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 10/10/2012   09:17 

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Grupo dá apoio a família de usuários de drogas

Em seu segundo encontro no grupo de autoajuda às famílias dos dependentes químicos Unidos no Amor, do programa Amor Exigente, o pintor e engraxate Edson Crisóstomo Pinho, 65, se emocionou e sensibilizou a todos com sua história de vida. Ele sofre sozinho há 20 anos com dois filhos que são usuários de drogas. Edson conta que criou o filho mais velho, o primeiro que foi atraído pela substância química. Depois que a ex-esposa faleceu, passou a cuidar do segundo rebento, que seguiu o exemplo do irmão e também se perdeu no vício.
 
“Não sabia a quem pedir ajuda, tinha vergonha de buscar auxílio. Foi aí que conversei com o juiz Mário Kono e ele me falou do grupo. Fui muito bem recebido”, atesta.
 
           
Atento à história de outra integrante que há três anos freqüenta o grupo de apoio e já alcançou resultado positivo, Edson se mostrou mais animado e esperançoso em resgatar os seus garotos. “Tenho fé que vai dar certo. É muito importante este tipo de iniciativa, porque a família sozinha não é fácil, é difícil. A droga se torna para a pessoa uma necessidade como para nós é o alimento que mata a fome e o líquido que mata a sede”, observou.
 
O idealizador da rede de apoio, juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, titular do Juizado Especial Criminal Unificado (Jecrim), em Cuiabá, salienta que alguns ficam tão satisfeitos com a “terapia de grupo” que mesmo depois de perder o filho ou reabilitá-lo continuam participando e multiplicando esse trabalho.
 
Esse é o caso de Alzira Irene Cardoso de Andrade. Depois de resgatar o filho, ela continua no Unidos no Amor como voluntária e junto com mais duas mães fundou um novo grupo em sua comunidade, o Despertar para a Vida, que funciona no bairro Nossa Senhora Aparecida. “Para mim foi maravilhoso, o convívio familiar mudou, hoje eu converso com meu filho e a gente se entende, mas antes eu só sabia cobrar”, lembra.
 
O magistrado Mário Kono contou como verificou a necessidade de cuidar também das famílias e não focar apenas o seu trabalho naqueles que fazem uso de entorpecentes. “Um usuário acaba influenciando e desestruturando o emocional e a vida de mais sete pessoas, do pai, da mãe, da esposa e dos filhos. Nós do Judiciário não temos condições de abraçar a todos, por isso fizemos essa parceria com o Amor Exigente”, afirmou.
 
A coordenadora do Unidos no Amor, psicóloga Priscila Batistuta, conta que o projeto que tem origem norte-americana veio para o Brasil com outro nome em 1986. Já o grupo que funciona no Jecrim existe desde 2009 e já realizou atendimento e acompanhamento de 438 pessoas. Segundo ela, as reuniões se baseiam no resgate de princípios, valores e hierarquia familiar.
 
Conforme Priscila, a transformação é tão intensa que as famílias saem da depressão, melhoram a autoestima e voltam a viver a própria vida. “Os pais chegam doentes, porque sofrem e não sabem lidar com a situação. Depois saem fortalecidos e com maiores condições de ajudar o dependente”, avalia.
 
As famílias são encorajadas a agir e construir a cooperação familiar e comunitária. Para isso, ao longo do ano são discutidos 12 temas, um por mês: raízes culturais, os pais também são gente, os recursos são limitados, pais e filhos não são iguais, culpa, comportamento, tomada de atitudes, a crise, grupo de apoio, cooperação, exigência ou disciplina e amor.
 
Os encontros acontecem todas às quartas-feiras, das 15h às 17h, no prédio do Jecrim, em frente ao Arquivo Público, na Avenida Getúlio Vargas, Centro de Cuiabá. A metodologia do Amor Exigente é utilizada internacionalmente. Só em Cuiabá e Várzea Grande há 12 grupos. 
 
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Fotos: Jocil Serra/Agência Phocus
 
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