Alunos transformam arte em ferramenta de combate à violência contra mulher em Concurso do TJMT
Nas linhas da
redação que venceu a categoria municipal do Concurso Cultural “A Escola Ensina,
a Mulher Agradece”, a estudante Sara
Leonor Leon Burgos, de 11 anos, da Escola Municipal Profa. Guilhermina
de Figueiredo, expressa a esperança de que o mundo se torne, um dia, um lugar
melhor e mais seguro para todas as mulheres.
Junto a
dezenas de estudantes, ela teve seu trabalho reconhecido e premiado na manhã
desta quarta-feira (10), durante o II
Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a
Mulher, promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por
meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e
Familiar (Cemulher-MT), e demais parceiros.
Ao lado da
mãe, a imigrante Yelina Burgos,
de 51 anos, Sara sorria, surpresa e emocionada ao descobrir que havia
conquistado o primeiro lugar. Ela própria não imaginava esse resultado.
“Fiz o texto sem saber que era para o concurso
e achava que outra colega ganharia o primeiro lugar”, contou.
Segundo
Yelina, a redação, que defende que mulheres vivam “livres e sem medo”, porque
“nenhuma mulher deve ser maltratada por ser mulher”, foi elaborada com a ajuda
do irmão mais velho.
“Eu estou muito orgulhosa dela. E é bom,
porque meu filho ensina a ela aquilo que sempre incutimos: que ele não pode ser
violento com a mulher, que deve proteger, cuidar. Então, ele ajuda ela”,
disse a mãe, emocionada.
Dura
realidade das mulheres inspirou vídeo
Entre os
premiados também está Petrick Valmito
Sarti dos Santos, de 16 anos, estudante da Escola Estadual Nossa Senhora
da Glória, em Sinop. Ao lado de quatro colegas, ele conquistou o primeiro lugar
na categoria vídeo da etapa estadual. A inspiração, segundo conta, veio da dura
realidade retratada diariamente nos noticiários.
“A gente pensou no que vê no dia a dia. Muitas
mulheres são vítimas de violência, mas não buscam ajuda. É uma realidade que,
infelizmente, ainda existe, e essa foi uma maneira de conscientizar, de levar
isso para outros jovens. É um assunto que tem que ser mais falado”,
explicou.
O adolescente
também alimenta a esperança de mudança. “Espero que o feminicídio pare de ocorrer e que as futuras gerações
entendam que isso não é certo. Que exista mais igualdade entre homens e
mulheres”, almeja o adolescente.
Poesia guarda
marcas e desperta empatia
A
arte também
ganhou destaque com o trabalho de Juliana
Sebalhos, da Escola Estadual Militar Tiradentes 2º Sargento Claudemir
França Maciel, de Sinop, vencedora do primeiro lugar na categoria poesia.
Ela relata
que o processo criativo do poema “Cicatrizes
na alma” exigiu sensibilidade e conexão com histórias reais. Tanto as
divulgadas pela televisão, quanto as vividas por pessoas próximas, que já
sofreram algum tipo de agressão. Juliana buscou imaginar como essas mulheres se
sentem e transformar suas dores em palavras.
“Pensei em como a pessoa deve se sentir com
tudo isso e em como podemos ajudar na situação”, disse, destacando a
importância de iniciativas que estimulam reflexão e empatia.
Para ela, a
educação é chave na transformação social. “Acredito que a educação tem um papel muito fundamental, pois reforça a
ideia de que os homens têm que respeitar as mulheres”, pontou.
Professores
reconhecidos
Os
professores que orientaram os trabalhos premiados também receberam homenagens.
Entre eles, está Juliana Monteiro de
Araújo, orientadora da redação vencedora da etapa estadual, escrita pela
estudante Ana Luiza Dias, da
Escola Estadual La Salle, em Rondonópolis.
Docente do
Ensino Médio, Juliana explica que o ambiente escolar é, muitas vezes, o espaço
onde as violências são percebidas, e onde a prevenção pode começar.
“A educação começa dentro das escolas. Algumas
famílias estão totalmente desestruturadas, e é na escola que muitos estudantes
encontram acolhimento e até reconhecem situações de violência. É um projeto de
grande importância, um projeto no qual eu já acreditava e que veio para
engrandecer ainda mais esse trabalho”, afirmou.
Concurso
que mobiliza e transforma
O Concurso
Cultural “A Escola Ensina, a Mulher Agradece. Aprender a respeitar transforma a
sociedade” mobilizou estudantes do 1º ao 9º ano das redes municipal e estadual.
Foram avaliadas produções em cinco categorias — Redação, Poesia, Desenho, Música Autoral e Vídeo —, com
apresentações dos primeiros colocados no plenário, emocionando o público.
Ao todo,
participaram 66 escolas estaduais
e 51 escolas municipais, somando
cerca de dois mil estudantes e
mais de 600 trabalhos inscritos.
Os primeiros colocados receberam troféus, enquanto os três melhores de cada
categoria foram contemplados com certificados, medalhas e brindes.
Autoridades
presentes
Além do
presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, e da coordenadora da Cemulher-MT,
desembargadora Maria Erotides Kneip, várias autoridades prestigiaram a
solenidade.
Entre elas, a desembargadora aposentada do TJMT Maria Aparecida Ribeiro; a juíza auxiliar da Presidência do TJMT, Gabriela Knaul; a juíza auxiliar da CGJ-MT, Anna Paula Gomes de Freitas; o juiz auxiliar da Vice-Presidência, Gerardo Humberto; a presidente da Associação Mato-grossense dos Magistrados (AMAM), Jaqueline Cherulli; o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi; a promotora de justiça Regilaine Magali Bernard Crepaldi, representando o Ministério Público Estadual; coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher, defensora pública Rosana Leite Antunes de Barros; a secretária da Mulher de Cuiabá, coronel Hadassah Suzannah; magistrados e magistradas das varas de violência doméstica da Capital e das comarcas do interior; deputado estadual Carlos Avalone; vereadora de Cuiabá Michelly Alencar; representantes de redes municipais de enfrentamento de diversos municípios, gestores públicos, profissionais da educação, integrantes da rede de assistência social, forças de segurança e representantes de entidades da sociedade civil.
Veja a lista completa dos premiados aqui.
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Vitória Maria Sena / Foto: Lucas Figueiredo
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