Tráfico e associação são distintos
Tráfico de drogas e associação podem ser cumulados para condenação
O crime de associação constitui uma figura típica autônoma (art. 35 da Lei 11.343/06), que não se confunde com o crime de tráfico (art. 33). São espécies distintas que, uma vez configuradas, admitem perfeitamente a incidência do concurso material. Com base nesse entendimento, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por unanimidade, negou provimento ao recurso interposto por um homem condenado pela prática de tráfico e de associação. A decisão foi proferida em conformidade com o parecer do Ministério Público (recurso de apelação criminal nº. 68930/2007).
O impetrante, conhecido como 'Bené', e um comparsa, conhecido como 'Tiozinho', foram denunciados pelo promotor de justiça por terem se associado para a prática de tráfico de entorpecente, na modalidade 'transportar', em desacordo com legislação. De acordo com os autos, em 5 de dezembro de 2006, policiais federais saíram em diligência para apurar uma notícia anônima que relatou que 'Tiozinho' estaria vindo da região de Cáceres/MT para o município de Várzea Grande, transportando cocaína.
Por volta das 14h, os policiais começaram a seguir uma caminhonete, que se enquadrava na descrição fornecida, que entrou
No momento em que 'Bené' entrava na caminhonete, os policiais o abordaram, ele fugiu, e foi perseguido por dois agentes, enquanto outro policial detinha a esposa do acusado. "Tiozinho' ficou sem vigilância e fugiu embarcando em um ônibus para Cuiabá. Foram repassadas as informações para outra equipe de policiais que o perseguiram e prenderam em sua residência no bairro Pedra 90, em Cuiabá.
O apelante (Bené) foi condenado
De acordo com o desembargador relator Juvenal Pereira da Silva, a alegação de que não restou configurado o crime de associação, não procede já que ficou evidenciada a materialidade e autoria do crime de tráfico, na modalidade 'transportar a droga'. O desembargador ressaltou que a prática do delito de associação para fins de tráfico também foi provada, não só pelos fatos ocorridos no dia como o fato de que ele já havia cumprido outra 'tarefa' de desmontar um pneu e retirar do interior a droga transportada.
O acusado, por duas vezes, confessou a prática do crime de tráfico, deixando patente o animus associativo para tal finalidade. "Como se vê, a figura de crime de associação não se confunde com o crime de tráfico (art. 33). São espécies diferentes que podem ocasionar o concurso material", explicou.
Também participaram do julgamento a juíza substituta de 2º grau Graciema de Caravellas (revisor) e a desembargadora Shelma Lombardi de Kato (vogal).
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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Poder Judiciário de Mato Grosso
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