feira (10 e 11), na Escola do Servidor do Poder Judiciário, representantes das áreas responsáveis por esses indicadores participam de uma capacitação para revisar o plano e construir as metas que orientarão a instituição entre 2027 e 2032.Instituído a partir das políticas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre elas as Resoluções nº 400/2021, nº 347/2020 e nº 594/2024 e outros normativos relacionados, o PLS é um instrumento de governança que orienta ações voltadas à sustentabilidade, à eficiência administrativa, à qualidade do gasto público e ao uso responsável dos recursos.
Avanço nos indicadores
A revisão ocorre em um momento de avanço do Judiciário mato-grossense nos indicadores nacionais de sustentabilidade. Nos últimos três anos, o TJMT saltou da 19ª para a 4ª colocação no ranking do Índice de Desempenho de Sustentabilidade (IDS) do CNJ, resultado que demonstra a evolução das práticas adotadas pela instituição e amplia o desafio de consolidar e aperfeiçoar essas ações no próximo ciclo do PLS.
Durante os dois dias, os participantes discutem desde a legislação e a evolução histórica do PLS até governança, estratégia, contratações sustentáveis, indicadores econômicos, ambientais e sociais, gestão de riscos, descarbonização, equidade, diversidade e monitoramento de resultados. A programação também inclui oficina prática para análise das metas atuais e construção de propostas para o próximo ciclo.
Sustentabilidade na prática Especialista em sustentabilidade, Ketlin Feitosa Scartezini destaca que a revisão representa uma oportunidade para consolidar a sustentabilidade como parte da estratégia institucional, e não apenas como cumprimento de uma exigência normativa.
“Estamos em um momento de revisão do Plano de Logística Sustentável para um novo ciclo que começa em 2027. A capacitação foca justamente em fazer com que a sustentabilidade ocupe um papel estratégico na organização. Só conseguimos entregar para a sociedade de forma sustentável quando associamos sustentabilidade, eficiência, excelência e inovação”, afirma.
Segundo Ketlin, essa perspectiva exige dos gestores uma visão sistêmica da instituição. Ao longo da capacitação, são trabalhadas questões como legislação, indicadores, metas, contratações, ciclo de vida dos objetos, riscos e integração entre diferentes instrumentos de planejamento. “O gestor precisa ter um pensamento muito sistêmico para fazer entregas melhores. Não podemos olhar para a estratégia de maneira dissociada dos outros instrumentos administrativos que dão suporte à gestão. O produto final que buscamos é um PLS mais efetivo”, explica.
A instrutora Adriana Tostes, também especialista no tema, reforça que a sustentabilidade é transversal e precisa estar presente tanto nas práticas administrativas, quanto na prestação jurisdicional. Isso significa envolver áreas como obras, manutenção predial, contratações, mobilidade, gestão de pessoas, tecnologia e acessibilidade.Para ela, tornar o PLS efetivo depende do envolvimento das pessoas que executam essas atividades no cotidiano. “É muito importante que o Tribunal atue de forma sustentável nas suas práticas administrativas e judiciais. A sustentabilidade é transversal, passa pelas obras, pelas contratações, pela manutenção predial, pelo modelo de mobilidade do órgão e também pela área jurisdicional”, destaca.
Adriana ressalta ainda que a mudança institucional depende de uma transformação cultural. Durante o curso, são abordados temas como governança e estratégia sustentável, materialidade, identificação das lideranças e dos principais atores, inovação, análise de cenários, gestão de riscos e monitoramento dos resultados. “A natureza tem demonstrado que é preciso mudar comportamentos. E, para mudar comportamentos, é necessário trabalhar a cultura da organização. A capacitação tem um papel muito importante nesse processo”, lembra.
A gestora-geral do Núcleo de Sustentabilidade do Judiciário de Mato Grosso, Jaqueline Schoffen explica que a construção do novo PLS envolve representantes das áreas responsáveis pelos diferentes temas e indicadores monitorados pelo Tribunal. Atualmente, o plano reúne 20 temas e cerca de 150 indicadores relacionados, entre outros pontos, a consumo de energia elétrica e água, impressões, telefonia, contratações, qualidade de vida e utilização de recursos.“É um ciclo de seis anos que se encerra no final de 2026, alinhado à construção do Planejamento Estratégico 2027-2032. Agora é o momento de pensarmos o que planejaremos e executaremos em sustentabilidade nos próximos seis anos”, explica.
Segundo Jaqueline, a participação conjunta das unidades é fundamental porque os resultados de uma área frequentemente estão relacionados às decisões tomadas por outras. “Existe uma interface entre todas as unidades. Quando falamos de papel, impressão, tecnologia, energia elétrica ou água, existe uma discussão conjunta. Vamos estruturar como queremos que o Tribunal esteja em sustentabilidade daqui a seis anos e qual será o planejamento das ações ao longo desse ciclo”, acrescenta a gestora.
Construção coletiva
Depois da capacitação, cada setor dará continuidade ao trabalho dentro das temáticas sob sua responsabilidade. As unidades deverão revisar metas, avaliar a permanência ou substituição de indicadores, propor novas metodologias e estabelecer planos de ação capazes de transformar os objetivos do PLS em resultados mensuráveis.
Representando uma das áreas envolvidas nesse processo, a coordenadora de Gestão de Pessoas, Claudenice Deijany Farias de Costa, chama a atenção para a dimensão humana da sustentabilidade. Segundo ela, o tema vai além das questões ambientais e alcança diretamente a qualidade de vida de magistrados, servidores, colaboradores e trabalhadores terceirizados.
“A Coordenadoria de Gestão de Pessoas trabalha de forma transversal e tem foco nas questões de qualidade de vida dos servidores, magistrados e terceirizados, de todos que contribuem para o funcionamento da instituição. A sustentabilidade envolve todas essas pessoas”, comenta.Claudenice cita como exemplo a participação dos trabalhadores da limpeza na correta destinação dos resíduos e as ações internas relacionadas à redução de impressões e ao uso consciente dos recursos. Para ela, a revisão do PLS permite que diferentes setores compreendam como suas atividades cotidianas contribuem para objetivos institucionais mais amplos.
Ao final do processo de revisão, o TJMT deverá consolidar o PLS 2027–2032, estabelecendo metas, indicadores e planos de ação para orientar as práticas sustentáveis do Judiciário mato-grossense durante os próximos seis anos. A proposta é fazer do plano não apenas um documento formal, mas uma ferramenta de governança e tomada de decisões capaz de conectar sustentabilidade, inovação, eficiência e entrega de valor à sociedade.
Ana Assumpção / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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