Tecnologia, criatividade e colaboração marcam encerramento do 1º FestLabs Centro-Oeste
Em uma tarde marcada por
inspiração, colaboração e tecnologia, o 1º FestLabs Centro-Oeste reafirmou o
protagonismo dos laboratórios de inovação como espaços de transformação no
Poder Judiciário. Realizado em Cuiabá (MT), o segundo dia de programação, nesta
sexta-feira (13 de junho), uniu teoria e prática para mostrar que a inovação,
além de ferramentas digitais, nasce da escuta ativa, da coragem de questionar
padrões e da capacidade de construir soluções de forma coletiva.
Com palestra e oficina "fora da caixa", o evento promoveu reflexões sobre os desafios da Justiça contemporânea, como o enfrentamento de fake news, deepfakes e o uso oportuno de ferramentas digitais e da Inteligência Artificial (IA). O encontro também apresentou propostas concretas para fortalecer a cultura de inovação e fomentar o pensamento criativo entre magistrados(as), servidores(as) e colaboradores(as) de diversos ramos e regiões do Judiciário brasileiro.
A jornada teve início com a palestra “Toda ideia carrega um truque: a arte de pensar fora da caixa na Justiça”, conduzida pelo juiz Thiago Aleluia, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI). Com uma abordagem reflexiva e interativa, com números de mágica integrados ao conteúdo, ele propôs um debate sobre os desafios enfrentados pela Justiça na era da informação digital, sob a perspectiva de como a tecnologia pode e deve ser aliada na proteção da integridade dos processos judiciais.
Foram expostas possibilidades
de aplicação de ferramentas como blockchain e inteligência artificial para
ampliar a segurança, rastreabilidade e confiabilidade das informações no ecossistema
judicial. A abordagem reforçou que o avanço tecnológico, quando integrado de
forma ética e estratégica, pode fortalecer a credibilidade institucional e
contribuir para uma Justiça cada vez mais eficaz, acessível e preparada aos
desafios contemporâneos.
"O desafio não está apenas em aplicar novas tecnologias, mas em construir uma Justiça mais segura e humanizada, capaz de enfrentar questões como fake news e deepfakes com criatividade e coragem. Pensar fora da caixa é, antes de tudo, pensar nas pessoas”, pontuou.
Thiago também ressaltou o papel da cultura de inovação como motor de transformação institucional. Segundo ele, investir em pessoas é tão importante quanto investir em tecnologia. “A criatividade nasce quando o ser humano se sente parte do processo. O Judiciário precisa acolher essa potência coletiva”.
Na sequência, os(as)
participantes mergulharam na “Oficina Criativa – Construindo o Continente”, uma
vivência imersiva baseada em metodologias de Design Thinking. Com base nos
aprendizados e dores mapeadas no primeiro dia, a oficina foi estruturada em
quatro blocos: redefinição do desafio, ideação, prototipagem e pitch. Os(as)
participantes foram desafiados a transformar perguntas estratégicas em soluções
concretas. A proposta foi incentivar o pensamento criativo, conectar
experiências entre os laboratórios e construir protótipos de ações que possam
ser testadas, aprimoradas e aplicadas nos diferentes contextos do Judiciário
brasileiro.
“Essa jornada é, na verdade, um exercício de cidadania institucional. Saímos das nossas ‘ilhas’ para construir um continente comum, onde diferentes ideias convivem e se fortalecem. O FestLabs nos desafia a colaborar, ouvir e, principalmente, criar juntos”, explicou o facilitador David Montalvão.
A proposta de integrar IA também foi levada à avaliação final dos pitches. Isso porque os projetos desenvolvidos pelas equipes foram submetidos à análise, em tempo real, de uma inteligência artificial, que atribuiu pontuações objetivas com base nos critérios previamente definidos e alinhados às diretrizes da Resolução CNJ nº 395/2021, que estabelece as diretrizes da Política de Gestão da Inovação no Poder Judiciário. Entre os pontos observados pelo prompt estavam a relevância e a complexidade do problema enfrentado, a originalidade da proposta, o uso racional de recursos e o impacto comprovado das soluções. Também foram considerados o foco no usuário e na excelência do serviço, o alinhamento estratégico e normativo, além do nível de complexidade técnica e criativa envolvida. A experiência trouxe à tona uma nova camada de provocação sobre como a tecnologia pode atuar de forma técnica e criativa na gestão de inovações.
Então, as três soluções melhor
avaliadas foram premiadas e representaram o reconhecimento ao esforço coletivo
e à disposição em construir, de forma colaborativa, soluções para um Judiciário
mais conectado à sociedade e ao seu tempo. O 1º lugar ficou com a equipe
“SuperJud" com a proposta de um hub colaborativo, vinculado ao CNJ, para
integrar soluções e vivências apresentadas pelos laboratórios de inovação de
todo Brasil. Giovanna de Campos Belo, secretária judiciária do Superior
Tribunal Militar (STM), e que integrou esse time, enalteceu a potência da
colaboração entre os tribunais como motor da inovação. Para ela, o evento
mostrou que, ao unir esforços, a Justiça pode avançar de forma coordenada e
eficaz. “O que percebemos aqui é que os desafios enfrentados pelas diferentes
justiças, estadual, federal, eleitoral, são bastante semelhantes. Quando nos
reunimos para trocar experiências, fortalecer contatos e pensar juntos, criamos
um ambiente de apoio mútuo que potencializa soluções e acelera transformações”,
avaliou.
A troca de experiências
promovida pelo 1° FestLabs Centro-Oeste foi destacada por diversos participantes
como um avanço imprescindível para o fortalecimento da cultura colaborativa no
Judiciário. Para Benedito Antônio da Costa, analista judiciário do Tribunal
Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o evento demonstrou como a
cooperação entre os laboratórios de inovação pode promover soluções mais
efetivas e integradas. “Esse tipo de colaboração é muito poderosa. A gente
acaba descobrindo que tem muita gente para ensinar e muitos dispostos a
aprender. Isso qualifica os serviços e mostra que não estamos sozinhos nos
desafios”, avaliou. Já César Henrique de Oliveira Pereira, gerente de projetos
do Programa Justiça 4.0 do CNJ, evidenciou o potencial das oficinas para gerar
soluções replicáveis em âmbito nacional. “Essas dinâmicas ajudam a compartilhar
iniciativas e a romper o estigma de um Judiciário fechado. De fora, muitas
vezes se vê um mundo à parte. Mas aqui, com essa linguagem mais simples e
acessível, todos podem participar, interagir e inovar juntos”, pontuou.
O consultor do Tribunal de Justiça de Ceará (TJCE), Sidan Orafa, também ressaltou o valor da experiência. “Foi incrível perceber os diferentes níveis de maturidade das iniciativas e como, apesar das realidades distintas, temos desafios comuns. A troca foi rica e humana. Saio daqui com o coração aquecido por fazer parte de um grupo que, mais do que pensar soluções, está engajado em melhorar a administração pública de forma coletiva e cidadã”, pontuou.
Para a juíza Joseane Carla
Ribeiro Viana Quinto Antunes, coordenadora do Laboratório de Inovação do Poder
Judiciário de Mato Grosso (InovaJusMT), a realização do evento em Mato Grosso
foi motivo de orgulho coletivo. “Foi um grande desafio, uma enorme
responsabilidade, mas a sensação é de dever cumprido. Só foi possível graças à
dedicação de todas as pessoas que integram o ecossistema de inovação do nosso
Tribunal, da alta administração à equipe de infraestrutura, passando pela
comunicação e pela Escola. Cada um fez parte dessa entrega”, afirmou. Ela ainda
revelou o interesse de outros Estados em replicar o modelo do evento, o que
demonstra o impacto nacional da iniciativa.
Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso com apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o FestLabs Centro-Oeste mostrou que a inovação no Judiciário é sobre escutar, repensar e agir, além de ferramentas digitais.
Confira outras notícias sobre o evento:
1º FestLabs Centro-Oeste: tribunais apresentam soluções que aproximam a Justiça da sociedade
Oficinas do 1º FestLabs Centro-Oeste marcam processo de cocriação entre laboratórios de inovação
1º FestLabs Centro-Oeste impulsiona inovação e colaboração entre tribunais em Cuiabá
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Talita Ormond / Foto: Lucas Figueiredo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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