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 27/10/2017   13:29 

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Congresso discute eixos de família e drogas

O 1º Congresso Multidisciplinar do Judiciário de Mato Grosso está abordando temas complexos que fazem parte do dia a dia de psicólogos, assistentes sociais, servidores públicos e operadores do direito que lidam com questões psicossociais. Na tarde desta quinta-feira (26 de outubro), os eixos debatidos foram Família e Sucessões e Saúde Mental/Drogas.
 
Palestrante do eixo “Família e Sucessões – A perícia nos litígios de família: entre a fronteira do ideal e do real” na sala Mangabeira da Escola dos Servidores, a profa. Dra. Lélica Lacerda falou dos três principais aspectos que perpassam a ideologia dos nos pareceres técnicos.
 
“Eu tentei desvelar para as pessoas presentes os principais aspectos que perpassam nas relações familiares que geram esses conflitos. O primeiro deles é a questão do patriarcado e a hierarquização entre homens e mulheres; o segundo aspecto que eu analisei é a dinâmica do mercado, que promove o esvaziamento das relações familiares; o terceiro aspecto são as relações étnico-raciais, porque o Brasil tem um tipo de capitalismo que se assenta nas heranças da escravatura e isso promove uma divisão racial do trabalho em que as pessoas negras ocupam as piores posições”, explicou a professora.
 
A palestrante defendeu que é fundamental que as pessoas que trabalham com questões tão delicadas comecem a ver com criticidade. “Nós entramos no sistema e acaba naturalizando, vamos emitindo parecer e não paramos para pensar. É um momento de desnaturalização disso, um momento dos trabalhadores do Judiciário poderem refletir criticamente o que eles vêm fazendo sem estar na rotina”, argumentou.
 
Na sala Cajazeira, a profa. Dra. Roberta Uchôa conduziu o eixo “Saúde Mental/ Drogas – Intersetorialidade e (im)possibilidades de atenção. O que a justiça tem a ver com isso?”. Ela apresentou dados sobre os investimentos públicos irrisórios que são feitos na área da saúde e da assistência social, em comparação ao que é destinado ao mercado financeiro; falou sobre o ranking de consumo de medicamentos no Brasil e citou experiências internacionais da descriminalização da posse de drogas para consumo pessoal.
 
“Penso que a questão deve sair da esfera penal e criminal. Nenhum indivíduo deve responder por crime, sanção penal ou outra medida punitiva por porte de drogas para consumo pessoal. O papel do Judiciário deveria ser de cobrar do governo que faça o seu papel e não cobrar dos indivíduos”, defendeu a professora na palestra.
 
Participaram ainda da palestra o juiz Mario Kono, o procurador de justiça Edmilson da Costa Pereira e a psicóloga Zeni Luersen.
 
O evento – De acordo com a assistente social do Núcleo Psicossocial (NUPS) do Juizado Especial Criminal (Jecrim) de Cuiabá e uma das organizadoras do Congresso Multidisciplinar, Gilda Rodrigues, o congresso é uma forma de valorizar a equipe multidisciplinar do Poder Judiciário e ainda incentivar na capacitação, no aprimoramento do conhecimento para que possamos ter mais informação para dar resposta às diversas demandas que chegam aos setores.
 
“Promover um evento como este é gratificante para nós, enquanto servidores. Vemos que há interesse em promover capacitação, em qualificar, visando uma melhor qualidade do serviço prestado para o cidadão que chega ao Poder Judiciário”, destacou.
 
O congresso continua nesta sexta-feira (27 de outubro) com os eixos Execução Penal e Aspectos da subjetividade no ato de julgar, além da conferência de encerramento com o tema “A interdisciplinaridade no Judiciário”.
 
Acesse AQUI o site do evento.
 
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Mylena Petrucelli/Fotos: Tony Ribeiro (F5)
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