Comarca desenvolve trabalho de resgate social
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A Comarca de Água Boa (730km a leste de Cuiabá), que no último dia 22 passou a contar com a Terceira Vara Judicial, de competência para Execuções Penais, ganhou reforço nas ações já desenvolvidas pelo juiz Marcos Terêncio Pires quanto à reinserção social dos cerca de 600 reeducandos da Penitenciária Major Zuzi Alves da Silva, localizada na comarca. São trabalhos que envolvem desde a confecção de uniformes a outros presídios até o preparo psicológico para o retorno ao mercado de trabalho.
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“Por meio dos trabalhos desenvolvidos as pessoas sabem que temos um presídio e essa aproximação com a unidade prisional faz com que surja uma aceitação pelo esforço dos próprios reeducandos para o retorno ao convívio”, destacou o magistrado responsável pela Segunda e Terceira Varas.
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Conforme explicou, são desenvolvidas duas frentes de trabalho, o que constitui grande desafio, pois envolve a manutenção dos andamentos dos processos e a aproximação com a comunidade. “Acreditamos que com a disponibilidade da Terceira Vara logo teremos a vinda de mais servidores e quem sabe mais um magistrado. Isso facilitará nossa atuação e o desenvolvimento dos projetos”, assinalou.
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A presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Água Boa, Ana Lídia Alves de Souza, explicou que os projetos são desenvolvidos em parceria e com autorização do Poder Judiciário. “Particularmente nunca vi um juiz tão envolvido com a vontade de ver as pessoas serem resgatadas. Temos o maior respeito e admiração, pois ele é muito justo e imparcial, e tem a maior boa vontade em ajudar no que é possível e permitido. Qualidades notadas também no diretor do foro, o juiz Anderson Junqueira. É muito importante que a Justiça faça parte deste processo de resgate de um cidadão excluído da sociedade”, enfatizou.
Ana Lídia revelou que a maior parte dos projetos atende reeducandos do sistema semiaberto. Também há um curso ligado à área de psicologia, aberto à participação dos reeducandos. “É um trabalho de psicologia aplicada para que o reeducando tenha uma nova visão de vida. Trabalhamos a auto-estima, a perda que ele sofreu, a dor que tenha causado nos outros, o fator da discriminação que muito provavelmente irá sofrer assim que sair da cadeia. Cada semana trabalhamos um capítulo e depois eles comentam sobre suas vidas e nós os instruímos juntamente com o repasse de ensinamentos cristãos. Não abordamos religião e sim ensinamentos. Quem termina o curso de psicologia pode iniciar um curso de computação completo, também voltado ao ingresso no mercado de trabalho”, pontuou. O Conselho da Comunidade também adquire passagens para os reeducandos que querem ir embora após serem libertados, no caso de não terem condições de custear as despesas.
Em relação ao regime prisional no sistema fechado, a presidente explicou residir ali o maior projeto do Conselho da Comunidade: a confecção de roupas. “Ministramos um curso de corte e costura, para que eles saiam de lá com teoria e prática para poderem atuar no mercado. Eles receberam certificado comprovando o curso, que foi desenvolvido em quatro máquinas de costura. A mesma professora implantará uma mini indústria de produção de ‘modinha’. A documentação está sendo providenciada para ser remetida ao Projeto Nova Chance, que participará do contrato. Isso fará com que sigamos ainda mais a Lei de Execuções Penais, que determina que o preso receba um valor por seu serviço”, observou.
Gerente-geral da Companhia Vale do Araguaia e conselheiro do Conselho da Comunidade, Cesar Ferreira sustentou que a mão de obra dos reeducandos significada ganhos aos empresários e também à sociedade. “A empresa fez um diagnóstico para saber quais projetos poderiam dar certo aqui em Água Boa. Verificou-se que a construção civil é uma área que necessita muito de mão de obra. Hoje cerca de cinco empresas empregam 20 reeducandos. Eu aposto nestes projetos pelos resultados. Muitas destas pessoas que estão tendo uma chance atuam melhor do que outros trabalhadores. Não tivemos reclamação alguma deles. A própria Prefeitura tem um projeto interessante que tramitará na Câmara para estimular empresas a utilizar este tipo de mão de obra”, revelou, salientando que novos projetos estão em fase de estudos, como a implantação de uma marcenaria e uma empresa de montagem de estrutura e pré-moldados.
O juiz Marcos Terêncio Pires avalia que muito em breve haverá condições para a contratação de mais reeducandos. “Teremos condições de ampliar um turno de trabalho. Aguardamos a Superintendência Prisional para a nomeação de mais agentes carcerários. Já foram realizadas duas reuniões, oportunidade em que foi acenada a possibilidade das nomeações”, finalizou.
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