Discussões durante Encontro vão contribuir para ações sustentáveis no Judiciário
O VI Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário de Mato Grosso trouxe, nesta terça-feira (7 de dezembro), temas e discussões atuais que vão contribuir para as ações sustentáveis, não somente no Tribunal de Justiça, mas em toda a sociedade. São questões relacionadas ao agora, com olhar voltado à responsabilidade socioambiental e seus impactos de médio e longo prazo.Realizado de forma virtual e transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do Tribunal de Justiça estadual (TJMT), o segundo dia do Encontro teve duas palestras que demonstram a preocupação com o futuro com foco no fomento de ações que visam à melhoria, o crescimento e o desenvolvimento sustentável com a já mencionada responsabilidade social.
“O Mundo Bani e seus desafios” foi a primeira palestra, proferida pela secretária de Gestão de Pessoas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ana Claudia Mendonça. Bani é a sigla em inglês Brittle, Anxious, Nonlinear, and Incomprehensible, que traduzida para o português, seria Fani: Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível, adjetivos, que muitos especialistas acreditam, definem a realidade atual.
E logo no início Ana Claudia pergunta o que o assunto tem a ver com sustentabilidade e com o Tribunal de Justiça? Segundo ela, são novos hábitos e a formas em que estamos vivendo atualmente. E fez a contextualização a partir da Revolução Industrial e suas fases, até se chegar à era tecnológica atual. “Olhando para o momento vivido a transformação digital foi muito acelerada, mas já vinha sendo feita no mundo e foi alavancada pela pandemia da Covid-19”, comenta.Anteriormente, o contexto de negócio apontava que estávamos vivendo no mundo Vuca (Volátil, Incerto, Complexidade e Ambíguo), que as mudanças estavam acontecendo, a exemplo das etapas da Revolução Industrial. “Com a tecnologia as mudanças vão crescendo e ficam mais rápidas e frequentes”, frisa ao reiterar o Mundo Bani e explica como as definições das letras da palavra aparecem no momento em que estamos vivendo:
Frágil- Estamos suscetíveis a catástrofes, seja pandemia, sejam naturais e seja com as habilidades e competências do que sabemos e conhecemos, do que lidamos;Ansioso - O mundo está ansioso e urgente e isso reflete no mercado de trabalho. Estamos vivendo no limite; observando a morte cada vez mais de perto.
Não linear – Eventos que parecem desconectados e desproporcionais (ficar em casa x aglomeração x liberação) não faz sentido planejamentos detalhados e a longo prazo.
Incompreensível – Tentamos encontrar respostas, mas as respostas não fazem sentido. Excesso de controle não vai resolver; sobrecarga de informação e desinformação.
De acordo com a palestrante, qualquer mudança passa pelas pessoas, com colaboração e engajamento, seja ambiental, tecnológica e cultural, porque são as pessoas que dão sentido a tudo. E acrescentou as Habilidades mais importantes até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial, realizado em outubro de 2020.
“São habilidades para aqueles que estão no mercado de trabalho, como pensamento analítico e inodor; aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem; criatividade, originalidade e iniciativa; resolução de problemas; autogestão; trabalhar com pessoas; resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade. Essas são as qualificações que vamos ter que aprofundar ou adquirir para até 2025. Como você está se preparando para essa jornada?”, questionou ao finalizar a palestra.
O coordenador da Coordenadoria de Planejamento do TJMT, Afonso Maciel, foi o mediador na primeira palestra.
Líder Sustentável – O CEO e Fundador da Consultoria Ideia Sustentável Ricardo Voltolini falou sobre “Como ser um Líder Sustentável”, e disse que para falar de liderança sustentável é preciso contextualizar sobre por qual motivo ela é importante.Os tempos são outros e favoráveis à discussão da liderança sustentável. “Nunca se falou tanto em sustentabilidade. Os últimos 15 meses foram intensos porque nunca houve tantos fatores de pressão positivo para que este tema deixasse de ser discreto e passasse a ganhar a agenda dos principais líderes de negócio do mundo.”
O palestrante destacou dois fatores: a ciência do clima que alerta para o aumento da temperatura média do planeta de bater o limite seguro em 20 anos, segundo os cientistas. “Ou mudamos a forma de pensar e fazer negócio, produzir e consumir ou teremos que lidar com problema muito grave que é o aquecimento global”, alertou.
O segundo fator é quanto à natureza demográfica. “Estamos num momento agora em que os chamados milenials, aqueles com 30 e poucos anos, estão assumindo poder nas empresas e organizações. Eles já vêm com o chip do propósito, de valorizar a biodiversidade, respeito ao outro, aos direitos humanos e leva isso para a perspectiva de se relacionar com o negócio de um modo geral.”
O ESG, sigla é usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio, termo criado há 17 anos, mas que se tornou amplamente conhecido há poucos meses, foi outro ponto de destaque apresentado por Ricardo Voltolini. “Esse termo ganhou relevância com nosso sentimento de insegurança e vulnerabilidade frente a uma crise causada por um vírus letal que nos trouxe um grande questionamento sobre o futuro. No meio disso surge o ESG que vale dizer que não é uma terminologia nova.”
E apresentou os sete grandes temas do ESG: Estratégia de talentos orientada por questões de diversidade e inclusão; Novo “cuidar” com ênfase à saúde integral (física e mental) dos colaboradores; Respeito aos direitos humanos em toda a cadeia de valor; Impacto social mais estratégico; Mudanças climáticas e descarbonização (tendência – inovar para descarbonizar); Inserir na estratégia e envolver colaboradores (tendência – a empresa como parte da solução e não do problema); e Nova liderança (tendência – uma liderança com nova mentalidade).
Ricardo Voltolini citou o exemplo do Poder Judiciário de Mato Grosso no que se refere às ações de sustentabilidade. “Vocês [o Judiciário estadual] já têm metas e indicadores claros, planejamento, compromissos públicos e estão trabalhando para cumprir metas. Muito interessante ver este nível de evolução porque estão à frente de muitas empresas brasileira que deveriam pensar de forma mais objetiva neste tema ESG, que vai impactar o negócio e valor delas no negócio a médio e longo prazo.”
O juiz da Vara Especializada do Meio Ambiente e Ouvidor-geral do TJMT, Rodrigo Curvo foi o mediador na palestra. Ele destacou a importância que o Encontro de Sustentabilidade representa para as discussões sobre o tema. “Esse Encontro, realizado há seis anos, já se tornou tradição. Temos conseguido reunir pessoas, lideranças, expoentes para debatermos todos os anos sobre esse assunto. O tema da fala do Ricardo Voltolini faz referência a dois grandes desafios diários de todos aqueles que estão no Judiciário. O primeiro é que somos desafiados a liderar equipes, pessoas, projetos e o segundo desafio é sobre como liderar de forma sustentável. Então essa palestra só vem a contribuir muito.”
Participaram do Encontro a juíza Edleuza Zogetti Monteiro da Silva, coordenadora do Núcleo Socioambiental do TJMT, a coordenadora do evento e líder do Núcleo Socioambiental, Ana Carolina Ribeiro da Cunha Ferreira, a assessora da Coordenadoria de Planejamento e membro do Núcleo Socioambiental, Vera Lícia de Arimateia Silva, além de magistrados, magistradas, servidores, servidoras do Judiciário e público externo.
Após as palestras foram entregues os Selos de Reconhecimento do Projeto de Gestão Matricial de Despesas (GMD) da Coplan do TJMT, conhecido como Programa Economia Legal. O Projeto avalia o consumo de seis itens de uso diário dos magistrados (as) e servidores (as) em todo o Estado - energia elétrica, telefonia fixa, telefonia móvel, correios, impressão e material de consumo - e garantem os selos de reconhecimento nas categorias diamante, ouro, prata e bronze.
Dani Cunha
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
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