Encontro Regional da Magistratura debate desafios e soluções para o Judiciário do Centro-Oeste
O
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) sediou, nesta sexta-feira (4), o
Encontro Regional da Magistratura – Região Centro-Oeste. Promovido pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o evento reuniu representantes dos
tribunais para compartilhar experiências e discutir caminhos para o
aprimoramento da Justiça.
O
encontro contou com as participações de presidentes e corregedores de Justiça,
desembargadores e juízes auxiliares. A proposta foi criar um espaço de diálogo
sobre os desafios enfrentados pelos estados da região e buscar soluções que
possam contribuir para uma prestação jurisdicional mais eficiente e próxima da
população.
Para
o presidente do Poder Judiciário mato-grossense, desembargador José Zuquim
Nogueira, o encontro possibilitou que os tribunais conhecessem experiências
desenvolvidas em diferentes locais. Segundo ele, mesmo diante de realidades
distintas, muitos dos desafios enfrentados pelo Judiciário são semelhantes.
“Conhecer
a forma como outros tribunais enfrentam os seus desafios nos permite
identificar experiências e soluções que podem ser úteis também aos nossos. Essa
troca nos ajuda a aperfeiçoar nossas respostas às necessidades da sociedade. O
Judiciário brasileiro tem muito a aprender com a experiência que ele próprio
produz diariamente”, apontou Zuquim.
Presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, o ministro Luiz Edson Fachin também
destacou a importância da atuação conjunta. Em sua fala, utilizou a imagem de
transformar obstáculos em novos caminhos, reforçando a necessidade de
magistrados e equipes assumirem papel ativo na construção de soluções para os
desafios da Justiça.
“Cora Coralina ensinou que a vida se refaz removendo as pedras que sobre nós se acumulam. Que de cada pedra pode nascer um degrau. O Judiciário do Centro-Oeste carrega, como todos nós, o peso das pedras acumuladas pelo tempo, mas carrega também a esperança e a possibilidade de transformar a pedra em degrau e fazer da espera uma boa colheita”, comentou o ministro.
O
corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves enfatizou que para
a Corregedoria Nacional da Justiça é fundamental conhecer as particularidades
regionais de cada tribunal. Conforme ele, embora o Judiciário tenha objetivos
nacionais, as políticas precisam considerar as diferentes características dos
territórios e das populações atendidas.
“Encontros
como este têm importância concreta para a nossa Corregedoria. Eles permitem
sair da perspectiva exclusivamente nacional e compreender de perto as
diferentes realidades em que a jurisdição é exercida. Precisamos estabelecer
objetivos comuns, assegurar padrões nacionais de eficiência, transparência e
integridade e, ao mesmo tempo, reconhecer as particularidades de cada tribunal
e de cada região”, argumentou o corregedor.
Inteligência
artificial e humanização
A
programação do encontro também abriu espaço para o debate sobre o futuro da
Justiça e o uso das novas tecnologias. Conduzido pelo juiz auxiliar da
Presidência do CNJ, João Thiago Guerra, e pela juíza auxiliar da Corregedoria
do CNJ, Camila Henning Salmoria, o painel “Inteligência Artificial: Ética e
Humanização” trouxe reflexões sobre os cuidados necessários para que a
tecnologia esteja a serviço das pessoas e da qualidade da prestação
jurisdicional.
“A
gente vê muitos projetos orientados à eficiência, à celeridade, à redução dos
tempos de tramitação do processo. Esses valores, embora extremamente
importantes, não são necessariamente aqueles que vão conduzir a uma prestação
jurisdicional justa, adequada, contextualizada, que realmente atenda às
expectativas que os usuários dos serviços judiciais têm”, explicou João Thiago.
Novo
grupo de trabalho
Também
foi anunciada a criação do Grupo de Trabalho de Compartilhamento de Provas
Relacionadas ao Trabalho Escravo e ao Tráfico de Pessoas. A iniciativa busca
aperfeiçoar o fluxo de produção e compartilhamento de provas relacionadas a
esses crimes. A proposta é integrar, para tornar mais efetivo o enfrentamento
ao trabalho análogo à escravidão e ao tráfico de pessoas.
“Nós
estamos no século 21, mas essa chaga ainda está presente em todos os estados
brasileiros. Então, esse grupo foi fruto dos debates e da necessidade do
compartilhamento de provas, para que elas não fiquem restritas em cada Justiça.
Com isso, poderemos, de forma efetiva, enfrentar o trabalho análogo à
escravidão e o tráfico de pessoas”, pontuou o conselheiro do CNJ Paulo Régis
Botelho.
Bruno Vicente / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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