Roda de Conversa destaca união de forças pelo fim da violência contra mulheres em Rondonópolis
O Plenário do Tribunal do Júri do Fórum de
Rondonópolis sediou na terça-feira (9) a Roda de Conversa “Laço Branco - homens
pelo fim da violência contra as mulheres”. A ação, promovida pela Diretoria do
Foro, integra o calendário contínuo de cidadania do Projeto Corrida da Justiça
e Cidadania e reuniu representantes de diversos setores para debater prevenção,
respeito e construção de uma cultura de paz.
O encontro contou com a participação da
comandante do 4º Comando Regional da Polícia Militar, coronel Grasille Paes, do
representante da 1ª Subseção da OAB em Rondonópolis, Bruno de Castro, do
defensor público Fernando Antunes Soubhia e da representante da Secretaria
Municipal de Promoção e Assistência Social, Fabiana Rizarti. O foco foi a
importância do diálogo e da responsabilidade coletiva no enfrentamento à
violência contra as mulheres.
A diretora do Foro, juíza Aline Luciene,
destacou que o tema chega em um momento urgente, especialmente diante do
cenário estadual. “Infelizmente Mato Grosso lidera, até agora, o número de
feminicídios em 2025. Esse dado é alarmante, e nenhuma instituição pública ou
privada pode se omitir diante dessa realidade”, afirmou. Para ela, o evento
busca provocar reflexão profunda e mobilizar multiplicadores. “Queremos que
cada participante se pergunte: o que eu e a instituição da qual faço parte podemos
fazer para reduzir esses números?”, completou.
Reconhecido internacionalmente, o movimento Laço
Branco estimula os homens a assumirem papel ativo na prevenção da violência,
como aliados e agentes de transformação social. A presença masculina expressiva
no encontro reforçou essa proposta. Segundo o idealizador do evento e
superintendente de Políticas Públicas para Mulheres, Francisco Lucena, a roda
de conversa permitiu identificar desafios e construir soluções conjuntas.
“Existe uma complexidade no combate à violência. Ela não passa apenas pela
polícia, pelo Judiciário ou pela assistência social. É uma construção social, e
precisamos de mecanismos para desconstruir esse comportamento. Quando os homens
participam, fazem reflexões e mudam atitudes, vemos resultados concretos”,
destacou.
Lucena também ressaltou que o Laço Branco deve
ser permanente, e não restrito a datas específicas. “Queremos manter esse
trabalho durante todo o ano, levando especialistas, testemunhos e propostas de
mudança. A cidade só pode ser considerada um lar quando há respeito, empatia e
solidariedade”, afirmou.
A roda de conversa reuniu instituições como
Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Defensoria Pública,
OAB, secretarias municipais e equipes do Judiciário, criando um espaço de
diálogo multissetorial. As discussões abordaram políticas públicas, educação,
segurança, direitos das mulheres e a importância do envolvimento masculino para
romper ciclos de violência.
A diretora do Foro reforçou que enfrentar o
feminicídio também exige mudanças culturais profundas. “Um grande desafio é
ingressar no âmbito privado das relações e conscientizar que comportamentos
vistos como ‘normais’ podem ser o início de uma violência grave. Precisamos
modificar a educação e garantir direitos às mulheres sem que isso seja
percebido como ameaça”, disse a magistrada.
O evento marcou mais uma ação articulada da mobilização institucional em Rondonópolis pela paz e pela promoção da cidadania, reiterando o compromisso de ampliar a rede de proteção às mulheres e estimular a transformação social por meio do diálogo e da responsabilidade coletiva.
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Adellisses Magalhães
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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