Ribeirinho Cidadão: visão nova, vida nova
As lições de casa dos netos da auxiliar em limpeza Maridete Barbosa dos Santos, 62 anos, não serão mais difíceis de fazer, pois agora a avó, que está enxergando melhor, vai conseguir voltar a ajudá-los. Maridete passou por uma consulta oftalmológica na terça-feira (7 de fevereiro), no consultório móvel do projeto Ribeirinho Cidadão em Santo Antônio do Leverger (34 km ao sul de Cuiabá), e irá fazer os novos óculos para ajudar nas tarefas de Miguel (3 anos), Gabriel (7 anos), Cauã (9 anos), Manoel (12 anos), Kaique (14 anos), Stefanie (14 anos) e Jandison (15 anos) – todos em idade escolar e criados por ela.“Para enxergar de longe está difícil; de perto também. Sem óculos não leio nada. Eu gosto de ler para ensinar a lição de casa aos meus netos, gosto de ler jornal, estar sempre por dentro dos assuntos. Graças a Deus apareceu essa bênção para nos ajudar”, comemora dona Maridete.
Ela conta que não se consultava com um oftalmologista há muitos anos porque não tem plano de saúde e as consultas são caras. Para conseguir um médico especialista na rede pública, a espera é de vários meses. “É muito bom para ajudar os pobres que não têm condição de fazer um exame. Aqui você já faz tudo, encaminha para uma operação se precisar, é excelente”.
Com 49 anos de idade, a técnica em enfermagem Rosângela de Souza nunca havia se consultado com um oftalmologista. Ela usava um par de óculos antigo de sua mãe para enxergar objetos pequenos, como as letras do celular e a linha para passar na agulha. “Fiquei muito satisfeita. Vai chegando a idade e você tem que procurar seus benefícios para sua saúde mesmo, porque senão vai só prejudicando cada vez mais. Já vou fazer meu óculos”, garantiu Rosângela.
A merendeira Marcia Silva Sales Amorim, 36 anos, aproveitou o atendimento médico do Ribeirinho Cidadão no município onde mora para se consultar e levar os três filhos, que nunca passaram por um oftalmologista. Valdinei (13 anos), Julio Cesar (9 anos) e Izadora (3 anos) saíram contentes do consultório porque não precisarão usar óculos. Já a mãe, Marcia, foi diagnosticada com um pequeno erro de refração e terá que usar óculos de descanso.A falta de tempo por conta do trabalho e a dificuldade de ir a Cuiabá com as três crianças impediam que Marcia cuidasse da saúde dos seus olhos e da família. “Facilita muito a vida da gente. Se for de carro precisa de cadeirinha para a Izadora e eu não tenho. De ônibus tem que pegar dois ônibus, fazer integração, com três crianças é difícil. Aproveitei e trouxe a família toda, tirei minhas dúvidas. Era mais preocupação de mãe porque no fim só eu vou ter que usar óculos”, brincou.
O consultório oftalmológico do projeto Ribeirinho Cidadão permaneceu em Santo Antônio do Leverger nos dias 6 e 7 de fevereiro e atendeu cerca de 230 pessoas. Nesta quarta-feira (8 de fevereiro), a equipe está em Barão de Melgaço (113 km ao sul de Cuiabá). O projeto é realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em parceria com o governo do Estado, Assembleia Legislativa, prefeituras e Marinha.
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Mylena Petrucelli
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