Judiciário de MT conhece nova estrutura para atendimento da fauna silvestre
Em
meio aos grandes incêndios que atingiram o Pantanal em 2020, um personagem se
tornou símbolo de uma mudança histórica no tratamento de animais silvestres em
Mato Grosso. Mesmo resgatada, a onça batizada de Amanaci não saiu ilesa da
tragédia ambiental. Sofreu queimaduras nas quatro patas, comprometimento da
inervação e da exposição das garras, além de exposição óssea das falanges.
O
caso exigia cuidados especiais. Mas, naquele momento, Mato Grosso não contava
com uma estrutura que pudesse atender essa necessidade. Amanaci, que significa
“Deusa da Chuva” na língua tupi-guarani, foi encaminhada ao Instituto Nex, em
Corumbá de Goiás. Por lá, recebeu tratamento com células-tronco e, hoje, faz
parte de um programa de reprodução no próprio Nex, já que não possui mais
condições de retornar à natureza.
A
onça continua tendo toda a atenção necessária, foi pareada com outro animal
também do Pantanal, e deu origem a uma nova vida: Erê, nascido em fevereiro de
2025. O filhote tem passado por reabilitações voltadas à soltura. A história de
Amanaci ajuda a dimensionar a importância de uma estrutura preparada para
receber animais silvestres em situações de emergência.
Foi
justamente para conhecer uma unidade desse porte que o Poder Judiciário de Mato
Grosso realizou, na quarta-feira (16), uma visita técnica ao novo Centro de
Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Cuiabá. O juiz
Emerson Luís Pereira Cajango, titular da Vara Especializada do Meio Ambiente e
do Juizado Volante Ambiental, conheceu as instalações do centro.
A
unidade está com a obra civil concluída e está em fase final de implantação dos
equipamentos, mobiliários e estruturação das equipes. “A estrutura que
vistoriamos impressiona bastante, não só pelo tamanho, mas pela qualidade, Tudo
foi projetado para atender nossos animais silvestres e é algo muito importante
para a defesa da nossa fauna”, destacou o magistrado.
Previsto
para ser inaugurado em novembro, o Cetras foi construído em uma área de 39
hectares e possui cerca de 4.500 metros quadrados de área construída. O espaço
conta com bloco administrativo, hospital veterinário, setor de quarentena e
recintos específicos para diferentes grupos de animais. Toda a estrutura foi
planejada para atender aos padrões técnicos de bem-estar e biossegurança.
A
unidade foi projetada para ser a maior deste tipo na América Latina e uma
referência mundial no atendimento a animais silvestres proveniente de
fiscalizações, apreensões, resgates e entregas voluntárias. No local, serão
ofertados serviços de triagem, manutenção, tratamento veterinário,
reabilitação, entre outros.
A
expectativa é que, com a estrutura em funcionamento, casos como o de Amanaci
recebam no próprio estado o tratamento adequado. “A estrutura possui o maior
hospital veterinário das Américas e foi cuidadosamente pensada para ampliar e
melhorar o atendimento aos animais silvestres da fauna mato-grossense”, pontuou
a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
A visita técnica também foi acompanhada pelo subprocurador-geral de Defesa do Meio Ambiente do Estado, Davi Maia Castelo branco Ferreira, e pelo diretor do Cetras, Eder Toledo.
Foto da Amanaci e Erê: Instituto Nex
Bruno Vicente
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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