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 04/09/2026   17:47   

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Projeto Raízes da Paz fortalece diálogo e transforma a convivência em escola de Várzea Grande

Antes, um desentendimento podia terminar em xingamento ou até em uma briga. Hoje, os estudantes da EMEB Joaquim da Cruz Coelho, em Várzea Grande, estão descobrindo que existe outro caminho: sentar em roda, falar sobre o que sentem, ouvir o outro e buscar juntos uma solução. A mudança é resultado do projeto “Raízes da Paz: Cultivando Diálogo e Fortalecendo Vidas”, iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Cejusc da Comarca de Várzea Grande, em parceria com a Prefeitura Municipal, via Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL).

Iniciado como projeto-piloto em janeiro deste ano, na EMEB Joaquim da Cruz Coelho, o Raízes da Paz utiliza metodologias de Justiça Restaurativa e os Círculos de Construção de Paz para prevenir conflitos e fortalecer os vínculos entre estudantes, professores, servidores e famílias. A proposta é criar espaços seguros de escuta, reflexão e diálogo, tornando o ambiente escolar mais acolhedor e humanizado.

Do silêncio à conversa

Mulher de óculos e blusa azul-clara, colar com pingente em "M", posa em corredor escolar com painel decorativo sobre família.Segundo a pedagoga articuladora e facilitadora do projeto, Marilene Silva Rodrigues, a transformação já pode ser percebida no comportamento dos estudantes. “Quando nós iniciamos o projeto Raízes da Paz aqui na Escola Joaquim da Cruz Coelho, nós encontramos os alunos com muita resistência, pouco diálogo e curiosos, mas muito tímidos. E hoje o que nós vemos é uma comunicação não violenta, um diálogo aberto, as brincadeiras salutares. Nós temos tido um ambiente muito bom”.

Para ela, as atividades também desenvolvem habilidades importantes para a vida dos estudantes. A intenção é que a experiência seja ampliada para toda a rede municipal. “A proposta é que todas as escolas possam usufruir dessa ferramenta, que é o Círculo de Construção de Paz, nas EMEBs de todo o município”, afirmou.

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tiago Nogueira de Abreu explica que o projeto nasceu a partir de um diagnóstico realizado pela Vara da Infância, queHomem de cabelos escuros, barba e terno azul-marinho sobre camisa listrada, é fotografado em corredor amplo com plantas e bancos de madeira. mapeou regiões com maior ocorrência de atos infracionais envolvendo adolescentes e analisou o perfil das famílias. “Nasceu, então, o Projeto Raízes da Paz. Iniciamos nessa escola municipal com a ideia de levar a cultura da paz”, explicou.

De acordo com o magistrado, os primeiros resultados já são percebidos no ambiente escolar e nas relações familiares. “O projeto já se demonstrou eficiente, nós tivemos uma melhora significativa no desempenho desses alunos na escola e, consequentemente, nas próprias famílias e na sociedade”, destacou.

Tiago Abreu também aponta uma perspectiva de expansão da iniciativa. “A ideia nossa é expandir para as outras regiões aqui de Várzea Grande e, quem sabe, multiplicar esse modelo para todo o Estado de Mato Grosso".

“Ficou melhor resolver assim”

Para quem participa dos círculos, a mudança é concreta. A estudante do 9º ano Gênesis Patron conta que, no início, havia vergonha e dificuldade para falar sobre os problemas. Com o tempo, os alunos passaram a se sentir mais seguros para seJovem de cabelos longos e cacheados, veste camiseta verde e amarela, observa a câmera em pátio escolar onde outros estudantes desenham à mesa. expressar. “No começo foi meio difícil, porque a gente tinha vergonha de falar, de conversar. Só que aí o tempo foi passando e a gente conseguiu se abrir mais”, relatou.

Ela conta que aprendeu uma nova maneira de lidar com os conflitos. “A gente aprendeu a resolver os conflitos de uma forma diferente, a não resolver como resolvia antes, que era xingando. A gente aprendeu a resolver conversando”.

Para Gênesis, o diálogo tornou as relações mais tranquilas. “É muito melhor assim do que como se resolvia antes. Ficou melhor resolver assim”, disse.

A estudante do 8º ano Yasmin Sofia também percebeu a mudança. Ela conta que inicialmente ficou nervosa por não saber exatamente como seriam as atividades, mas aos poucos passou a compreender a proposta. “Foi um momento de conversa, onde a gente se abria. Em todas as salas tem uma rodinha onde a gente ficava conversando de boa”, explicou.Jovem de franja e cabelos longos, veste camiseta verde e amarela com colares, está em pátio escolar cercada de colegas pintando à mesa.

Para ela, o espaço criado pelo projeto permite falar sobre sentimentos e problemas que muitas vezes não são compartilhados nem mesmo dentro de casa. “A gente tem um momento de conversa, onde a gente se abre. Coisa que a maioria das pessoas que não consegue nem ter um diálogo com os próprios pais. E ali a gente se abre, vai conversando, vai soltando tudo pra fora”.

Reflexos que ultrapassam a sala de aula

Mulher de cabelos escuros e blusa preta, brincos longos, é fotografada em sala de aula com estudantes e cartazes pedagógicos ao fundo.A diretora da EMEB Joaquim da Cruz Coelho, Rosalina Marques de Almeida afirma que a escola recebeu a iniciativa “com muita alegria e satisfação”. Para ela, o projeto tem contribuído especialmente para acolher estudantes em situação de vulnerabilidade. “Ele visa orientar, acolher as crianças em vulnerabilidade também. A EMEB abraçou a causa e vem fazendo uma transformação na vida das crianças”, afirmou.

A coordenadora escolar, Dalva Maria de Arruda também percebe reflexos no cotidiano. Segundo ela, o projeto trouxe um momento importante de paz, diálogo e reflexão sobre atitudesMulher de cabelos escuros, óculos e blusa vermelha, posa em sala de aula decorada com cartazes pedagógicos, enquanto alunas e adultos conversam ao fundo. e respeito ao próximo. “Foi de grande valia para a nossa unidade escolar, porque precisava desse momento de paz, de diálogo, de reflexão sobre atitudes, de muitos alunos em respeito ao outro”, avaliou.

Segundo Dalva, os efeitos já chegaram às famílias. “Os pais estão vendo essa mudança, vêm até a escola, contribuem, falam que isso está refletindo lá também”, contou.

A arte como ferramenta de transformação

Mulher de óculos vermelhos e blusa estampada, sentada à mesa entre estudantes que pintam desenhos, observa atentamente o trabalho ao seu lado.A professora de Artes Maria Elisa Pompeu também participa das atividades e destaca a importância da arte na construção de relações mais empáticas. “Eu acho muito interessante a arte estar inserida no projeto. E com isso eles vão tendo a possibilidade tanto de trabalhar o desenho, mas também de conviver, de uma transformação, porque a arte nada mais é do que transformar o ser humano”, afirmou.

Para a professora, a proposta contribui para fortalecer a empatia e a união entre os estudantes. “O objetivo é ter mais empatia, ter mais união, fortalecer mais essa vivência entre eles”.

O projeto prevê encontros periódicos ao longo de 2026 com estudantes, professores, servidores e famílias. A expectativa é que a experiência da escola-piloto contribua para aperfeiçoar a metodologia e possibilite sua expansão para outras unidades da rede pública, fortalecendo a cultura da paz e o desenvolvimento integral dos estudantes.

Roberta Penha / Foto: Assessoria-TJMT

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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