Justiça terapêutica ajuda resgatar vidas
“Quando cheguei aqui minha vida estava destruída, destroçada, meu casamento de 32 anos estava ruindo, eu ia largar tudo e ir embora. Não tinha mais forças para tentar tirar meu menino do mundo das drogas. Aqui encontrei apoio para me tratar e ajudar meu filho. Sem a força do grupo não teria conseguido”.
Este depoimento é da dona de casa Silvana Regina de Jesus que desde 2010 participa do grupo “Unidos no Amor”, do programa “Amor Exigente”, um movimento de voluntários criado com o objetivo de ajudar familiares de dependentes químicos.
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Instalado há 4 anos na sede do Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá (Jecrim), o grupo de apoio é freqüentado principalmente por mães que buscam ajuda para tirar os filhos do mundo das drogas, mas que não sabem mais que direção seguir.
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“Aqui estamos sempre aprendendo e ajudando uns aos outros. Eu precisava de apoio, pois eu só tinha duas opções: ou salvava meu filho ou assistia ele morrer. Tomei a decisão de salvá-lo e valeu a pena, hoje ele está limpo, super feliz e comemorando o nascimento da primeira filha”, conta Silvana.
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Para a juíza do Jecrim, Ana Cristina Silva Mendes, o trabalho realizado pelo programa Amor Exigente é fundamental dentro da ótica da justiça terapêutica. “Eu sou mãe e entendo a dimensão do sofrimento dessas mulheres que vêm procurar apoio. É bem mais fácil fugir do problema do que ficar e enfrentar tudo. Essas mães que aqui estão decidiram ficar, lutar e merecem aplausos”, destacou a magistrada, que aproveitou a oportunidade para elogiar o trabalho realizado pelo juiz titular do Jecrim, Mário Roberto Kono de Oliveira, que atuou fortemente na implantação do grupo nas dependências do juizado.
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Antes da instalação do Amor Exigente, os familiares de dependentes químicos que chegavam ao Jecrim não contavam com esse tipo de apoio. “Em razão do sofrimento dos familiares, principalmente das mães que chegavam aqui e não sabiam o que fazer para ajudar seus filhos, o juiz Mário Kono decidiu implantar o Amor Exigente, para que essas pessoas tivessem um local para buscar força e apoio”, explica Mercedes Céspedes Ramos, voluntária do grupo desde a implantação.
Ela explica que o grupo foi criado primeiramente para dar apoio a familiares que convivem com dependentes de álcool ou drogas, mas que esse leque de apoio expandiu. “Hoje o trabalho é bem mais amplo, passou para o âmbito da qualidade de vida, apesar da demanda maior ainda ser de pessoas que têm na família alguém com dependência química”, diz Mercedes.
A professora Telma Eugênia de Oliveira, sabe muito bem a importância que o grupo de apoio teve em sua vida. “Eu não sabia mais o que fazer para tirar meu filho das drogas. Vim aqui no Juizado e pedi ajuda para o doutor Mario Kono. Meu filho foi para uma clínica se tratar, voltou para casa e dois meses depois tinha retornado para as drogas. Desesperada, voltei ao juizado e a única opção foi mandar prender meu filho. Imagina meu sofrimento, se não fosse o Amor Exigente não teria suportado tudo isso”, conta a mãe, que hoje também é voluntária no grupo e comemora cada dia que o filho está longe das drogas. “Tem 5 anos que ele saiu desse mundo. Está trabalhando e terminando o curso de tecnólogo. Eu continuo no grupo, porque preciso estar bem para ajudá-lo”.
Os encontros acontecem todas às quartas-feiras, das 15h às 17h, no prédio do Jecrim, em frente ao Arquivo Público, na Avenida Getúlio Vargas, Centro de Cuiabá. A metodologia do Amor Exigente é utilizada internacionalmente. Só em Cuiabá e Várzea Grande há 12 grupos.
Janã Pinheiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
(65) 3617-3393/3394













