Judiciário de Mato Grosso apresenta inovação em IA para análise de admissibilidade
Magistrados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT)
conheceram na sexta-feira (5) o projeto Hannah, que visa aperfeiçoar a
prestação do serviço judicial no estado. A ferramenta foi apresentada
oficialmente durante o Encontro Anual de Integração da Magistratura, realizado
no Auditório Gervásio Leite.
Desenvolvido pela Vice-Presidência do TJMT, a Hannah é um sistema de
inteligência artificial voltado para o juízo de admissibilidade e está, neste
momento, em fase experimental. A exibição foi feita pelo juiz auxiliar da
Vice-Presidência, Gerardo Humberto Alves da Silva, acompanhado dos servidores
Daniel Dock, Louise de Barros Ibarra e João Pedro Guerra.
Conforme demonstrado, a iniciativa inédita pode ser utilizada tanto em
casos de recursos especiais quanto de recursos extraordinários. A ideia é
potencializar a agilidade e eficiência das análises jurídicas por meio da
aplicação de um Mapa de Admissibilidade composto por critérios sistematizados.
“O projeto já está em funcionamento na Vice-Presidência e nós queremos
ampliar para as secretarias do Tribunal. É uma ferramenta feita por nossa
equipe e que tem dado muito certo. Estamos acelerando bastante os despachos e
decisões, chegando a mais de 30 mil decisões neste ano”, relatou a vice-presidente
do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.
O projeto Hannah é um sistema de inteligência artificial que lê e aplica
o Mapa de Admissibilidade, formado por 14 critérios. A partir disso, cria uma
árvore de sequência para analisar se o recurso atende aos critérios formais
necessários.
Em novembro deste ano, o projeto do Judiciário de Mato Grosso foi
destaque no “II Encontro com Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais
Federais sobre Admissibilidade de Recursos Dirigidos aos Tribunais Superiores",
promovido em Brasília pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“A discussão ética a respeito do uso da IA foi o que nos levou à
construção de um sistema que não retirasse a responsabilidade do ato de julgar.
A IA não pode, em nenhuma hipótese, nos substituir. Ela é um auxílio para a
construção da decisão, mas não substitui quem decide”, explicou o juiz Gerardo
Humberto Alves da Silva.
O nome do projeto é uma homenagem à filósofa Hannah Arendt, em
decorrência da sua preocupação com a centralidade do ser humano e
responsabilidade ética dos órgãos estatais.
O que é Juízo de Admissibilidade?
O Juízo de Admissibilidade é uma etapa essencial no processo judicial (seja em ações ou recursos) em que o juiz ou tribunal verifica se todos os requisitos formais e legais foram cumpridos para que o caso (o mérito) possa ser analisado e julgado, funcionando como um filtro para garantir eficiência e evitar que processos sem fundamento avancem.
Acesse as fotos do evento neste link
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Bruno Vicente / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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