Jecrim/VG: formação e cuidado com demandas sociais
Um olhar para além do processo judicial é o que o Juizado Especial Criminal de Várzea Grande (Jecrim/VG) busca realizar por meio de vários atendimentos disponíveis às partes dos processos que tramitam na unidade. Dada a atribuição do juizado, a maioria dos casos diz respeito a pessoas com dependência química de álcool e drogas, vulnerabilidade social, envolvidas em conflitos familiares e também violência urbana.Parte desse trabalho é realizada por estagiários dos cursos de Serviço Social, Psicologia e Direito, em parceria com o Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) por meio do programa Justiça em Estações Terapêuticas e Preventivas. Cada faculdade compõe uma estação de trabalho com demandas de serviços específicos que desenvolvem políticas públicas de concreção de Direitos Humanos.
“A partir da formação de um processo, nós conseguimos estabelecer um cronograma de atendimento dessas famílias em vulnerabilidades. É um programa que é macro, que traz uma dinâmica social muito importante para a própria comunidade, de Várzea Grande, para uma política judiciária do Poder Judiciário de Mato Grosso e que é algo inovador porque traz a formação do cidadão, a formação de pessoas que se encontram na universidade com conhecimentos dos mais variados. Elas desenvolvem técnicas além daquela formação específica do curso, que guarnecem as situações de vulnerabilidade social e acrescentam uma visão de política pública global”, explica a juíza titular do Jecrim/VG, Amini Haddad Campos.
Uma dessas estagiárias é Thamires Arruda, aluna do 9º semestre de Psicologia do Univag. Ela acredita que o estágio no Jecrim é uma oportunidade muito proveitosa de acompanhar os beneficiários para tentar entender as questões psicológicas que estão envolvidas além dos processos judiciais. “Aqui a pessoa tem novas possibilidades de ter uma relação com o sistema, por ser um projeto terapêutico mais ampliado, no qual a pessoa vem aqui, participa dos grupos operativos e tem a possibilidade de repensar aquilo que ela fez e que a trouxe ao juizado”, constata.A estudante T.F., 19 anos, realiza atendimento psicológico desde o final de 2017, quando chegou ao Jecrim/VG como acusada de um processo de ameaça. Após a audiência, o gabinete da juíza Amini Haddad identificou a necessidade do acompanhamento psicológico e determinou que ela seja acompanhada por dois anos.
“É bom vir aqui para aliviar, falar as coisas que ficam guardadas. Me ajudou bastante nas minhas atitudes. Antes eu ficava no canto, era quieta, na minha. Agora sou mais alegre, onde tem uma rodinha de pessoas conversando eu quero estar, falo mais com a família também. É muito bom”, observa T.F.“Nossa pretensão aqui é a contenção de crimes, é a viabilidade, uma política de acolhimento das vítimas, porque temos aqui muitas famílias em vulnerabilidade, desde a necessidade de atendimento psíquico e psicológico, de serviço social, até inclusão em escolas, atendimento terapêutico e medicamentoso, encaminhamento para atendimento médico e odontológico”, ressalta a juíza Amini Haddad.
Por meio do estágio, a estud
ante de Serviço Social Patrycia Pereira de Magalhães adquiriu uma visão mais humanizada de pessoas marginalizadas pela sociedade. “É muito impactante conhecer o dia a dia deles. Eles nos contam coisas que nós nem imaginávamos que existiam. É um outro lado totalmente diferente que nós desconhecemos. Eles não estão nessa situação porque querem e encontram acolhimento aqui no Jecrim. Nós mostramos que existem outras possibilidades de vida, abre o campo de visão, eles procuraram melhorar e sair daquela vida”, relata.
ante de Serviço Social Patrycia Pereira de Magalhães adquiriu uma visão mais humanizada de pessoas marginalizadas pela sociedade. “É muito impactante conhecer o dia a dia deles. Eles nos contam coisas que nós nem imaginávamos que existiam. É um outro lado totalmente diferente que nós desconhecemos. Eles não estão nessa situação porque querem e encontram acolhimento aqui no Jecrim. Nós mostramos que existem outras possibilidades de vida, abre o campo de visão, eles procuraram melhorar e sair daquela vida”, relata.Leia também:
Mylena Petrucelli/Fotos: Tony Ribeiro (F5)
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