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 15/08/2007   12:10 

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Nova chance a réus dependentes químicos

Nova chance a réus dependentes químicos

 

 

 

O papel do Poder Judiciário no encaminhamento de infratores dependentes químicos para tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Adauto Botelho é essencial para a reinserção destes reeducandos ao convívio social. Pela primeira vez é oferecido um curso profissionalizante – de recepcionista de hotel e portaria de edifícios, para os internos do Ciaps. As aulas terminam esta semana e os alunos receberão certificado de qualificação.

 

A formação profissional só foi possível com a parceria firmada entre o Poder Judiciário, o Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Boltelho (Ciaps) e a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico de Mato Grosso (Fundetec). O convênio foi assinado em junho deste ano no gabinete do juiz Mário Kono de Oliveira, titular do Juizado Especial Criminal Unificado de Mato Grosso (Jecrim), que encaminha os réus, dependentes de álcool ou drogas, para internação.

 

O magistrado visitou na segunda-feira (13 de agosto) a primeira turma de doze alunos. Para ele "a justiça precisa sair do papel de sentenciar e ir além, promovendo a inclusão social", e essas atividades práticas oferecem oportunidades para quem não tem nenhuma formação profissional.

 

O juiz Mário Kono ressaltou que muitos detidos em decorrência de pequenos furtos, lesões corporais e outros delitos têm algum tipo de dependência química e possuem baixo grau de formação escolar. Estes fatores dificultam o retorno à sociedade depois do tratamento, resultando em reincidência no crime.

 

            O gerente de assistência terapêutica do Ciaps, Leonardo Araújo Barbosa, ressaltou a importância da parceria para melhorar o desenvolvimento dos pacientes infratores. Ele observou que apenas 20% dos alunos que participam do curso de recepcionista têm algum estudo. Leonardo Barbosa disse que o maior problema durante a recuperação é a perspectiva 'pós alta'. Ou seja, sem um curso de qualificação, eles têm pouca esperança de sair da internação com algum emprego em vista.

 

     

O gerente já percebeu os resultados positivos em quinze dias de aulas realizadas no Adauto Botelho. "Eles pediram pra fazer entrevistas para trabalho quando saírem. Estão mais interessados em pesquisar o assunto, debatem entre eles fora dos horários das aulas", comemora.

 

CONTEÚDO - As aulas são ministradas diariamente dentro do próprio hospital por instrutores da Fundetec. Os pacientes recebem noções de ética profissional, cidadania, teoria e prática da atividade, postura e questões técnicas da profissão a ser exercida. A carga horária é de 60 horas/aula. Eles recebem todo o material didático e terão o certificado de qualificação.

 

Conforme o professor Luiz Carlos de Figueiredo, integrante da diretoria-executiva da Fundação, essa é a primeira parceria com o Juizado Especial Criminal. E, depois de formada a primeira turma, serão definidos os próximos cursos. Inicialmente havia a proposta de realizar aulas para garçons e eletricistas, mas as formações deverão ser oferecidas conforme o perfil dos alunos e a necessidade do mercado.

 

JUSTIÇA TERAPÊUTICA - O projeto Justiça Terapêutica é uma das formas adotadas pelo Poder Judiciário para resolver conflitos familiares, entre eles os resultantes do consumo excessivo de álcool e drogas. A iniciativa busca identificar as causas dos problemas e impõe tratamento e acompanhamento psicossocial ao agressor. Os tratamentos, normalmente, são realizados com o apoio de instituições ou entidades, como Alcoólicos Anônimos, Neuróticos Anônimos, Grupo Amor Exigente, Casa de Amparo, Centro de Atendimentos Psicossociais a Álcool e Drogas (CAPS-AD), entre outros.

 

 

Lídice Lannes

(65) 3617-3393/3394