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 26/10/2017   18:16 

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Profissionais participam de Eixos em Congresso

As discussões sobre temas que norteiam a rotina diária de profissionais envolvidos nas mais diversas demandas ligadas à assistência social, psicologia e judiciário, deram o tom nos debates na manhã desta quinta-feira (26 de outubro), durante o 1º Congresso Multidisciplinar do Judiciário de Mato Grosso. Nos dois primeiros eixos, convidados de renome nacional e estadual debateram temáticas voltadas à violência contra mulher e de gênero e a infância e juventude, na Escola dos Servidores do Poder Judiciário.
 
Com o tema “Violência contra a mulher e de gênero: sob a ótica e a escuta interdisciplinar forense” no Eixo 1 a assistente social e pesquisadora do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania (NIEVSC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Vera Lúcia Bertolini falou da importância de se tratar esse assunto, por ser uma das questões, segundo ela, mais delicadas, que onde a violência se instala numa relação afetiva. A assistente social destacou a importância dessas oportunidades oferecidas aos profissionais.
 
“É importante falar sobre isso, porque essas situações se dão e de que forma nós escutamos e atendemos e na perspectiva de trabalho multidisciplinar é fundamental. Essas trocas ajudam as pessoas, profissionais a se fortalecerem em termos de seus argumentos, das suas competências para conduzir de uma forma mais humanística essas relações que são extremamente sensíveis. Se não for pela formação não daremos conta de minimamente entender essas relações que são de muito conflito e quero parabenizar o Judiciário, que se preocupou com o processo de formação em serviço”, salientou.
 
O fundador e militante do Movimento LGBT em Mato Grosso, Clóvis Arantes foi outro convidado do Eixo 1 e abordou a questão das identidades de gênero, voltada para a transexualidade, travestilidade, das lésbicas e como isso se inserir no universo da discussão da violência contra a mulher.
 
“As pessoas LGBT’s não têm uma rede de proteção especial e por isso deixam de denunciar e a partir do momento que essas pessoas não possuem a quem recorrer, como no caso da rede de proteção, ela se torna invisível. O papel do psicólogo, assistente social, advogado e legislador são fundamentais para garantir essa rede”.
 
A promotora de justiça e coordenadora adjunta do Núcleo de Defesa da Mulher do Ministério Público, Sasenazy Daufenbach, também integrou o primeiro grupo e destacou a importância da equipe multidisciplinar para a elaboração dos laudos, estudos psicossociais que complementam os processos para conhecimento dos casos. “Todos os meus processos constam esses laudos que me auxiliam a entender a história da vítima, da família e do agressor”, frisou.
 
Já no Eixo 2 o assunto foi “Infância e Juventude - depoimento especial: Proteção ou (Re)vitimização?” e teve como um dos convidados o juiz da Segunda Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira. Ele explicou o que é e como deve ser feito o depoimento especial, os profissionais que participam do mesmo e a sistemática abordada durante o depoimento.
 
Dentro desse contexto está também a equipe multidisciplinar que atende os menores, como psicólogos e assistentes sociais. Na avaliação do magistrado a participação desses profissionais é fundamental. “Eles são os maiores responsáveis, pois vão trabalhar com essas crianças e são eles que vão conseguir muitas vezes extrair delas a verdade do que aconteceu para depois o juiz julgar”, acrescentou.
 
A Doutora em Serviço Social pela PUC/SP, Elizabete Borgianni parabenizou Tribunal de Justiça por ter apoiado a realização desse congresso “que está trazendo temas muito importantes para quem atua na área, principalmente de crianças e adolescentes, mulheres vítimas de violência e o papel do assistente social e psicólogo é de total importância desde o primeiro momento”, disse ao se referir da equipe multidisciplinar que recebe a denúncia.
 
A presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), Lindacir R. Bernardon também participou do Eixo 2 e falou dos Grupos de Apoio à Adoção, a defesa de adoções legais, políticas públicas em defesa da criança e adolescente, a problemática enfrentada, além de citar diversos exemplos vivenciados frente à Ampara.
 
O 1º Congresso Multidisciplinar do Judiciário de Mato Grosso ocorre até sexta-feira (27 de outubro).
 
No período vespertino, das 14h às 18h, haverá ainda mais dois eixos: um que vai tratar sobre “Família e Sucessões – A perícia nos litígios de família: entre a fronteira do ideal e do real” e outro sobre “ Saúde Mental/Drogas – Intersetorialidade e (im)possibilidades de atenção. O que a justiça tem a ver com isso?”.
 
A conferência de encerramento será realizada nesta sexta-feira (27 de outubro) das 12h às 18h, no Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite, na sede do TJMT. Na oportunidade o psicanalista Sidney Shine, a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro e o juiz titula do Jecrim, Mário Kono de Oliveira vão tratar sobre o tema: A interdisciplinaridadeno judiciário.
 
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Dani Cunha/Fotos: Otmar de Oliveira (F5)
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