Júri de Aripuanã condena dupla que executou família a mais de 68 anos de prisão
O Tribunal do Júri da Comarca de
Aripuanã condenou Jânio Domingos de Brito e Jacó Nascimento de Melo a 68 anos,
quatro meses e 10 dias de reclusão, cada um, que deverão ser cumpridos
incialmente em regime fechado, sendo-lhes negado recorrer em liberdade, pelos homicídios
qualificados cometidos mediante paga ou promessa de recompensa, com emprego de
meio cruel e à emboscada, recurso este que dificultou a defesa das vítimas.
Os homicídios foram cometidos contra Elzilene Tavares Viana, 31; o marido dela, Leôncio
José Gomes, 40; o filho dela, Luiz Felipe Viana Antônio da Silva, 19; e Jonas
Santos, 25, devido a uma disputa por exploração de garimpo. Os crimes ocorreram
no dia 21 de novembro de 2020, na estrada rural do Garimpo da Serra, naquele
município.
As condenações também
abrangem o crime de sequestro e cárcere privado em relação às quatro vítimas
fatais e à vítima sobrevivente, Laurilene Vieira Viana.
A sentença foi proferida pela juíza Rafaella Karla de Oliveira Barbosa, na
manhã desta quarta-feira (15), após cerca de 50 horas de julgamento, que teve
início na segunda-feira (13).
No primeiro dia, foram ouvidas as
testemunhas arroladas pela acusação: os investigadores da Polícia Civil
Fernando Debacker e Robson Rodrigues de Oliveira e um homem que noticiou o
crime à Polícia. Uma quarta pessoa arrolada teve seu interrogatório dispensado
pelo membro do MP.
Também foram ouvidos os informantes arrolados
pela defesa do réu Jânio Domingos de Brito: Miriane
de Souza Rodrigues, viúva de Josué (que também era um dos suspeitos dos crimes),
Isaac Souza de Araújo, que foi para Aripuanã com os réus e exercia a função de
cozinheiro; e Werlei Luiz de Freitas Pereira, genro do réu Jânio. A defesa
desistiu da oitiva de uma quarta informante.
Réus presos - Os réus prestaram depoimento ainda na segunda-feira (13),
sendo que Jânio negou todas as acusações e Jacó admitiu sua participação em
partes dos fatos apontados pela acusação. Eles estavam presos em outros estados
e foram levados para Aripuanã para serem julgados presencialmente. Jacó estava
preso no estado de São Paulo, sua terra natal, e foi buscado pela Polícia Penal
de Mato Grosso. Jânio estava preso em Goiás, sua terra natal, em um presídio
militar por ser ex-policial, e foi trazido pela Polícia Militar daquele estado.
Durante o julgamento, foram determinados os recambiamentos de ambos os réus,
que ficarão presos em Mato Grosso.
No segundo dia de
julgamento, ocorreram os debates entre Promotoria e as defesas dos réus. Nesta
quarta-feira (15), pela manhã, foi feito o julgamento pelo Conselho de Sentença
e proferido o resultado.
O caso
- Narra a denúncia que no dia
21 de novembro de 2020, por volta das 9 horas, na estrada rural do Garimpo da Serra,
em Aripuanã, a mando de Leandro Ribeiro Mendes, Jacó
e Jânio, juntamente com Josué do Nascimento Melo e Gedeon Ribeiro Menezes, armaram uma emboscada para capturar as
vítimas, parando sua caminhonete S10 branca na estrada que dava acesso ao
garimpo onde trabalhavam Elzilene, Leôncio e Jonas. A quarta vítima, o jovem
Luiz Felipe, apenas acompanhava a mãe, enquanto a quinta vítima, Laurilene,
acompanhava o marido Jonas.
Ao
chegarem ao local, as vítimas foram cercadas pelos criminosos, que estavam
armados com armas de fogo, e rendidas para que descessem do veículo.
Consta
ainda na denúncia do Ministério Público que, ao desembarcarem, as vítimas foram
ameaçadas e enganadas com a informação de que os acusados se tratavam de
policiais, os quais, em tese, iriam lhes encaminhar até a Delegacia de Polícia
da cidade de Juína para checarem informações de possíveis delitos, momento em
que algemaram Jonas e Leôncio em um par de algemas e Elzilene e Luiz Felipe em
outro, deixando apenas a vítima Laurilene livre.
Em
seguida, os sequestrados
foram colocados nos
veículos, sendo que Elzilene, Luiz Felipe e Laurilene foram colocadas no carro
de Jacó e Jânio, enquanto que Jonas e Leôncio no automóvel de Josué e Gedeon.
Posteriormente,
as vítimas foram levadas até uma estrada rural erma, sentido Distrito de
Tutilândia, onde os criminosos interromperam o trajeto e levaram as vítimas
Elzilene Tavares Viana, Leôncio José Gomes, Luiz Felipe Viana Antônio da Silva
e Jonas Santos até a entrada de uma mata e as executaram com diversos disparos
de arma de fogo, livrando apenas Laurilene em razão de estar gestante.
A
denúncia ressalta que Laurilene, única sobrevivente do atentado, narrou de forma clara como
ocorreram as ameaças, com armas de fogo apontadas para suas cabeças e obrigadas
a adentraram nos veículos.
Acusados mortos - O suposto mandante do delito, Leandro Ribeiro Mendes, foi assassinado em setembro de 2023. O comparsa Gedeon Ribeiro Menezes foi morto em 15 de fevereiro 2022; e Josué do Nascimento Melo foi assassinado no ano de 2021, no estado do Pará.
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