Judiciário discute sistema carcerário na OAB
Falta de médicos e dentistas nas unidades penitenciárias, falta de medicamentos, superlotação, dificuldades na reinserção no mercado de trabalho, transferências e regulamentação das cantinas foram alguns pontos de pauta tratados na reunião.
“Muitas vezes as pequenas coisas trazem grandes transformações. Ouvir as famílias e verificar quais são as pequenas dificuldades se traduz em justiça social. O Poder Judiciário é preocupado com isso, inclusive sugerimos que as carteirinhas para os familiares fossem feitas fora, a exemplo do estado de Goiás. O cidadão precisa ir até três vezes na unidade para confeccionar a carteirinha, fora do dia de visita, ele não tem tempo, ou mora em uma cidade diferente de onde seu familiar está privado de liberdade”, apontou o magistrado.
“A pontuação das famílias é muito pertinente. Sugiro uma normativa determinando que após 48 horas da transferência, a família seja informada. Além disso, o familiar cadastrado deve indicar uma pessoa para receber todas as informações oficiais do reeducando”, disse o juiz na reunião.
Na pauta que tratou das dificuldades de oportunidades de trabalho aos reeducandos, o juiz Bruno D’Oliveira sugeriu que se aplique o Decreto nº 548, de 9 de maio de 2016, que regulamenta o trabalho intramuros, com vistas aos apenados da Penitenciária Central do Estado, onde apenas 50 dos 2.100 homens trabalham.
A
reunião foi toda focada em datas, metas e prazos, a fim de propor soluções rápidas aos problemas identificados. A dinâmica agradou muito as famílias dos reeducandos, representadas no encontro pelo Grupo de Apoio às Famílias de Reeducandos (Gafar).
“Essa reunião foi muito produtiva. Estamos felizes com o resultado, tivemos respostas satisfatórias e de resultados rápidos. Todas as nossas reivindicações foram pautadas e elencadas com muito respeito pelas autoridades. Nós estamos confiantes e esperançosos que será solucionado”, ressaltou a presidente do Gafar, Maria Gorete Arruda Oliveira.
“Nós temos a intenção de unir com o Judiciário para que possamos fazer um trabalho de melhorias para as famílias na pacificação social, buscar resolver as questões burocráticas entre instituições e famílias. Nós agradecemos muito ao magistrado pelo apoio e esperamos que as reivindicações sejam atendidas”, completou a presidente.
“A OAB recebeu uma carta anônima no sentido de algumas irregularidades praticadas dentro do sistema penitenciário. Nós solicitamos a presença das autoridades do setor e todos os órgãos envolvidos para que pudéssemos achar soluções, sem apontar os defeitos de ninguém. O balanço é muito positivo, porque este não é um problema do Estado de Mato Grosso. É um problema da sociedade”, enfatizou o vice-presidente da OAB-MT, Flávio Ferreira.
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