Prioridades serão definidas em seminário
Estratégias de atuação serão listadas em agenda estadual
Construir uma agenda de prioridades em relação ao atendimento do menor infrator, com a elaboração de estratégias para que esses objetivos sejam alcançados em nível estadual, já a partir de 2009. Essa á a principal meta que o supervisor- geral dos seminários estaduais desenvolvidos pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Público da Infância e Juventude (ABMP), professor Wanderlino Nogueira Neto, acredita que poderá ser concretizada com a realização do evento
O seminário, que começou nesta quarta-feira (30 de julho) e prossegue até o final da tarde de amanhã (31 de julho), tem dois grandes objetivos: colocar em pauta a discussão sobre o atendimento ao adolescente infrator com a garantia de respeito aos direitos humanos e garantir maior integração do sistema de Justiça com os demais sistemas de políticas públicas voltadas ao menor. “As sanções aplicadas devem ser cumpridas sem prejuízo dos direitos fundamentais do adolescente. A novidade é justamente colocar essa punição no marco dos direitos humanos”, salientou o supervisor, que é procurador de Justiça aposentado da Bahia e coordenador do Grupo de Monitoramento Internacional da Convenção sobre os Direitos da Criança da Seção Brasil do Defense for Children Internacional.
Segundo o especialista, reconhecido internacionalmente pela defesa dos direitos da criança e do adolescente, o sistema de atendimento ao menor infrator hoje existente no Brasil é muito falho. “Os direitos humanos estão sendo desrespeitados. Dos adolescentes em geral, mas principalmente daqueles que cometeram alguma infração. A eles, muitas vezes, é negado o acesso à educação, à saúde, à assistência social... O nível de atendimento dado à família, que serve como suporte para a recuperação, é muito baixo também”, sublinhou.
O procurador Wanderlino Neto explicou que nas oficinas que serão realizadas durante o período vespertino nesses dois dias de evento, será feito diagnóstico do sistema de Justiça
Conforme o especialista, alguns itens dessa agenda nacional, como a capacitação multidisciplinar e intersetorial dos agentes envolvidos no processo de recuperação do menor, são plenamente possíveis de ser executadas. “Precisamos fazer capacitação conjunta, e não apenas de temas jurídicos. Esses instrumentos vão ajudar a formar a rede de atendimento ao adolescente infrator. Não adianta apenas ter o desejo de que a coisa aconteça, precisamos de estratégias. E é isso que vai ser elaborado nessas oficinas”, ressaltou.
Dentre as dificuldades já diagnosticadas nos seminários previamente realizados, o supervisor-geral destacou a dificuldades de as instituições trabalharem em rede, a não-garantia ao adolescente de ter uma participação pró-ativa e, em muitos casos, a inexistência de advogado ou defensor público para atender esse menor.
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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